FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

15 de junho de 2011

A PONTE



ARTIGO PUBLICADO PELA REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO, No. 09, Outubro de 2011.

No livro “O Espírito da Verdade” de autores diversos psicografados através da mediunidade lúcida e coerente de Chico Xavier, encontramos a mensagem de Hilário Silva, “Há um século”. Nela, seu autor relata um episódio da vida de Allan Kardec, ocorrida em abril de 1860. Numa manhã daquela data, o codificador quedara exausto e desalentado diante de tantas pressões, críticas, perseguições, calúnias. Sua esposa lhe traz uma encomenda que acabara de chegar, o professor abre, e encontra uma carta assinada por Joseph Perrier, relatando-lhe a própria história. Havia sido um sério candidato ao suicídio, premido pelas dores e aflições oriundos de dramas pessoais que não soubera enfrentar. Numa noite, encaminhara-se às margens do rio Sena, e decidido a jogar-se da Ponte Marie, ao apoiar-se com a mão direita na amurada tocou num objeto que caiu ao solo. Surpreendido, tomou o volume nas mãos, e procurando a luz mortiça de um poste, pode ler : “Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent”. Estupefato, leu a obra – O Livro dos Espíritos -, ao qual acrescentou breve comentário, encaminhando-o ao professor Rivail.
Kardec abriu o pacote e encontrou o livro ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais de seu pseudônimo. Abrindo-o, encontrou a mensagem acima, acrescida das seguintes palavras: “Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação.” Após a leitura, o prof. Rivail, refeito dos dramas que vivia por preservar a Doutrina dos Espíritos das tentativas que visavam deturpar os seus princípios, pensou: “era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas...”(Emmanuel, Xavier, 1999, p.127).
Dois aspectos se destacam nesse episódio: o primeiro, os apodos que o Espiritismo e todos aqueles que se lhe conservam fiéis recebem, por lhe preservarem os princípios indenes de interpretações e interpolações pessoais, ou dogmáticas, ou academicistas. O Espiritismo conservar-se-á livre, pois livre é a sua natureza, livre é a sua fonte onde se banham todos aqueles que buscam libertar-se das amarras e sistemas que o ser humano criou para si nos diversos momentos de seu crescimento. O Espírito André Luiz, num contundente artigo, “Defesa da Verdade”, enfatiza: “ninguém precisa ferir ou impor nesse ou naquele ponto de sustentação doutrinária, mas o espírita tem a obrigação de estudar e refletir, assegurar a limpidez dos ensinos que abraça e garantir-lhes a difusão clara nos alicerces do discernimento e da lógica, sem o que as consciências humanas, mesmo as que estejam sob os rótulos do Espiritismo, continuarão adstritas ao fanatismo e à superstição.”
Em segundo lugar, a temática do suicídio, tão intensamente estudada por especialistas da área médica, teve seu destaque através de uma pesquisa que redundou em um livro extenso e detalhado, “O suicídio”, de 1897. Refiro-me a Émile Durkheim, nascido um ano após a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, foi o primeiro a afirmar que o suicídio era um fato social e deveria ser explicado por fatores sociais. O suicídio era decorrente não somente de questões individuais, étnicas, religiosas ou provenientes de desordens mentais mas também como desordem social, um estado de anomia (estado social sem regras ou normas) encontrado na sociedade. Tal estado ocorreria em situações de calamidades, em tempos de grandes transformações sociais. Para Durkheim, o suicídio é um aspecto patológico das sociedades modernas e revela de modo marcante a relação entre indivíduo e coletividade. Segundo ele, quando o indivíduo se sente só e desesperado, a ponto de se matar, é ainda a sociedade que está presente em sua consciência e o leva, mais do que sua história individual, a esse ato solitário. (Aron, 1999, p.298).
E ainda poderíamos acrescentar, como elemento motivador, épocas de crise de valores como a atual em que vivemos. Exemplo disto, é o filme “The Bridge”, criado por Michael Smith, em semanas de observação e filmagem da ponte Golden Gate, na cidade de São Francisco, Califórnia (EUA), de onde se jogam suicidas em potencial. Tentativas de suicídio, entrevistas com pessoas que surpreendentemente se salvaram com vida após projetarem-se da ponte, e as tentativas frustradas de salvar vidas por parte do criador do documentário e de sua equipe, tudo é relatado com impressionante exatidão.
E voltamos ao episódio vivido por Kardec: esses suicídios poderiam ser evitados? O que falta à sociedade que a faz refém do desespero de seus indivíduos que se projetam cotidianamente das pontes construídas pelas drogas, pelos vícios, pelos modismos, pelas carências, pelo vazio interior? Nossa sociedade está enferma. Gabriel Delanne, em tocante mensagem de 2004, alerta: vivemos um período de egoísmo feroz.
Mais do que continuar nas construções do saber, precisamos alicerçá-lo com as bases da compreensão, do respeito à vida e aos direitos do outro, à diversidade, à natureza, sob pena de vê-lo desmoronar sobre as nossas vãs e infantis criações.
Bibliografia/Fontes:
Veja a mensagem de Gabriel Delanne na íntegra: http://filosofiaespiritaencantamentoecaminho.blogspot.com

Assista o trailler de “O Filme dos Espíritos”, Mundo Maior Filmes:
http://filosofandocotidiano.blogspot.com

8 de junho de 2011

SOBRE MÚSICA E FILOSOFIA ESPÍRITA ...


Estudando em nosso Blog de Filosofia Espírita, ou no Blog do VER,respectivamente http://filosofiaespiritaencantamentoecaminho.blogspot.com e http://vervisaoespiritadareligiosidade.blogspot.com, no Blog de Filosofia Espírita aplicada ao cotidiano http://filosofandocotidiano.blogspot.com ou nos demais Blogs de acesso ao Conhecimento espírita (http://spiritistphilosophy.blogspot.com , http://philospiriteravissementetcheminement.blogspot.com , você poderá se perguntar porque colocamos vários links com trechos de música clássica, além de outros: veja, não é ao acaso.
Cada compositor – principalmente os nascidos entre os séculos 18 e 19 – trouxe consigo a marca, se podemos chamar assim, de verdadeiros precursores da Filosofia Espírita no campo das Artes, ajudando assim, a “preparar” a sensibilidade dos homens e mulheres nascidos e por nascer naqueles séculos e nos séculos futuros, pois a sua música é atemporal, toda ela expressa em beleza e extrema harmonia. Muitos deles nasceram no Período Romântico – na Filosofia, esse Período deu origem ao Idealismo Absoluto com Kant e Hegel - em fins do século 18, e que abrangeu toda a civilização ocidental.
Depois do romantismo, o mundo nunca mais foi o mesmo; na poesia e literatura com Goethe, Schiller (pois o Movimento iniciou-se na Alemanha), na música com Beethoven e Brahms, na Filosofia, inclua-se Schelling aos já acima citados. Adentrando o século 19, a Europa inteira se embriagava com o sentimento de melancolia; no Brasil, Castro Alves morria de tuberculose e, por incrível que possa parecer, morrer dessa doença era a aspiração de todo grande artista, a fim de eternizar-se em holocausto à Arte. Giuseppe Verdi retrata esse momento, na ópera dramática “La Traviata”, cujo libreto inspirava-se na história da Dama das Camélias de Dumas.
Porém, aspirações à parte, infelizmente o Bacilo de Koch deflagrou uma pandemia pelo mundo, levando consigo outros grandes nomes, como Frédéric Chopin, morto precocemente aos 39 anos. No ano de 2010, comemorou-se 200 anos de nascimento do grande compositor. Dele diz Eduardo Rincón: Chopin foi uma força única, um compositor de personalidade tão singular, que jamais teve de lutar para ser reconhecido. A médium brasileira, Yvonne do Amaral Pereira teve a oportunidade de dialogar, por diversas ocasiões, com o Espírito Chopin, e estes encontros estão relatados em detalhes em seu livro “Devassando o Invisível”.
Mas o Romantismo – época em que surge a Doutrina Espírita construída como Filosofia –em verdade conduz o ser humano a pensar que ele não era apenas razão, como o Iluminismo o fizera crer. Ele era um ser composto de paixão, sentimentos, emoções, de reflexão, de instrospecção, trazia consigo a mística da religiosidade inerente à sua verdadeira natureza de Espírito imortal, viajor do Infinito, no dizer de Plotino.
O Romantismo redescobrira a importância do impulso de sensibilidade inspirado pelas Artes, no processo do crescimento humano. Se você quiser um exemplo prático, já que falamos em Chopin, ouça o 2º. Movimento Larghetto, de seu Concerto No. 1, Opus 11, reproduzido ao lado: feche os olhos e deixe-se levar por seus suaves acordes ...
Outro exemplo, é o trecho Lacrimosa do Réquiem de Mozart (ouça-a com a Filarmonica de Berlim, sob a batuta do maestro Claudio Abbado). Muitos dirão que ele é melancólico, que traduz uma grande dor. De fato, pois retrata a dor de Maria e de Jesus no episódio do Calvário. Mas percebemos que ele também retrata a imensa tristeza presente no coração do grande compositor, pois despedia-se da vida terrena naqueles acordes (este foi o último Movimento que compôs em seu leito de morte); porém, a extrema beleza e a musicalidade contidas nesse Movimento, ao contrário, leva-nos a agradecer à personalidade desse Espírito magistral pela grandiosa herança legada à Humanidade (leia a sua entrevista publicada por Allan Kardec, na Revista Espírita de 1858, com a reprodução psicopictografada de seu lar em Júpiter, pelo médium Bernard Palissy). E eu ainda ousaria dizer que a Lacrimosa foi uma mensagem direta dos Espíritos Superiores à Terra, em forma de música, e que – sem palavras que a descrevam – “fala” à nossa alma das imagens sublimes de outras paisagens, quem sabe as de um plano de Regeneração, onde o Bem e o Belo prevalecem...
Infelizmente aqui não há espaço para falarmos de todos: Beethoven, Brahms, Haydn, Haendel, Massenet... Mas como você sabe, a Musicoterapia adota trechos de suas Sonatas, Sinfonias, concertinos, concertos para o tratamento eficaz de enfermidades psicossomáticas.
Saiba ainda que quando você estiver estudando, ou lendo, ou simplesmente quiser repousar de um dia estressante, Johann Sebastian Bach (do período Barroco, que antecedeu ao Romantismo) é altamente recomendável.
Quando quiser alegrar-se, as orquestrações para piano de Mozart (ainda ele) por exemplo o Concerto No. 9, em seu 1º. Movimento aqui apresentado por Mitsuko Uchida; quando quiser apenas admirar o pôr do Sol, ou pensar na vida, ouça um Noturno de Chopin.
Um dos maiores pianistas clássicos da atualidade, o jovem chinês Lang Lang, diz que a música clássica traduz amor, paixão, sentimento, nobreza e encantamento !
Mas, em meio a tantas maravilhas, a tragédia tomou o lugar que lhe era próprio. Muitos desses Espíritos, dotados que foram de extrema sensibilidade, ‘perderam-se’ na melancolia de que eram portadores (acerca desse fenômeno, veja o item 25, do Cap. V de O Evangelho segundo o Espiritismo) e, caindo em profunda depressão, ceifaram a própria existência, como nos casos de Tchaikovsky e de Robert Schumann. A eles o nosso imenso carinho, pois encantaram (e encantam) a nossa existência com a Beleza de sua Arte.
Então, entendeu agora o porquê da Música aqui presente? E para não esquecermos que a boa arte musical se expressa constantemente em sua atemporalidade, você também encontrará os contemporâneos Vangelis, Josh Gobran, M. Jackson, Milton Nascimento, Mercedes Sosa, Bach revisitado pelo excelente Bob Mc Ferrin, e muitos outros que ainda virão, também representando os períodos culturais importantes para a Filosofia, pois quer admitamos ou não, eles influenciaram os pensadores e filósofos de todos os tempos; e todos encantando o nosso caminho rumo à Filosofia Espírita !
Quanto às aulas em nosso Blog, elas são postadas a medida em que se realizam as aulas presenciais, e para, também, darmos tempo suficiente à reflexão. Também postaremos filmes, aulas, documentários, todos concernentes aos assuntos abordados.
O PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS seguirá sequencialmente, com as aulas ampliadas com novos conceitos em Filosofia e Filosofia Espírita.

Os artigos aqui arquivados e também constantes de nossa página no www.feal.com.br no conjunto “Colunistas”, servem como referência para o momento atual. É a Filosofia revisitada sob os auspícios da nossa querida Filosofia Espírita.

ABRAÇO FRATERNO, E QUANDO QUISER TROCAR IDEIAS, MANDE SEU EMAIL PELO: efe_ver@hotmail.com para você que está no Brasil e ver_cefe@hotmail.com , para você que reside nos demais países.

EFE Filosofia Espírita

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EFE- Educação Mediúnica com base na Filosofia Espírita

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