FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

29 de novembro de 2010

ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS - IDEAL ALCANÇADO !


ESTE ANO LETIVO DE 2010 TERMINA COM A SENSAÇÃO DE OBJETIVOS ALCANÇADOS;O PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS,QUE NASCEU DE UMA MODESTA HOMENAGEM AO TRABALHO FILOSÓFICO DO DR. BEZERRA DE MENEZES E QUE INSPIROU O SEU TÍTULO,DESENVOLVEU-SE AO LONGO DE 3(TRÊS ANOS)DE APLICAÇÃO VENCENDO PERCALÇOS E OBSTÁCULOS NATURAIS, PORÉM, A EQUIPE CONDUTORA, COM O APOIO DOS AMIGOS E DA ORIENTAÇÃO FIRME DOS BENFEITORES ESPIRITUAIS FINALIZA ESTE ANO LETIVO DE 2010 COM OS RESULTADOS POSITIVOS PROVENIENTES DA DEVOLUTIVA DE SEUS PARTICIPANTES, A QUEM NÃO DENOMINAMOS ALUNOS, POIS ESTUDANTES SOMOS TODOS OS QUE SE DEDICAM À CAUSA ESPÍRITA, LEGITIMADA POR ALLAN KARDEC, LÉON DENIS, BEZERRA, HERCULANO PIRES, OS PIONEIROS EM TERRAS EUROPÉIAS E EM SOLO BRASILEIRO, SEM MENCIONAR OS CONSOLIDADORES DA CAUSA CRISTÃ (A DE JESUS DE NAZARÉ),PRESENTES EM TODA A CODIFICAÇÃO.
DIZER DAS PESQUISAS QUE POSSIBILITARAM INSIGHTS IMPORTANTÍSSIMOS EM SALA DE AULA, TANTO PARA PARTICIPANTES QUANTO PARA EDUCADORES, SERIA REDUNDANTE, JÁ QUE A DEDICAÇÃO PLENA LEVA A TAIS RESULTADOS,RESULTADOS ESTES QUE NOS GARANTEM O ESPAÇO NECESSÁRIO ONDE PODEREMOS DESENVOLVER MAIS E MELHOR ESTE QUE É O CURSO ONDE ABRIMOS AS PORTAS AO ENTENDIMENTO DOS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS E À COMPREENSÃO DOS FINS A QUE ELES SE DESTINAM.
QUE OS BENFEITORES DA DIMENSÃO ESPIRITUAL - OS VEROS CONDUTORES DESTE ESTUDOS FILOSÓFICOS DO ESPIRITISMO - CONTINUEM A INSPIRAR-NOS E A TODOS AQUELES QUE ABRAÇAM O IDEAL ESPÍRITA DE ALMA, RAZÃO E CORAÇÃO.
POR ISSO, MUITO MAIS QUE PALAVRAS, AS FOTOS PODERÃO DEMONSTRAR A SATISFAÇÃO DOS QUERIDOS COMPANHEIROS QUE OMBREARAM E ESTARÃO OMBREANDO CONOSCO, NA CONCRETIZAÇÃO DESTES OBJETIVOS, HOJE E NO FUTURO.

17 de novembro de 2010

MODISMOS E ACHISMOS


O GRANDE PENSADOR DA ANTIGÜIDADE, PITÁGORAS, AFIRMAVA, COM RAZÃO, QUE A TERRA ERA A MORADA DA OPINIÃO. PODERÍAMOS ASSEVERAR QUE, SE EM SUA ÉPOCA HAVIA ESSE RECONHECIMENTO, HOJE NÃO ESTAMOS DISTANTES DESSA DEFINIÇÃO. QUER NOS PARECER QUE APROXIMAMO-NOS DELA CADA VEZ MAIS, E GRADATIVAMENTE DISTANCIAMO-NOS DO PROCESSO MAIS IMPORTANTE E SUGESTIVO QUE JÁ SURGIU ENTRE NÓS, TAMBÉM TRAZIDO POR UM SÁBIO, E QUE PAUTAVA O DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO A PARTIR DE SI. ESTE SÁBIO, SÓCRATES, HUMILDE - PELA CONCEPÇÃO DE JESUS, POIS OS VEROS HUMILDES NÃO TÊM NECESSIDADE DE AGIR COMO “FORTES”, JÁ QUE RECONHECEM EM SI MESMOS UMA PARCELA DE DIVINDADE ATRAVÉS DO EXERCÍCIO DAS VIRTUDES LATENTES -, ENSINAVA, OU MELHOR, GUIAVA OS SEUS SEGUIDORES E OUVINTES ATRAVÉS DOS CAMINHOS ÁSPEROS DA OPINIÃO, ATÉ O RECONHECIMENTO DE QUE OS SERES HUMANOS MUITO SABIAM DOS OUTROS, PORÉM, NADA SABIAM DE SI MESMOS. O CONCEITO E A IRONIA SOCRATIANOS, APLICADOS NO DESENVOLVIMENTO DO VERDADEIRO E MAIS PROFUNDO DE TODOS OS CONHECIMENTOS, O SABER DE SI, CONDUZIA O PENSAMENTO E O RACIOCÍNIO, DE FORMA NATURAL, A UM OUTRO MOMENTO: CONHEÇA-SE - DEPOIS SEJA SINCERO COM O QUE DESCOBRIU.
A HUMANIDADE ATUAL PARECE ESTAR ATRAVESSANDO POR ESSE PROCESSO – E É AÍ QUE SURGEM OS DESVIOS DE ROTA. O SER HUMANO HABITUOU-SE A REDUZIR A COMPREENSÃO DAS COISAS ÀS PERCEPÇÕES DA PRÓPRIA MENTE, POIS É DIFÍCIL ROMPER COM AS ESTRUTURAS DE REFERÊNCIA E PERMITIR QUE O ESPÍRITO EFETUE SALTOS QUALITATIVOS PARA OUTRAS DIMENSÕES DE CONHECIMENTO, TRANSCENDENDO AOS LIMITES IMPOSTOS POR VIDAS DE PENSAMENTO ESTRUTURADO.
CONTUDO, FOI ISTO O QUE O PROF. RIVAL, FUTURO ALLAN KARDEC, REALIZOU. AO SER INFORMADO DOS FENÔMENOS QUE OCORRIAM EM TODO O MUNDO, EM PARTICULAR NA FRANÇA, EM PARIS, PORÉM, CONHECEDOR DAS LEIS DO MAGNETISMO E DA INCONSEQÜENTE UTILIZAÇÃO DE SEUS MECANISMOS NAS MÃOS DE ILUSIONISTAS PARA ESPETÁCULOS DE LAZER, TRANSCENDE A SI PRÓPRIO E ÀS ESTRUTURAS DE SABER LINEARES DE SUA ÉPOCA, DÁ UM SALTO DE QUALIDADE E VAI AO ENCONTRO DA MAIOR PROPOSTA QUE UM SER HUMANO PODERIA RECEBER: A REALIZAÇÃO EFETIVA DA MISSÃO, CERTAMENTE ACEITA NA VIDA ESPIRITUAL, PORÉM PASSÍVEL DE ALTERAÇÕES ORIUNDAS DE SEU PRÓPRIO ARBÍTRIO, DE TRAZER À CONSCIÊNCIA HUMANA, DE FORMA DESPOJADA DE ATAVISMOS RELIGIOSOS, A SUA VERDADEIRA E REAL NATUREZA, A ESPIRITUAL, COM TODOS OS SEUS DESDOBRAMENTOS. ISTO IMPLICARIA EM ASSUMIR UM TRABALHO DE PESO, ONDE O DISCERNIMENTO, A IMPESSOALIDADE E A RENÚNCIA ESTARIAM PRESENTES A TODO INSTANTE, EXIGINDO DE SI DOAÇÃO PLENA, TRABALHO INTENSO, FIRMEZA E CORAGEM CONSTANTES.
A HUMILDADE DO GRANDE SÁBIO, AQUELA QUE LHE REVELA QUE O CONHECIMENTO REAL É VASTÍSSIMO, E QUE NUNCA ABARCA UMA SÓ EXISTÊNCIA, MANIFESTA-SE EM RIVAIL E ELE ENTÃO CONCLUI A FASE DO TRABALHO IMENSO QUE LHE COMPETIA, LEGANDO AOS QUE CHAMOU DE “ESPÍRITAS” (PALAVRA NOVA NO VOCABULÁRIO DE ENTÃO), UMA HERANÇA GRANDIOSA, ELOQÜENTE, VERDADEIRA, E QUE NUNCA PODERIA ESTAR SUJEITA ÀS OPINIÕES TRANSITÓRIAS, MUITO EMBORA ESTIVESSEM EMBASADAS EM NÍVEIS DE INTELECTUALIDADE POSSIVELMENTE INVEJÁVEIS, PORÉM SEMPRE CIRCUNSCRITAS E CONDICIONADAS À EVOLUÇÃO TEMPORAL DE QUEM AS ELABORA, E, PORTANTO, RESTRITIVAS, LIMITANTES E LIMITADORAS. ASSIM, O CAMINHO JÁ ESTAVA TRAÇADO. LIBERTO DAS ARESTAS REDUCIONISTAS, O PROCESSO SOCRÁTICO PRECURSOR CONSOLIDA ASSIM, A ROTA FIRME E SEGURA PELA QUAL O SER HUMANO PODERIA TRANSITAR, SEM RECEIOS.
O AUTOCONHECIMENTO, ATRAVÉS DA BÚSSOLA ESPÍRITA, REVELARIA AO SER HUMANO QUE ELE EVOLUI EM ESPIRAL ASCENDENTE, PERPETUAMENTE, E QUE PORTANTO, SE BEM COMPREENDIDO, PODERIA LIVRÁ-LO DO MEDO. LIVRE DO MEDO, ACABARIA COM O ÓDIO. LIVRE DO ÓDIO, ESTARIA LIVRE DA GANÂNCIA, DA INVEJA, DA GUERRA, DO ÍMPETO DE MATAR, DE DESTRUIR. ELE, O MEDO, NECESSÁRIO À CONSERVAÇÃO DA VIDA, QUANDO PATOLÓGICO – MEDO DO FRACASSO, DA DOR, DA MORTE, DA HUMILHAÇÃO, DA SOLIDÃO, DO DESAMOR, DE SI MESMO, E, EM ÚLTIMA ANÁLISE, MEDO DO MEDO – , É INSIDIOSO, MANIPULADO E MANIPULADOR, INSTRUMENTO DE FORÇAS NEGATIVAS E DESTRUTIVAS QUE SE IMPÕE AO QUE SE ACOVARDA DIANTE DO CONVITE QUE O AUTOCONHECIMENTO LHE PROPÕE.
MENSAGEM CLARA E ENOBRECEDORA, O ESPIRITISMO POSTULA A MAIÊUTICA SOCRÁTICA COMO MÉTODO DE AUTOCONHECIMENTO SEGURO, AO ALCANCE DAQUELE QUE NÃO TEME CONHECER-SE PARA RENOVAR-SE, DE SAIR DA CAVERNA ESCURA DE SEUS ERROS DE PERCEPÇÃO DE UMA SUPOSTA REALIDADE, A DAS APARÊNCIAS, PARA IR AO ENCONTRO DA REALIDADE EM SI QUE O AGUARDA.
CONSIDERANDO QUE OS ESPÍRITAS NÃO TÊM NECESSIDADE DE OUTRA METODOLOGIA , SENÃO ESSA QUE LHE ABRE O ENTENDIMENTO AOS ENSINAMENTOS DE JESUS, DESMISTIFICADO E DESMITIFICADO PELA COMPREENSÃO QUE O ESPIRITISMO FACULTA DE QUE ELE, O CRISTO, ALCANÇOU A PLENITUDE DE SUA EVOLUÇÃO PELA MESMA JORNADA, SEM DÚVIDA MUITO MAIS AMPLA DO QUE A NOSSA CAPACIDADE DE ENTENDIMENTO PODE ABARCAR, JAMAIS PODEREMOS ACEITAR AS INJUNÇÕES SUGESTIVAS E SALVACIONISTAS DE UM MOVIMENTO DENOMINADO “AUTO-AJUDA”, QUE, SE PODERIA SERVIR COMO UM RÁPIDO DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL, MORRE COM A MESMA RAPIDEZ COM QUE NASCE, POIS NÃO POSSUI CONSISTÊNCIA . É COMO UM RELÂMPAGO, SONORO, BELO E RESPLANDECENTE, MAS QUE DESAPARECE À OBSERVAÇÃO MAIS APURADA.
SEM LEGITIMIDADE REAL, COMO TODO MOVIMENTO RENTÁVEL, CRIADO EM CIRCUNSTÂNCIAS S ONDE A DOR E O SOFRIMENTO ALCANÇAM NÍVEIS ALTOS E QUE, POR ESTA MESMA RAZÃO, ACABAM POR OBSTAR O SENSO CRÍTICO, ELEVA OS SEUS SERVIDORES AO OLIMPO MITOLÓGICO COM SUA CORTE DE ADORADORES, PORÉM SE ESVAI, DESAPARECE, DEIXANDO O VAZIO E A SENSAÇÃO DO INALCANÇÁVEL, DO IMPONDERÁVEL, DA PROFUNDA TRISTEZA PELA PRÓPRIA INCONSISTÊNCIA QUE CARREGA.
SOB O ESTÍMULO DOS CONFLITOS QUE MUITAS VEZES SOLAPAM A CONFIANÇA DA SOCIEDADE EM DIAS MAIS AMENOS, O MERCADO EDITORIAL MUNDIAL DESCOBRIU ESSE FILÃO COMERCIAL COM A QUAL TEM MANTIDO ALTOS ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE. INCENTIVADOS PELAS “SOLUÇÕES” IMEDIATISTAS PROPOSTAS POR CENTENAS DE AUTORES PARA PROBLEMAS DE TODA A SORTE, A POPULAÇÃO, NOTADAMENTE NO BRASIL, CONSOME AVIDAMENTE LIVROS, CDs, DVDs, PÁGINAS E PÁGINAS NA INTERNET, TODOS COM A MÁGICA RECEITA DE “COMO-FAZER” PARA EVITAR TUDO O QUE INCOMODA E TRAZER PARA SI O ÉDEN, A UTOPIA, COMO NO POEMA DE MANOEL BANDEIRA:
“VOU-ME EMBORA PRÁ PASSÁRGADA, LÁ SOU AMIGO DO REI ... VOU-ME EMBORA PRÁ PASSÁRGADA, AQUI EU NÃO SOU FELIZ. ... EM PASSÁRGADA TEM TUDO, É OUTRA CIVILIZAÇÃO...”
AS RELIGIÕES, QUE ENSINAM RELIGIÃO, E NÃO ESPIRITUALIDADE, INCENTIVADAS PELA IDÉIA E COMPETINDO ENTRE SI, TRATARAM DE SE ADAPTAR E CRIARAM OS SEUS PRÓPRIOS ÍDOLOS COM SEUS RESPECTIVOS ADORADORES QUE, EM TEMPLOS IMENSOS, ORAM EM CONJUNTO PARA AS FINALIDADES MAIS DIVERSAS, DESDE A SOLUÇÃO PARA DÍVIDAS FINANCEIRAS ATÉ A CURA DAS ENFERMIDADES TERMINAIS, “COMPLEMENTADAS” PELO DÍZIMO, PELA OBTENÇÃO DE IMAGENS, SOUVENIRS, BIJOUTERIAS-AMULETOS, PORTADORES DAS BEM-AVENTURANÇAS PROMETIDAS PELO CRISTO (ESTARÍAMOS PRECISANDO DE NOVOS LUTEROS?). POR SUA VEZ, A PSEUDO-CIÊNCIA CONTRIBUI PARA A AMPLIAÇÃO DESSE SENTIMENTO DE QUE “TUDO É POSSÍVEL PARA AQUELE QUE DESEJA COM EMPENHO”, BASTANDO QUE SE SUBMETA ÀS TERAPIAS DAS CORES, DOS MINERAIS, DA PARAFERNÁLIA QUE ACOMPANHA A PROPOSTA SUGESTIVA E SEDUTORA DE QUE “PODEMOS ATRAIR TUDO O QUE DESEJARMOS TER”- AÍ ESTÁ O SEGREDO....
É NESSE QUADRO EXISTENCIAL , DESFOCADO E AFLITIVO, QUE A FILOSOFIA ESPÍRITA, AO CONTRÁRIO DA “FILOSOFIA” DE AUTO-AJUDA, NADA PROMETE, TUDO FAZ PARA QUE O INDIVÍDUO CONDUZA A SI MESMO, NA GRANDE JORNADA DE SUA PRÓPRIA EVOLUÇÃO, PARA DENTRO DE SI , E DESCUBRA AS INFINITAS POTENCIALIDADES DE QUE É POSSUIDOR, HERANÇA NATURAL DE SUA JORNADA MILENAR COMO ESPÍRITO.
O ‘NÃO SABER DE SI’ DEMONSTRA A DIFERENÇA CRUCIAL QUE EXISTE ENTRE A SUPERFICIALIDADE COM QUE É TRATADO O ‘MOMENTO’ EXISTENCIAL HUMANO E AS ALTERNATIVAS POSSÍVEIS PARA O CONHECIMENTO REAL DE SI.
O MOMENTO DE TRANSIÇÃO NATURAL QUE ATRAVESSAMOS, E QUE JÁ FOI TRATADO EM OUTROS ARTIGOS DE NOSSA AUTORIA NESTA SEÇÃO, MOBILIZA A ATENÇÃO HUMANA PARA O SANEAMENTO INTERIOR NECESSÁRIO – É QUANDO ESTAMOS FACE A FACE COM NOSSAS MAIS GRAVES QUESTÕES. REABILITANDO-SE JUNTO ÀS LEIS DIVINAS CONSCIENCIAIS, O SER HUMANO ALCANÇARÁ DEGRAUS MAIS ALTOS ONDE A REAL PERCEPÇÃO DE SI MESMO O CONDUZIRÁ A SER UM DIA UNO COM O PAI, TAL COMO NA PROMESSA DE JESUS, SEM DISCREPÂNCIAS, SEM MODISMOS OU ACHISMOS, POIS ENTÃO COMPREENDEREMOS QUE TUDO ISSO FAZ PARTE DE APENAS UM MOMENTO, E COMO TAL, JAMAIS PODERÁ COMPOR A NOSSA REAL IDENTIDADE.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:
Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo; Léon Denis: O Grande Enigma, O Mistério do Ser, do Destino e da Dor e O Porquê da Vida.

24 de outubro de 2010

FENÔMENO, FÉ E RAZÃO


Ao relermos Paulo e Estêvão, deparamo-nos com um episódio dos mais representativos para a perpetuidade do Cristianismo nascente. Paulo de Tarso, impressionado com a penetração dos ensinos ritualísticos judaizantes na igreja de Jerusalém, não obstante o seu trabalho de amor ao próximo, num diálogo memorável com Simão Pedro, questiona-o, afirmando que não supunha que a política abominável das sinagogas houvesse invadido totalmente a igreja de Jerusalém. Ao que Pedro lhe responde, dizendo que também não concordava com a presente situação; ao invés, pensara em afastar-se do núcleo transferindo-se a outra comunidade que melhor preservasse os ensinos de Jesus. Foi quando após as suas orações, percebera a presença de alguém, que se aproximava devagar; a porta se abrira, e, para sua surpresa, era o Mestre! Seu rosto era o mesmo dos formosos dias de Tiberíades. Fitou-o, grave e terno, e falou: Pedro, atende aos filhos do Calvário, antes de pensar nos teus caprichos!

Era um eloquente apelo à razão do continuador de Sua obra – jamais Pedro pensara desta maneira. O formalismo das religiões institucionalizadas estava penetrando no raciocínio do apóstolo, que, insatisfeito pelo desrespeito ao Evangelho de Jesus, tomara a si o cajado da defesa de Seus ensinos, e pensara em abandonar a tarefa que lhe coubera.
Explicitada a situação da igreja à Paulo, que, além do sincretismo em vias de realização, também penava com a falta de recursos monetários, este se revela o dispenseiro providencial e necessário à manutenção do núcleo cristão, em vias de tornar-se mais uma seita judaica. Até o fim de seus dias, o Apóstolo dos gentios realizaria a coleta necessária à manutenção dos trabalhos que Jerusalém realizava em prol dos necessitados e aflitos, que procuravam, às centenas, os préstimos dos discípulos amados.
Apesar das providências, o Cristianismo buscou outras plagas, e, do Oriente pejado de cerimônias ritualísticas, alça vôo, e, nas mãos do Apóstolo da Razão, busca no Ocidente, a sua solidificação.
São inúmeros os exemplos de Paulo nesse sentido. Com os gentios, mas, sobretudo, com Paulo de Tarso, os ensinos de Jesus, já formatados como corpo de doutrina, a partir daquele e de outros momentos significativos, separam, definitivamente, Judaísmo e Cristianismo. Eram os primeiros passos da Razão no campo da Fé, que já haviam tido seus albores com Pitágoras, no século sexto.

Jesus, que apelava à Razão do homem, ao dizer Amai os vossos inimigos; Guardai-vos dos falsos profetas que por fora se disfarçam de ovelhas e que por dentro são lobos roubadores; Há muitas moradas na Casa de meu Pai; Há muitos chamados, mas pouco escolhidos; que se utilizava do raciocínio indutivo e da definição universal, tal como Sócrates o fizera, ao questionar o logos das palavras, fazendo com que os homens atendessem à valorização da verdade em sua pura realidade, onde quer que fosse e a todos os momentos.
Atributos potenciais do Espírito, Fé e Razão se atualizam e desenvolvem no decurso da Vida, em etapas sucessivas; a primeira, por uma natural manifestação íntima da alma; a segunda, pela necessidade de solucionar os problemas, às vezes aflitivos da existência, frente à preservação da espécie e da própria vida. Assim refletidas, a Razão se consolida tranquilamente, e a Fé se dignifica na convivência, ambas como que unidas em dimensões aparentemente opostas, porém unificadas com um mesmo propósito.
Embora o Cristianismo tenha sido obstado em sua natural manifestação, como fruto natural do desenvolvimento da fé raciocinada, é somente com o Espiritismo que ela se consolida. O Cristianismo, de acordo com José Herculano Pires, foi transformado em novo mito, e suas expressões alegóricas, empregadas sempre num sentido racional, esclarecedor, converteram-se em dogmas de fé: o cordeiro que tira os pecados do mundo, a transubstanciação do pão e do vinho em corpo e sangue do Cristo, sincretismos de seitas judaicas e pagãs, foram os primeiros passos para transformar Jesus, Espírito Puro pela hierarquia moral, universal, em missão entre os homens, em Jesus Cristo, Deus encarnado.

Em 1854, um pedagogo francês, estudioso do magnetismo, respeitado pela comunidade científica da época pelos seus métodos e critério, entabulou um diálogo com o Sr. Fortier, magnetizador, que o levou a crer que por trás dos fenomenos abundantes que ocupavam as manchetes dos jornais, havia uma inteligência, pois, mais extraordinário do que fazer uma mesa girar e andar, era fazê-la falar. Mas, o raciocínio do Prof. Rivail, era lógico, pois pautado na dialética socratiana, desenvolvido pelo método pestalozziano; sua mente, perscrutadora, era disciplinada no estudo constante e na pesquisa habitual. Jamais aceitava algo que não fosse comprovadamente de cunho universal.
São suas as palavras: Eu compreendia a possibilidade do movimento por uma força mecânica, mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, parecia-me absurdo atribuir inteligência a uma coisa material. Coloquei-me na posição dos incrédulos dos nossos dias, que negam, porque não podem compreender os fatos. No ano seguinte, em 1855, encontrou o Sr. Carlotti, amigo de longa data que, com o entusiasmo que despertam as idéias novas, falou-lhe dos fenômenos que o preocupavam. Apesar da estima que nutria por seu amigo, desconfiava da sua exaltação. Foi alguns meses depois, em casa da Sra. Roger, que encontrou o Sr. Patier e a Sra. Plainemaison, que lhe falaram do mesmo assunto, mas em outro tom, isento de entusiasmo, mas que lhe produziu viva impressão.
Estavam abertas as portas para a pesquisa criteriosa do fenômeno mediúnico. Posteriormente, foi com a família Baudin, que fez os primeiros estudos sérios sobre Espiritismo, não tanto pelas revelações, como pelas observações. Aplicou a esta ciência, o método experimental, não aceitando teorias preconcebidas, e observava atentamente, comparando e deduzindo-lhe as consequências, dos efeitos procurando elevar-se às causas, pela dedução e encadeamento dos fatos, não admitindo por valiosa uma explicação, senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão.

Prossegue Allan Kardec: Procedi com os Espíritos como teria feito com os homens; considerei-os, desde o menor até o maior, como elementos de instrução e não como reveladores predestinados. Tais foram as disposições com que empreendi e com que sempre segui os estudos espíritas: observar, comparar e julgar, essa foi a regra invariável que me impus. Foi desta forma que o Codificador, posteriormente adotando o pseudônimo que o caracterizaria como apenas o compilador de tais estudos, pois, segundo ele próprio, jamais seu nome deveria aparecer em detrimento do ensino dos Espíritos Superiores, que analisou as respostas destes últimos - no silêncio da meditação -, coordenou-as, classificou-as, formando a primeira edição de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857.

Foi em 1861 no entanto, que surge O Livro dos Médiuns, contendo, segundo as suas próprias explicações, o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo. Como podemos verificar, é o próprio Allan Kardec quem preceitua as finalidades da obra, que se tornaria o ABC da fenomenologia paranormal. No entanto, o objetivo do Espiritismo não é circunscrever-se à administração da fenomenologia, ou seja, a Doutrina Espírita não é uma doutrina fenomênica com desdobramentos religiosos. É mais uma vez Kardec quem vem em nosso auxílio, quando define o Espiritismo como sendo, ao mesmo tempo, Ciência experimental e Doutrina Filosófica; como Ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos. Como Filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações.

Fica claro que o Codificador desmitificava a relação com o mundo invisível, trazendo-o à luz dos esclarecimentos lógicos e racionais, e elencando os critérios para uma análise crítica, pautada na lógica e na razão que somente o conhecimento profundo de seus objetivos corrobora.
Aos médiuns, fica a recomendação de Kardec: o espírita culto foge do entusiasmo que cega, e observa tudo fria e calmamente: este é um meio de furtar-se a ser joguete de ilusões e mistificações.

Bibliografia: Allan Kardec: O Livro dos Médiuns, O Que é o Espiritismo; Emmanuel/Francisco C.Xavier, Paulo e Estêvão; J.Herculano Pires, Introdução à Filosofia Espírita.

O PODER DA PALAVRA


Encontramos em Provérbios, 6:16-19: “Estas seis coisas o Senhor detesta, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente; o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal; a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.”

Analisando os dizeres bíblicos, vemos que o rigor neles exposto, falava diretamente às mentes ainda incipientes do Bem e do amor ao próximo.Em nossos dias, porém, o Espiritismo já nos facultou a possibilidade de observarmos as nossas imperfeições, quando, ao responder a Kardec sobre o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir aos arrastamentos do mal, os Espíritos Superiores nos garantiram que o Conhece-te a ti mesmo, seria a fórmula eficaz. Por outro lado, a preocupação geral nos meios profissionais e até mesmo na mídia, que se retrata na intermediação dos ombudsmen, coloca a questão das relações humanas sob condições de extrema importância até para o desenvolvimento das empresas e de indivíduos.
Mas é na literatura universal, que muitas vezes encontramos exemplos práticos do cotidiano das pessoas. Refiro-me ao drama “Otelo”, de William Shakespeare, autor que, com rara perspicácia, soube, em sua época, traduzir na dramaturgia, os deslizes naturais provenientes das imperfeições humanas.A ação se passa no século XV. Otelo, general mouro do exército de Veneza, volta triunfante para casa, após derrotar os muçulmanos. Um de seus adjuntos, Iago, procura comprometer um rival, Cassio, forjando contra ele a acusação de manter um caso amoroso com Desdemona. Ela é mulher de Otelo. Este, por sua vez, deixa-se corroer pela dúvida, pela depressão obsessiva. A suposta afronta à sua honra precisa ser vingada. E é induzido pela palavra mordaz de Iago, que Otelo arquiteta e executa a morte de sua mulher, com as próprias mãos. Mas, como a verdade sempre vem à tona, Otelo fica sabendo da trama movida por seu lugar-tenente. Muito tarde, porém, para remediar o mal que praticara, instrumentalizado pelos sentimentos de vingança. A técnica utilizada por Iago surtira seu efeito. Agindo com a experiência de quem tem o feeling apurado das fraquezas humanas, o personagem vai incutindo, veladamente, palavras e sentimentos na mente e no coração de Otelo.

Interessante observar-se a mudança gradativa que vai se operando neste último, que, de homem firme e categórico em suas ações e palavras, vai se tornando depressivo, opresso em suas manifestações emotivas, desconfiado, afastando-se do convívio com os amigos, dando oportunidade a que sentimentos malsãos se avolumem em seu íntimo. Como movido por uma força invisível, Iago vai prosseguindo em seu trabalho, sorrateiro, sagaz, personificando a analogia de Aristóteles, que diz que os maldizentes aguçam as suas línguas como a língua das serpentes, pois, à semelhança do órgão animal, que tem duas pontas, sendo fendida ao meio, também a língua daqueles fere e envenena, de uma só vez, o coração daquele com quem está se falando e a reputação daquele sobre quem se conversa.
Uma vez tocado o coração de seu senhor, Iago torna-se hábil no transformar situações simples em cenas de cruel comprometimento para seus participantes. É assim, que um simples diálogo entre Cassio e Desdemona, converte-se em secretas juras de amor; um encontro casual, em compromisso previamente marcado; um objeto caído ao chão, um olhar, um cumprimento, em senhas para encontros furtivos, em paixão mal contida, em ensejos para a realização de algo previamente planejado e obscuro. E Otelo vai sendo enredado nas artimanhas da mente algo diabólica, algo traquinas de Iago.

Semelhantemente, vemos os personagens de Shakespeare extremamente atuais e vivos hoje como ontem, pois o século do escritor, se distanciado no tempo, não o é em termos de crescimento moral para o homem, que ainda se enleia em sentimentos dessa natureza. Os que não conseguem dominar a própria língua, certamente são portadores de conflitos íntimos, nem sempre conscientes; pessoas que vivem esmagadas por sofrimentos, angústias e amarguras que impedem o reconhecimento dos valores existentes na vida dos seus semelhantes.
São de Joanna de Ângelis, sábia perscrutadora da alma humana, as seguintes palavras: “O silêncio que fazem a propósito das tuas boas ações e a forma como divulgam as tuas imperfeições, constituem fenômeno humano compreensível. Os companheiros nem sempre estão dispostos a ajudar no anonimato. Vendo o teu aparente êxito, deixam-se pinçar pelos sentimentos negativos da inveja e do despeito, passando a ignorar-te ou a desconsiderar os teus feitos positivos. Eles nada sabem a respeito dos teus testemunhos e sofrimentos, dissimulados pela dedicação ao bem. Ao invés de serem participantes da tua realização, competem, magoados, sem desejar oferecer o contributo da renúncia e do sacrifício pessoal. Convidados à abnegação e ante as provas normais que lhes chegam, desertam, queixam-se e maldizem, entregando-se ao desânimo e à revolta...
Os excessos, a má conduta, os comportamentos arbitrários, afligem também aqueles que os movimentam ou se lhes submetem. É o sofrimento em decorrência do mal.
Natural, portanto, que sofras, pelo bem, ainda marginalizado, com poucos interessados reais em favor da sua propagação.
Não estranhes, desse modo, a conduta daqueles que combatem o bem em ti, o teu lado bom, através do silêncio bem mantido, como se estivessem em conspiração contínua.
Além disso, trabalhas, sem qualquer dúvida, para o Bem e não é importante que se saiba o quanto fazes, mas que Jesus, que te inspira e conduz, tenha conhecimento.
Segue, pois, em silêncio e sem mágoa, não estranhando a atitude dos beneficiários que te esquecem, nem daqueles que te ignoram.”


Um novo modo de pensar e de agir, na vida de muitas pessoas, está a depender de alguém que tenha palavras impregnadas de amor. No íntimo do indivíduo, existe o desejo de ouvir palavras de acolhimento, de compreensão, de solidariedade e de apoio, em clima de simpatia e de confiança. Nem faltam pessoas que apreciam uma conversação útil e proveitosa.
Daí a necessidade e a importância de se fazer sempre bom uso da palavra. Diz a lenda que uma pessoa foi contar a um guru que havia falado dos outros de um modo irresponsável e superficial e perguntou o que deveria fazer para reparar o seu erro. O guru, muito sábio, respondeu: “Pegue um saco cheio de penas e solte ao vento; depois de alguns dias volte aqui”. A pessoa fez como lhe havia ordenado. Ao cabo de alguns dias, regressou, ansiosa pela resposta do sábio: “Você será capaz de recolher todas as penas que soltou ao vento?” E deixou que ela tirasse as conclusões. Em algumas ocasiões, as palavras são como penas ao vento; em outras, ferem como o veneno da serpente, mas, infelizmente, às vezes acontece como a triste história de Otelo e Desdemona. Gandhi dizia que o amor e a verdade representam duas faces de uma mesma moeda e, que, por meio dessas duas forças, pode-se conquistar o mundo inteiro. É a lógica do pensamento de Jesus do amar ao próximo como a si mesmo. Quem não ama a si próprio, evidentemente não terá conteúdo substancial para concretizar o amor ao próximo. Estamos vivendo momentos graves, em termos de evolução moral na Terra. Esta civilização, que escolheu evoluir pela dor, tem, contudo, toda a condição de reverter a situação. Bastaria que ouvíssemos as recomendações do Mestre da Galiléia, que de tão singelas e simples, foram recusadas e obstadas em sua divulgação. Mas, a Verdade é portadora de uma força de atração tão forte, que fará com que o Homem, tal como no Mito da Caverna de Platão, saia em busca da sua Luz. Então, ela o tornará partícipe de esferas vibracionais nunca dantes imaginadas; pois na Terra, não existem palavras para descrevê-las: por isso elas são transitórias...
Bibliografia: Luz de Esperança, Joanna de Ângelis/Divaldo P.Franco; Othelo, William Shakespeare.

25 de maio de 2010

O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA


O grande pensador da antiguidade, Pitágoras, afirmava que a Terra era a morada da opinião. Poderíamos asseverar que, se em sua época havia esse reconhecimento, hoje não estamos distantes dessa definição; aproximando-nos dela cada vez mais, distanciando-nos do processo mais importante e sugestivo que já surgiu entre nós, também trazido por um sábio, e que pautava o desenvolvimento do conhecimento a partir de si. Este sábio, Sócrates, humilde pela concepção de Jesus, pois os veros humildes não têm necessidade de agir como “fortes”, já que reconhecem em si mesmos uma parcela de divindade através do exercício das virtudes latentes -, ensinava, ou melhor, guiava os seus seguidores e ouvintes através dos caminhos ásperos da opinião, até o reconhecimento de que os seres humanos muito sabiam dos outros, porém, pouco ou nada sabiam de si mesmos.

O conceito e a ironia socratianos, aplicados no desenvolvimento do verdadeiro e mais profundo de todos os conhecimentos, o saber de si, conduzia o pensamento e o raciocínio, de forma natural, a um outro momento: conheça-se - depois seja sincero com o que descobriu. A humanidade atual parece estar atravessando por esse processo – e é aí que surgem os desvios de rota.

O ser humano habituou-se a reduzir a compreensão das coisas às percepções da própria mente, pois é difícil romper com as estruturas de referência e permitir que o Espírito efetue saltos qualitativos para outras dimensões de conhecimento, transcendendo aos limites impostos por vidas de pensamento estruturado.

Contudo, foi isto o que o prof. Rivail, futuro Allan Kardec, realizou. Ao ser informado dos fenômenos que ocorriam em todo o mundo, em particular na França, em Paris, porém, conhecedor das leis do magnetismo e da inconsequente utilização de seus mecanismos nas mãos de ilusionistas para espetáculos de lazer, transcende a si próprio e às estruturas de saber lineares de sua época, dá um salto de qualidade e vai ao encontro da maior proposta que um ser humano poderia receber: a realização efetiva da própria missão, certamente aceita na vida espiritual, porém passível de alterações oriundas de seu próprio arbítrio, de trazer à consciência humana, de forma despojada de atavismos religiosos, a sua verdadeira e real natureza, a espiritual, com todos os seus desdobramentos. Isto implicaria em assumir um trabalho de peso, onde o discernimento, a impessoalidade e a renúncia estariam presentes a todo instante, exigindo de si doação plena, trabalho intenso, firmeza e coragem constantes.

A humildade do grande sábio, aquela que lhe revela que o conhecimento real é vastíssimo, e que nunca abarca uma só existência, manifesta-se em Rivail e ele então conclui a fase do trabalho imenso que lhe competia, legando aos que chamou de “espíritas” (palavra nova no vocabulário de então), uma herança grandiosa, verdadeira, e que nunca poderia estar sujeita às opiniões transitórias, muito embora estivessem embasadas em níveis de intelectualidade possivelmente invejáveis, porém sempre circunscritas e condicionadas à evolução temporal de quem as elabora, e, portanto, restritivas, limitantes e limitadoras. Assim, o caminho já estava traçado. Liberto das arestas reducionistas, o processo socrático precursor consolida assim, a rota firme e segura pela qual o ser humano poderia transitar, sem receios.

O autoconhecimento, através da bússola espírita, revelaria ao ser humano que ele evolui em espiral ascendente, perpetuamente, e que portanto, se bem compreendido, poderia livrá-lo do medo. Livre do medo, acabaria com o ódio. Livre do ódio, estaria livre da ganância, da inveja, da guerra, do ímpeto de matar, de destruir. Ele, o medo, necessário à conservação da vida, quando patológico – medo do fracasso, da dor, da morte, da humilhação, da solidão, do desamor, de si mesmo, e, em última análise, medo do medo – , é insidioso, manipulado e manipulador, instrumento de forças negativas e destrutivas que se impõe ao que se acovarda diante do convite que o autoconhecimento lhe propõe.

Mensagem clara e enobrecedora, o Espiritismo postula a maiêutica socrática como método de autoconhecimento seguro, ao alcance daquele que não teme conhecer-se para renovar-se, de sair da caverna escura de seus erros de percepção de uma suposta realidade, a das aparências, para alcançar degraus mais altos reabilitando-se junto às leis divinas conscienciais, sendo uno com o Pai, tal como na promessa de Jesus.

Artigo publicado em 3 idiomas no The Journal of Psychological Studies, de Londres, Inglaterra, Ano II, N° 7

The Awakening of Conscience
Sonia Theodoro da Silva
Pythagoras, that great thinker of ancient times, affirmed that Earth was the dwelling place of opinion. We could say that if, Earth was so recognised in his time, we have not moved too far from regarding Earth as a place of opinion today. By moving closer to “this dwelling place of opinion” more and more, we distance ourselves from the most important and suggestive process there has ever been amongst us which was also brought by a wise man, who guided the development of knowledge from Man himself. This wise man, Socrates, was of humble character according to Jesus’ concept as he is considered humble because the truly humble people has no need to appear “strong” since they recognise in themselves a portion of Divinity t-hrough the exercise of their latent virtues. Socrates taught, or rather, guided his followers and listeners through the harsh path of opinion, until they would recognise that human beings knew much about others, yet, very little or nothing about themselves.
Socrates’ concept and irony, when applied to the development of the most profound and true piece of all knowledge: self awareness naturally leads thought and reason to another moment: the knowledge of oneself – know yourself, then be truthful to what you have discovered.
At present, humanity seems to be going through this process, and that is where deviations from route take place. Human beings have become accustomed to reduce the comprehension of things to the perceptions of their our own mind, as it is difficult to break away from established refe-rence points and to allow his Spirit to break new qualitative ground to other dimensions of knowledge, transcending the limits imposed by past experiences of structured thoughts on the same old reference points.
This is what Prof Rivail, later to be known as Allan Kardec, accomplished. On being informed of the phenomena occurring around the whole world, particularly in Paris, and being an expert on the laws of magnetism and of the inconsequent utilisation of its mechanisms in the hands of illusionists for frivolous shows, he transcends himself and the structures of linear knowledge of that time. He thus accepts the greatest charge a human being could accept: the effective fulfillment of one’s own mission, which had certainly been accepted before reincarnation while he was still in the spiritual dimensio true nature, i.e. the spiritual nature, with all its consequences. That was accomplished without religious atavism and demanded from him the undertaking of an extremely heavy workload, in which discernment, impersonality and self-sacrifice were present at every step. This commanded full dedication, hard work, stead-fastness and constant courage.
The humility of this great wise man makes him realise that real knowledge is vast and can never be covered in only one existence. He then completed his immense task, leaving for those who he called spiritists” (therefore introducing a new word in the vocabulary at the time) a true and valuable inheritance which would never be subjected to transitory opinions, even though, they were based on levels of intellectualities possibly enviable, however limited and conditioned to the temporal evolution of those who elaborated them and were, therefore, restricted, bounding and restrictive. So, the path was already traced. The Socratic process, free from reductionist edges, consolidates the firm and secure route by which human beings can travel without fears.
Self-Knowledge, in the spiritist point of view reveals to the human being that it perpetually evolves in an ascending spiral and, therefore, if self-knowledge is well understood, it can free us from fear. Being free from fear means that hatred would end for humanity. Freed from hatred, we would be free from greed, envy, war and the haste to kill and to destroy. Fear is necessary for the preservation of life, yet as a pathology – fear of failure, pain, death, humiliation, loneliness, lack of love, fear of oneself and fear of fear – is insidious, manipulated and manipulator. It is an instrument of negative and destructive forces which imposes itself to those intimidated by the prospect of self-knowledge.
Spiritism, with its clear and elevating message, postulates the Socratic maiuetics as method of safe self-knowledge. This is within reach of those who do not fear to know themselves in order to renovate themselves, to come out of the dark cave of their mistakes of perception of a supposed reality, of appearances, in order to reach higher steps, rehabilitating themselves with the Divine Laws of conscience, becoming one with the Lord like in Jesus’ promise.
Sonia Theodoro da Silva is a translator and studies Philosophy. She lives in São Paulo, Brazil, collaborates in Casas Andre Luis and writes articles for spiritist magazines and newspapers.


Das Erwachen des Gewissens
Sônia Theodoro da Silva
Pythagoras, der große Denker alter Zeiten, behauptete, dass die Erde die Wohnstätte der Meinung war. Wir könnten sagen, dass, wenn die Erde in seiner Zeit so erkannt wurde, haben wir uns nicht zu weit weg bewegt, die Erde heute als eine Stätte der Meinung zu betrachten. Indem wir uns mehr und mehr „dieser Wohnstatt der Meinung“ nähern, entfernen wir uns von dem wichtigsten und sinnvollsten Prozess, den es jemals unter uns gab – der auch von einem weisen Mann gebracht wurde, der selbst die Entwicklung der Erkenntnis des Menschen leitete. Dieser weise Mann, Sokrates, war ein demütiger Charakter entsprechend der Vorstellung von Jesus – wie er als demütig betrachtet wird, weil die wahrhaft demütigen Menschen es nicht nötig haben als „stark“ zu erscheinen, da sie in sich einen Anteil an Göttlichkeit erkennen durch das Ausüben ihrer latenten Tugenden. Sokrates lehrte, oder vielmehr, führte seine Jünger und Zuhörer auf den rauen Wegen der Meinung, bis sie erkennen würden, dass menschliche Wesen viel über andere wussten, doch sehr wenig oder nichts über sich selbst.
Sokrates‘ Vorstellung und Ironie, bezogen auf die Entwicklung des umfassendsten und wahren Teils allen Wissens: Selbstwahrnehmung führt naturgemäß Gedanken und Vernunft zu einem anderen Moment: Der Kenntnis von sich selbst – kenne dich selbst, dann sei ehrlich zu was du entdeckt hast. Gegenwärtig scheint die Menschheit durch diesen Prozess zu gehen und das ist, wo Abweichungen vom Weg stattfinden. Menschliche Wesen waren es gewohnt, das Begreifen von Dingen auf die Sichtweise ihres eigenen Verstandes herabzusetzen, da es schwierig ist, von gewohnten Bezugspunkten wegzubrechen und seinem Geist zu erlauben einen neuen qualitativen Boden zu anderen Dimensionen des Wissens aufzubrechen, die Begrenzungen zu überschreiten, die durch vergangene Erfahrungen von strukturierten Gedanken auferlegt waren an den gleichen alten Bezugspunkten.
Dies ist, was Prof. Revail, später bekannt als Allan Kardec, bewerkstelligte. Informiert über das Phänomen, das rund um die ganze Welt geschah, besonders in Paris, und als ein Experte in den Gesetzen des Magnetismus und dem inkonsequenten Gebrauch in den Händen von Zauberern für leichtfertige Vorführungen, übertraf er sich und die Strukturen der linearen Kenntnis seiner Zeit. So akzeptierte er den größten Preis, den ein menschliches Wesen akzeptieren konnte: die wirksame Erfüllung seiner eigenen Mission, welche gewiss vor der Reinkarnation akzeptiert worden ist während er noch in der spirituellen Dimension war. Diese Mission, verantwortlich für Veränderungen, war, wenn wir seinen eigenen freien Willen berücksichtigen, dem menschlichen Gewissen seine eigene wahre Natur zu bringen, d. h. die spirituelle Natur mit all ihren Folgen. Dies wurde erreicht ohne religiöse Atavismen und forderte von ihm die Unternehmung eines außergewöhnlich schweren Arbeitspensums, in dem Urteilsvermögen, Unpersönlichkeit und Selbst-Aufopferung bei jedem Schritt gegenwärtig waren. Dies erforderte volle Hingabe, harte Arbeit, Standhaftigkeit und beständigen Mut.
Die Bescheidenheit dieses großen klugen Mannes lässt ihn erkennen, dass wirkliches Wissen riesig ist und niemals in nur einer Existenz erfasst werden kann. Er vollendete dann seine riesige Aufgabe, indem er für jene, die er „Spiritisten“ (deswegen ein neues Wort in seiner Zeit vorstellte) nannte, ein wahres und kostbares Erbe hinterlässt, welches niemals kurzlebigen Meinungen unterworfen würde. Auch wenn sie auf Ebenen möglicherweise beneidenswerter Verstandesmäßigkeiten basierten, jedoch begrenzt und eingeschränkt auf die zeitliche Entwicklung jener, die sich entwickelten und deshalb begrenzt, begrenzend und beengend waren. So war der Weg schon aufgespürt. Der sokratische Prozess, frei von reduktionistischen Grenzen festigt den beständigen und sicheren Weg, auf welchem menschliche Wesen ohne Ängste reisen können.
Selbst-Erkenntnis, vom spiritistischen Ansichtspunkt, enthüllt dem menschlichen Wesen, dass es sich ununterbrochen entwickelt in einer aufsteigenden Spirale und deshalb kann Selbst-Erkenntnis, wenn sie gut verstanden wird, frei von Angst sein. Frei von Angst zu sein heißt, dass Hass für die Menschheit aufhören würde. Frei von Hass würden wir frei sein von Gier, Neid, Krieg und der Hast zu töten und zu zerstören. Angst ist notwendig für die Erhaltung des Lebens, doch als Pathologie – Angst vor Fehlern, Schmerz, Tod, Demütigung, Einsamkeit, Mangel an Liebe, Angst vor sich selbst und Angst vor der Angst – ist sie heimtückisch, manipuliert und Manipulator. Sie ist ein Instrument negativer und zerstörerischer Kräfte, die sich jenen aufzwingen, die durch den Ausblick auf Selbst-Erkenntnis eingeschüchtert werden.
Spiritismus mit seiner klaren und erhebenden Botschaft stellt die sokratische Mäeutik auf, als Methode einer sicheren Selbst-Erkenntnis. Dies ist im Bereicher derjenigen, die nicht fürchten, sich selbst zu erkennen, um sich zu erneuern, um aus der dunklen Höhle der Fehler ihrer Sichtweise einer vermeintlichen Wirklichkeit, von Erscheinungen herauszukommen, um höhere Stufen zu erreichen, sich wieder einzugliedern mit den Göttlichen Gesetzen des Gewissens, um eins zu werden mit dem Herrn, wie in Jesus‘ Versprechen.
Sônia Theodoro da Silva ist Übersetzerin und promoviert in Philosophie. Sie lebt in São Paulo, Brasilien, arbeitet bei Casas André Luiz und schreibt Artikel für spiritistische Magazine und Zeitungen.

El Despertar de la Consciencia
Sonia Theodoro da Silva
El gran pensador de la antigüe-dad, Pitágoras, afirmaba que la Tierra era la morada de la opinión. Podríamos asegurar que, si en su época había ese reconocimiento, hoy no estamos lejos de esa definición. Aproximándonos a ella cada vez más, nos alejamos del proceso más importante y sugestivo que ya sur-gió entre nosotros, también traído por un sabio, que pautaba el desenvolvimiento del conocimiento a partir del propio hombre. Ese sabio, Sócrates, humilde por la concepción de Jesús pues los verdaderos humildes no tienen necesidad de actuar como “fuertes” ya que reconocen en sí mismos una parte de divinidad a través del ejercicio de las virtudes latentes, enseñaba, o mejor, guiaba sus seguidores y oyentes a través de los caminos ásperos de la opinión, hasta el reconocimiento de que los seres humanos mucho sabían de los otros, sin embargo, poco o nada sabían de si mismos.
El concepto y la ironía socráticos, aplicados en el desenvolvimiento del verdadero y más profundo de todos los conocimientos, el saber de sí, conducía el pensamiento y el raciocinio, de forma natural, a otro mo-mento: conocerse después ser sincero con lo que descubrió. La humanidad actual parece estar atravesando por ese proceso; y es ahí que surgen los desvíos de ruta. El ser humano se acostumbró a reducir la comprensión de las cosas a percepciones de la propia mente, pues es difícil romper con las estructuras de referencia y permitir que el Espíritu efectúe saltos cualitativos para otras dimensiones de conocimiento, tras-cendiendo a los límites impuestos por vidas de pensamiento estructurado.
Fue eso que él profesor Rivail, futuro Allan Kardec, realizó. Al ser informado de los fenómenos que ocurrían en todo el mundo, en particular en Francia, en París, pero conocedor de las leyes del magnetismo y de la inconsecuente utilización de sus mecanismos en las manos de ilusionistas para espectáculos de ocio, trasciende a sí mismo y a las estructuras de saber lineales de su época, da un salto de calidad y va al encuentro de la mayor propuesta que el ser humano podría recibir: la realización efectiva de la propia misión, ciertamente acepta en la vida espiritual, no obstante, pasible de alteraciones oriundas de su pro-pio libre albedrío, de traer a la cons-ciencia humana, de forma despojada de atavismos religioso, su verdadera y real naturaleza, la espiritual, con todos sus desdoblamientos. Eso im plicaría asumir un trabajo de peso, en el que el discernimiento, la impersonalidad y la renuncia estarían presentes en todo momento, exigiendo de sí donación plena, trabajo intenso, firmeza y coraje constantes.
La humildad del gran sabio, aquella que le revela que el conocimiento real es enorme y que nunca abarca una sola existencia, se manifiesta en Rivail y él entonces concluye la fase del trabajo inmenso que le competía, legando, a los que llamó “espiritas” (palabra nueva en el vocabulario de entonces), una herencia grandiosa, verdadera y que nunca podría estar sujeta a las opiniones transitorias, entretanto estuviesen ofuscadas en niveles de intelectualidades posiblemente envi-diables, sin embargo siempre circunscritas y condicionadas a la evolución temporal de quien las elabora, y, por lo tanto, restrictivas, limitantes y limitadoras. Así, el camino ya estaba hecho. Liberto de las aristas reduccionistas, el proceso socrático precursor consolida, así, la ruta firme y segura por la cual el ser humano podría transitar sin recelos.
El auto-conocimiento, a través de la brújula espirita, revelaría al ser humano que él evoluciona en espiral ascendente, perpetuamente, y que, por tanto, si bien comprendido, podría librarlo del miedo. Libre del miedo, acabaría con el odio. Libre del odio, estaría libre de la ganan-cia, de la envidia, de la guerra, del ímpetu de matar, de destruir. Él, el miedo, necesario a la conservación de la vida, cuando patológico miedo del fracaso, del dolor, de la muerte, de la humillación, de la soledad, del desamor, de sí mismo, y, en último análisis, miedo del miedo es insidio-so, manipulado y manipulador, instrumento de fuerzas negativas y destructivas que se imponen al que se acobarda delante de la invitación que el auto-conocimiento le propone.
“Hay una necesidad urgente de reprogramarse la mente”
Mensaje claro y ennoblecedor, el Espiritismo postula la mayéutica socrática como método de auto-conocimiento seguro al alcance de aquel que no teme conocerse para renovarse, salir de la caverna oscu-ra de sus errores de percepción de una supuesta realidad, la de las apariencias, para alcanzar los pelda-ños más altos, rehabilitándose junto a las leyes divinas en conciencia, siendo uno con el Padre tal como en la promesa de Jesús.
Sonia Theodoro da Silva es traductora y studa Filosofía, vive en São Paulo, Brasil, colabora en la Casa André Luiz y escribe para revistas y periódico espiritas.

16 de abril de 2010

QUANDO CHICO XAVIER TERIA SIDO MAIOR ?


Ao reproduzir mediunicamente e de forma fidelíssima as instruções dos Espíritos à Humanidade, no formato de livros que abordam os mais diversos temas e assuntos?
Ao exercer a caridade material aos necessitados?
Ao viver a caridade moral, abrigando a todos, amigos, desafetos, famintos de luz em seu coração magnânimo?
Ao trazer à Terra as mensagens consoladoras através de seu Correio de Luz ?
CHICO XAVIER teria sido maior na paciência com aqueles que buscavam explorá-lo ou denegrir a sua imagem?

Bertold Brecht, assim define um homem de bem:

HÁ HOMENS QUE LUTAM UM DIA E SÃO BONS. HÁ OUTROS QUE LUTAM MUITOS ANOS E SÃO MUITO BONS. MAS HÁ OS QUE LUTAM TODA A VIDA. ESTES SÃO IMPRESCINDÍVEIS.

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, CIDADÃO CÓSMICO, reproduziu, com sua presença na Terra, o Homem de Bem definido pelo “Evangelho Segundo o Espiritismo”, aquele que luta o bom combate, descrito por Paulo de Tarso, na preservação dos ensinamentos superiores presentes na Doutrina Espírita, através da sua dedicação, respeito, e profundo amor à causa de Jesus entre os homens.

4 de março de 2010

O Céu e o Inferno – Uma Oposição Filosófica ao Movimento Niilista

A obra citada, O Céu e o Inferno, desenvolvida por Allan Kardec a partir do Livro IV – Esperanças e Consolações de O Livro dos Espíritos, antecipa com absoluta exatidão de princípios, o movimento sartreano da nadificação do ser humano, porém, preparando, com argumentos inquestionáveis, a oposição necessária àquele movimento, que levaria (como tem levado) à quase absoluta descrença nos verdadeiros valores da vida. As conseqüências desse movimento, sentimo-las até hoje, quando analisamos mais aprofundadamente o comportamento das pessoas com relação à Natureza e ao seu semelhante. À Natureza, basta buscar nos sites dos movimentos de preservação do ecosistema (WWF, Greenpeace, SOS Mata Atlântica) e inteirar-se da amplitude da devastação que ora grassa no planeta. Ao homem, “coisificado” pelas políticas de consumo, os resultados têm sido desastrosos. As próprias relações humanas, empobrecidas pelo “quem-tem-pode-mais”, ampliaram as carências afetivas; o ser humano isola-se, perde o contato com o outro, cria necessidades fictícias, perde a confiança no futuro, desenvolve patologias cuja etiologia, desconhecida pela atual medicina construída nas mesmas bases materialistas-positivistas, permanece obscura, ampliando ainda mais o atual quadro de angústias e expectativa. O contributo das crises sócio-economicas e financeiras mundiais, pouco elucida e muito preocupa a todos.
Nesse particular, lembramo-nos de outro livro escrito por Allan Kardec, A Gênese, no ano de 2008 comemorado os seus 140 anos de primeira publicação, onde o autor descreve os tempos de transição como de “luta das idéias” (1), de onde surgiriam os graves acontecimentos preditos desde a antigüidade, agitando as “entranhas da humanidade”. Assim, o movimento existencialista teve origens nos primórdios do pensamento ocidental, quando se buscava a origem de todas as coisas – arché – na Natureza, no plano do sensível, do perceptível aos sentidos, estendendo-se ao pensamento moderno, indo ao encontro da angústia perene que habitava o coração de Soren Kierkegaard. O sentimento de melancolia, tão bem descrito por François de Genève em O Evangelho Segundo o Espiritismo (2), e confundido com depressão, é inerente ao ser humano. Diz a mensagem que esse sentimento é a angústia do Espírito preso à solidez corpuscular de um corpo físico, que o restringe, limita, aprisiona. É como o pássaro preso numa gaiola pequena, sem possibilidades de abrir suas asas, sequer ambicionar a voar. É a “vaga tristeza” (a depressão, portanto, não cabe aqui) surgida pelo anseio à liberdade, “mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar (...)”.

Estaria nesse vago sentimento que se manifesta através da melancolia, as origens desse movimento filosófico, que, no século XX veio a ampliar-se a ponto de fazer o homem acreditar que do Nada tivera origem e para o Nada voltaria? Talvez.
Não podemos esquecer que cada pensador deu o seu toque pessoal ao sistema filosófico empreendido em seu próprio momento existencial.
As próprias religiões, em pouco ou nada ajudaram a resolver esse problema, já que exarcebaram o sentimento de culpa pela morte do Salvador, preso à cruz de seus (e nossos) tormentos perpétuos. Olhando ad eternum para o Cristo crucificado num altar de louvações a um corpo morto pelas dores da ignorância humana daqueles tempos, as cerimônias repetem exaustivamente, há 2.000 anos, o episódio do sangue e da carne ingeridos em glória ao Deus que exige sacrifícios de almas e corpos para ser temido e respeitado. As massas populares, cansadas de tanto transferirem ao seu inconsciente, por gerações, essa tragédia mal explicada e mal digerida, abrem as portas das catedrais, e saem em busca de ares renovados, de redenção pela razão, de fé que as conduza ao coração de um Pai que as ama, pois por Ele foram criadas.
E mal podem crer que um Cristo – 2ª. Pessoa da trindade – possa ter algo para lhes dizer, porque ele exige, para ser seguido, dor, sofrimento, humilhação, solidão, sacrifício, flagelação...

Não sem razão, Nietzsche, tido como o profeta da crise secular do Ocidente, e seguindo essa mensagem subliminar pregada na cruz de Jesus, anuncia a morte de Deus – seu núcleo de reflexão -, já que esta anuncia o progressivo desaparecimento na cultura do homem moderno de todas as filosofias, religiões ou ideologias que no passado exerciam a tarefa de iludi-lo e consolá-lo.
Esta questão posta por Nietzsche, mais ampla do que o espaço de que dispomos em nossa coluna, mas que merece a reflexão de nossos leitores, conduziram o ser humano a uma vivência dentro do espírito dionisíaco preconizado pelo referido pensador, que tem como premissas a aceitação do caos intrínseco à vida, da sua ausência de sentido e de significado.
Contrapondo-se à religião, o filósofo amplia a angústia do viver para o nada. Seguindo essa lógica, se para o vazio caminhamos, teríamos de usufruir ao máximo os prazeres que a vida pode proporcionar, numa (inútil) procura pela felicidade tão almejada.

No citado livro O Céu e o Inferno, Kardec pergunta aos seus leitores: “Haverá alguma coisa mais desesperadora do que essa idéia de destruição absoluta? Sagradas afeições, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria destruído, tudo estaria perdido!”. Afirma José Herculano Pires que, cem anos após Kardec, a filosofia na França quase se desfez nos sofismas do nada, com Jean Paul Sartre e sua escola. Contudo, a companheira de Sartre, Simone de Beauvoir , confirma as palavras de Allan Kardec, ao escrever: “...detesto pensar no meu aniquilamento. Penso com melancolia nos livros lidos, nos lugares visitados, no saber acumulado e que não mais existirá. Toda a música, toda a pintura, tantos lugares percorridos – e, de repente, mais nada !” (3)

A Filosofia Espírita da existência ou posta na existência conduz o ser humano atual, da desesperança, da angústia, do estupor e da ansiedade, da melancolia e da depressão, da ausência de fé e da razão manipulada pelas religiões em agonia, das crenças fanatizantes, da hierarquia da violência e do vício, ao manancial de plenitude, pois identifica o ser consigo mesmo, conduzindo-o ao conhecimento de si e esclarecendo-o de suas causas, do porque está aqui, para onde caminha, o que o aguarda, e que depende de si mesmo e do grau de respeito que tributar à vida, a sua felicidade e o seu bem-estar; que é um Espírito imortal, cuja jornada eterna, o conduzirá a degraus cada vez mais altos onde poderá visualizar o tanto de progresso realizado, e à frente, o porvir... ; que nunca está só, embora a solidão existencial amargue as suas horas, que pode e deve caminhar com o seu semelhante, pois ambos trazem as mesmas questões, as mesmas dúvidas, porém caminham em direção a uma finalidade comum.
O Céu e o Inferno, desconstrói o mito do sofrimento e das penas eternas, e, para legitimar essa desconstrução, traz para o ser humano as respostas “do lado de lá” da existência, para os que aqui ainda estão, respostas estas que dizem de esperança, de consolação, de realização, de consolidação da fé racional, porém de responsabilidade pelos próprios atos e da necessidade consciencial de recomposição da própria vida, a cada etapa percorrida, de acordo com as Leis Divinas e misericordiosas.
O Espírito André Luiz, convocado pelos Espíritos orientadores da humanidade, completa este livro magistral com a sua obra de cunho existencial e educacional.
Deixamos o nosso leitor com a curiosidade de percorrer esses livros com a mesma expectativa de quem busca respostas adequadas para questões tão antigas: quem sou, o que faço aqui, porque, para onde devo caminhar, o que me aguarda... Seguramente não estaremos sós, pois os amigos benfeitores que nos acompanham, estrarão orientando-nos a jornada, transmitindo-nos o seu incentivo, afeto e amparo.
(1) KARDEC, Allan, A Gênese, cap. XVIII, item 7.
(2) ___________, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 25.
(3) ___________, O Céu e o Inferno, cap. I, item 1 e Nota de J.H.Pires.

A MAIOR AVENTURA DE TODOS OS TEMPOS E O ESPIRITISMO

O pouso na Lua e o primeiro passo fora do planeta Terra, na noite de 20 de julho de 1969, é considerada a maior aventura da história da Humanidade. Armstrong, Aldrin e Collins, privilegiados cientistas-astronautas deste épico, possibilitaram-nos a grande emoção, vivida por milhares que puderam assistir à transmissão televisiva, direto de nosso satélite.
Porém, em outros momentos, o homem também aventurou-se aos grandes feitos, frutos de iniciativas de coragem, de firme intuição e de empenho : Cristóvão Colombo, com seu espírito desbravador, Albert Schweitzer e a possibilidade de levar a medicina prática às selvas africanas, Albert Sabin e as árduas pesquisas que erradicaram a ameaça da poliomelite que pairava sobre o bem-estar infantil, a descoberta da penicilina G, um antibiótico derivado de um fungo, o bolor Penicillium chrysogenum pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming, salvou milhares de vidas de soldados aliados na Segunda Guerra Mundial, e praticamente oficializou as pesquisas sobre fármacos abrindo o capítulo na história da medicina para a contenção das doenças infecciosas de origem bacteriana como causa de mortalidade humana.
A boa ciência é o retrato dos esforços de centenas de milhares de pessoas que até hoje lutam o bom combate contra as enfermidades humanas, as dores físicas e psicológicas, e é atualmente aliada da tecnologia que busca minimizar as aflições que cercam os portadores de deficiências físicas natos ou vitimados por acidentes.
Não abriríamos espaço aqui para mencionar o outro lado desta mesma questão, a ciência e a tecnologia oriundas do abastardamento das inteligências que fomentam as guerras e as lutas de predomínio, que pactuam no fabrico e na disseminação de armas terrestres, nucleares ou destrutivas em suas diversas denominações e objetivos, filhas da arrogância, da insociabilidade, da impiedade e da voracidade que as encaminham à selvageria pois consideram o outro, o “próximo” como um elemento a ser destituído do maior direito concedido a um ser humano, o de viver, se não intentássemos na necessária amplitude da divulgação da maior – esta sim – descoberta que um ser humano poderia fazer: a da vida após a morte, de forma consciente, metodologicamente pesquisada e cientificamente embasada, originando uma filosofia com finalidades ético-morais, porque representativas do Amor feito Ser, Jesus de Nazaré.
O ESPIRITISMO, pois é ele a quem nos referimos, como corpo de doutrina, foi a maior revelação-descoberta que poderíamos receber-pesquisar na Terra, no atual plano de evolução em que nos encontramos, e que, como síntese dos esforços da união entre os Missionários do Bem das dimensões física e extra-física, marca o grande momento para o progresso moral humano: a transição para a consciência de regeneração.
Com os princípios espíritas ensinados sem os artifícios da fantasia e da mitologia, entendemos a realidade do Espírito inserto na matéria para progredir, porém, sendo ele próprio o artífice de sua felicidade ou desdita. Reencarnação, lei de Causa e Efeito, vida após a morte, comunicabilidade entre os Espíritos (desencarnados e encarnados), pluralidade e habitabilidade dos mundos, constituição psico-física dos seres encarnados e desencarnados, a influência do pensamento que não conhece fronteiras, poderão auxiliar a boa ciência às demais descobertas para a completude do bem-estar físico e psicológico do ser humano, auxiliando-o a vivenciar os ensinamentos de Jesus de Nazaré, modelo que realizou em si a plenitude das Leis Divinas contidas em sua consciência harmonizada e feliz (v. questões 100 a 113 de O Livro dos Espíritos).
Reencarnação despojada dos artifícios místicos; Lei de Causa e efeito como mecanismo que lança a consciência ao conhecimento de si, portanto, conducente ao correto pensar e proceder; Vida após a morte, pois o Espírito sobrevive à matéria densa e temporal, mostra-se através dos fenômenos como influência decisiva nas atitudes humanas, e manifesta-se pela comunicabilidade mediúnica, dando testemunho de suas vivências; Pluralidade dos mundos (hoje comprovadamente parte integrante dos estudos científicos).
Quanto a Habitabilidade dos Mundos, vale considerar que a ciência humana, ainda não avançada a ponto de considerar as diversas e infinitas graduações dimensionais da Vida e suas manifestações, ainda nega essa possibilidade, ou a considera a um nível apenas micro-biológico, deixando para as pseudo-ciências, que claudicam nas fantasias estratificadas em conceituações míticas de permeio com a imagem de ETs, frutos da nova reprodução da mitologia, o cinema, e deixando de considerar toda uma obra de esforço intelectual e científico que atesta a vinda de seres extra-corpóreos sim, porém, na presença da reencarnação, como todos nós, pois esta é a única via de acesso à corporificação na Terra (veja-se as comunicações do Espírito Wolfgang Amadeus Mozart na Revista Espírita do ano de 1858).
A constituição psico-física dos seres encarnados e desencarnados, analisada por Kardec, pelos pioneiros Bozzano e Delanne, e complementada pelo Espírito André Luiz, também pode alavancar a ciência médica no grande passo que lhe falta completar: a existência do Espírito e as suas complexidades interexistenciais.
O ESPIRITISMO jamais será superado: pelas revelações que contém, pelo encaminhamento natural das consciências maduras à efetivação do Bem em si mesmas, e, consequentemente à reformulação de toda uma sociedade, que hoje impositivamente reestrutura-se a si mesma, diante dos escombros que vão sendo deixados pela política desvirtuada e corrompida, pela criminalidade patológica, pela agressividade asselvajada, pelo desnorteamento oriundo dos modismos inconsequentes, pelos vícios que viraram alternativa para a busca de si, pelo desconsolo que alimenta o fanatismo religioso e seus fundamentalistas.

Jamais tábua de salvação, ou jornada de aventuras, nunca um instrumento de espetáculos de palco ou de uma mídia deturpada, o ESPIRITISMO visa conceder a necessária reflexão quanto à verdadeira natureza de todos nós, indicando-nos caminhos a percorrer na solução das questões que nos afligem mas que necessitam do necessário saneamento, em bases seguras de conhecimento e aplicabilidade.
Por isso e muito mais do que nos seria possível analisar num pequeno espaço de um artigo, lembramo-nos da grande jornada paulina: Paulo de Tarso marcou definitivamente a implantação dos ensinos de Jesus sobre a Terra, por meio dos recursos disponíveis em sua época; fidelizado pelo imenso Amor a Jesus de Nazaré, jamais distorceu ou facultou desvios conceituais da doutrina do Mestre. Exemplo de Amor a um ideal, eternizou a sua postura, quando, ao partir da Palestina para sempre, e diante de Lucas, maravilhado pelas reações de apreço e amor do povo que cercava o grande apóstolo dos gentios, e que pretendia divulgar esses fatos, responde-lhe:
“Não, Lucas. Não escrevas sobre virtudes que não tenho. (...) Cala sempre as considerações, os favores que tenhamos recolhido na tarefa, porque esse galardão só pertence a Jesus. (...) Por mais tenhamos estudado, sentimos um abismo entre nós e a sabedoria eterna; por mais que tenhamos trabalhado, não nos encontramos dignos daquele que nos assiste e guia desde o primeiro instante da nossa vida. (...) O Senhor enche o vácuo de nossa alma e opera o bem que não possuímos.” Bibliografia: Allan Kardec, O Livro dos Espíritos; Emmanuel/F.C.Xavier, Paulo e Estêvão .

14 de fevereiro de 2010

DEFESA DA VERDADE

Para as nossas reflexões, oferecemos aos prezados amigos internautas as ponderações de um Espírito, cujo alcance não têm limites no tempo ou no espaço, principalmente quando se trata de resguardar, por nós, espíritas, com respeito, amor e firmeza, a doutrina de luz presenteada à humanidade, há 150 anos:

“Companheiros inúmeros asseveram que os ensinos espíritas sendo a verdade, não precisam de defesa.

Criaturas comodistas, não obstante bondosas, acrescentam que sendo a caridade a base em que repousa a Terceira Revelação, não se deve chocar, incomodar ou advertir ninguém.

A verdade - afirmam, fala por si, não necessita de pessoas que lhe esposem a causa.

Entretanto, vejamos dois dos grandes princípios que dignificam a vida:

EDUCAÇÃO - Todos sabemos que a educação é realidade inconteste, mas, por isso, não deixa de ter escolas, programas, compêndios, professores e especialistas dinamizando o ensino, sem o que a ignorância contaria com o seu império de sombras consolidado na Terra.

JUSTIÇA - A justiça existe por si, no entanto, por essa razão, não dispensa tribunais, legislações, juizes e advogados que lhe administrem os recursos sem o que o mundo jamais sairia da animalidade ou da delinqüência.

Certamente que um orientador ou um magistrado não transmitem a instrução e nem aplicam a lei, à força de golpes ou a golpes de força, mas se prevalecem da força moral de que dispõem para ensinar e corrigir, clarear e reajustar.

Assim também a verdade na doutrina espírita.

Não raro, aqui e ali, repontam obscuridades e enganos que, se acalentados, criam raízes de erros, estabelecendo prejuízos incalculáveis nos domínios do sentimento; de outras vezes, idolatria e trama artificiosa se levantam, com meloso enredo, ameaçando edificações morais de elevado alcance, a carrearem absurdidades e discórdias, através de mesuras ardis.

Ninguém precisa ferir ou impor nesse ou naquele ponto de sustentação doutrinária, mas o espírita tem a obrigação de estudar e refletir, assegurar a limpidez dos ensinos que abraça e garantir-lhes a difusão clara nos alicerces do discernimento e da lógica, sem o que as consciências humanas, mesmo as que estejam sob os rótulos do Espiritismo, continuarão adstritas ao fanatismo e à superstição.

Não nos cansemos, pois, de trabalhar e servir mas sem deixar de raciocinar e esclarecer.”

LUIZ, André (Espírito), VIEIRA, Waldo. Sol nas Almas, it. 29, pg.89,13a. Ed., Ed. CEC, Uberaba- MG

ESTUDOS FILOSÓFICOS (BEZERRA DE MENEZES)

Poucos conhecem os artigos e crônicas escritos pelo dr. Bezerra de Menezes para o jornal O Paiz, jornal mais lido no Brasil em fins do século XIX, com sede no Rio de Janeiro sob a direção de Quintino Bocaiúva, com o pseudônimo de Max. Por volta de 1977, Freitas Nobre, fundador da Folha Espírita e conhecido pela sua atuação nos meios políticos de São Paulo, pesquisa, organiza e lança este trabalho em formato de livros publicados naquela data, em três volumes.

Esclarece Freitas Nobre que a primeira edição em livros saiu publicada em Portugal, e o seu trabalho concentrou-se em torná-los mais didáticos, titulando os capítulos conforme os conteúdos nele contidos. Sem pretensões de aprofundamento filosófico, como em outro livro de sua autoria “A Doutrina Espírita”, mais conhecida como “A Carta de Bezerra a seu irmão”, pois o público alvo a quem se dirigia era a população da cidade do Rio de Janeiro, Bezerra de Menezes, contudo, transita pelo vastíssimo universo do conhecimento filosófico, para nele encontrar pontos de conexão com a Filosofia Espírita.

Desde o período pré-socrático, adentrando pelo helenismo com Sócrates, Platão, Aristóteles, Bezerra transita pelos neo-platonicos, por Orígenes, para trazer-nos as idéias sobre reencarnação, mediunidade, lei de causa e efeito, a situação do Espírito após a morte, Deus, Espírito e matéria, as condições intelecto-morais que determinam a felicidade ou a auto-flagelação consciencial dos humanos. Idéias que permeavam o pensamento dos sábios da Antiguidade, porém, algumas, vestidas do momento mitológico em que viviam, são revisitadas pela doutrina dos Espíritos, trazendo-as despidas dos véus de Ísis, que acobertavam a realidade com a magia do mistério.

Grande admirador de Léon Denis, e por este igualmente admirado, permutavam correspondências, e em muitas ocasiões foi o eminente pensador francês o representante do Brasil, nos eventos de importância cabal para o processo de fortalecimento do Espiritismo em terras européias. Presidente honorário da Federação Espírita Brasileira, Léon Denis nutria carinho especial pelos espíritas brasileiros e em sua obra Depois da Morte refere-se ao desenvolvimento do Espiritismo no Brasil, enfatizando os esforços de seus pioneiros, com ênfase a Bezerra, sobre quem, após o seu falecimento, manifestou os seus sentimentos dizendo: “Quando um tal homem desaparece, é uma perda não só para o Brasil, mas para os espíritas do mundo inteiro.”

Léon Denis e Bezerra de Menezes, pensadores legítimos da Filosofia Espírita que se desdobra naturalmente em Ciência e Religião, pois é desta forma que o conhecimento é construído: o fenômeno, seu estudo e pesquisa que derivam numa filosofia e seus desdobramentos ético-morais, são os condutores naturais da via de acesso ao conhecimento espírita, que, tempos depois, teve a sua sequência natural com a missão do Espírito Emmanuel, condutor de falange de Espíritos dedicados ao desenvolvimento do tríplice aspecto de abordagem doutrinária, transitando igualmente pela literatura romanceada, e pela poesia.

Absoluta coerência; total harmonia de propósitos e desprendimento em prol da causa de Jesus, que, renovada após quase 2000 anos de peregrinações pelo mundo, jazia morta nos templos que o homem erige para o seus próprios e efêmeros objetivos.

A aliança – mencionada na Bíblia – entre Deus e o homem, se transfigura, desmitifica e desmistifica-se com o Espiritismo, que surge, radiante, como resultado natural das conquistas realizadas pelos nobres Espíritos do “céu” e da Terra.

Como orientação aos iniciantes do Espiritismo, mencionamos os seguintes autores e seus enfoques de abordagem, embora os mencionados também desenvolvessem seus estudos igualmente sobre outros aspectos, porém todos sob os legítimos alicerces da Codificação espírita:

• Filosofia : Léon Denis, Bezerra de Menezes, Deolindo Amorim, José Herculano Pires.
• Ciência (aqui cabe mencionar pesquisadores sobre mediunidade, antropologia espírita, cosmologia, física, medicina, reencarnação, etc.): Gabriel Dellane, Ernesto Bozzano, Cesar Lombroso, William Crookes, Alexandre Aksakoff, Camille Flamarion, Albert de Rochas, Arthur Conan Doyle, Alfred Russel Wallace, Hernani Guimarães Andrade, André Luiz (Espírito) .
• Princípios ético-morais: Emmanuel (Espírito), Cairbar Schutel, Eurípedes Barsanulfo, Hermínio C.Miranda.

Com base nos autores acima, o conhecimento estará solidamente estruturado com base em senso crítico onde a precisão e a fidelidade à legitimidade dos ensinos dos Espíritos Superiores sejam a tonica.

Certamente hoje existem autores sérios que seguem os mesmos caminhos de seus predecessores e, portanto, serão facilmente identificáveis pela seriedade de seus trabalhos e pela conduta com que norteiam as suas pesquisas espíritas.

Segundo Gabriel Dellane, em mensagem psicografada em 2004, em Paris: “Se o conhecimento que estamos angariando na vida não nos é capaz de libertar da sombra generalizada, sombra do intelecto, sombra do sentimento, sombra da moral, algo está em equívoco. Ou esse conhecimento não é expressão da verdade, ou, então, de nossa parte, não estamos assimilando devidamente seus conteúdos. É hora de despertar (...). Estamos perante o extravasar de loucuras sem dimensão; (...) explosões do egoísmo, (...) graves pelejas provocadas por incontáveis almas aturdidas. (...) à frente de tudo isso, porém, raia o Sol portentoso do Espiritismo no cerne da Codificação de Kardec, que nos deverá aquecer e iluminar para a vitória, para a espiritual libertação. ”

Bibliografia : MENEZES, Bezerra, Estudos Filosóficos – vols.I,II,III; ________, a Doutrina Espírita; MACHADO, D.J., org., Léon Denis e o Congresso Espírita Internacional de Paris de 1925; DELANNE, Gabriel (Espírito), TEIXEIRA, Raul (médium), Liberdade com o Espiritismo – mensagem psicografada por ocasião do encerramento do IV Congresso Espírita Mundial em 05/10/2004, em Paris, França(VEJA O VÍDEO NO BLOG: http://filosofiaespiritaencantamentoecaminho.blogspot.com) .

OPOSIÇÃO FILOSÓFICO-ESPÍRITA AO NIILISMO

A obra O Céu e o Inferno, desenvolvida por Allan Kardec a partir do Livro IV – Esperanças e Consolações de O Livro dos Espíritos, antecipa com absoluta exatidão de princípios, o movimento sartreano da nadificação do ser humano, porém, preparando, com argumentos inquestionáveis, a oposição necessária àquele movimento, que levaria (como tem levado) à quase absoluta descrença nos verdadeiros valores da vida. As consequências desse movimento, sentimo-las até hoje, quando analisamos mais aprofundadamente o comportamento das pessoas com relação à Natureza e ao seu semelhante. À Natureza, basta buscar nos sites dos movimentos de preservação do ecosistema (WWF, Greenpeace, SOS Mata Atlântica) e inteirar-se da amplitude da devastação que ora grassa no planeta. Ao homem, “coisificado” pelas políticas de consumo, os resultados têm sido desastrosos. As próprias relações humanas, empobrecidas pelo “quem-tem-pode-mais”, ampliaram as carências afetivas; o ser humano isola-se, perde o contato com o outro, cria necessidades fictícias, perde a confiança no futuro, desenvolve patologias cuja etiologia, desconhecida pela atual medicina construída nas mesmas bases materialistas-positivistas, permanece obscura, ampliando ainda mais o atual quadro de angústias e expectativa. O contributo das crises sócio-economicas e financeiras mundiais, pouco elucida e muito preocupa a todos.

Nesse particular, lembramo-nos de outro livro escrito por Allan Kardec, A Gênese, neste ano de 2008 comemorando seus 140 anos de primeira publicação, onde o autor descreve os tempos de transição como de “luta das idéias” (1), de onde surgiriam os graves acontecimentos preditos desde a antigüidade, agitando as “entranhas da humanidade”. Assim, o movimento existencialista teve origens nos primórdios do pensamento ocidental, quando se buscava a origem de todas as coisas – arché – na Natureza, no plano do sensível, do perceptível aos sentidos, estendendo-se ao pensamento moderno, indo ao encontro da angústia perene que habitava o coração de Soren Kierkegaard. O sentimento de melancolia, tão bem descrito por François de Genève em O Evangelho Segundo o Espiritismo (2), e confundido com depressão, é inerente ao ser humano. Diz a mensagem que esse sentimento é a angústia do Espírito preso à solidez corpuscular de um corpo físico, que o restringe, limita, aprisiona. É como o pássaro preso numa gaiola pequena, sem possibilidades de abrir suas asas, sequer ambicionar a voar. É a “vaga tristeza” (a depressão, portanto, não cabe aqui) surgida pelo anseio à liberdade, “mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar (...)”.

Estaria nesse vago sentimento que se manifesta através da melancolia, as origens desse movimento filosófico, que, no século XX veio a ampliar-se a ponto de fazer o homem acreditar que do Nada tivera origem e para o Nada voltaria? Talvez.

Não podemos esquecer que cada pensador deu o seu toque pessoal ao sistema filosófico empreendido em seu próprio momento existencial.

As próprias religiões, em pouco ou nada ajudaram a resolver esse problema, já que exarcebaram o sentimento de culpa pela morte do Salvador, preso à cruz de seus (e nossos) tormentos perpétuos. Olhando ad eternum para o Cristo crucificado num altar de louvações a um corpo morto pelas dores da ignorância humana daqueles tempos, as cerimônias repetem exaustivamente, há 2.000 anos, o episódio do sangue e da carne ingeridos em glória ao Deus que exige sacrifícios de almas e corpos para ser temido e respeitado. As massas populares, cansadas de tanto transferirem ao seu inconsciente, por gerações, essa tragédia mal explicada e mal digerida, abrem as portas das catedrais, e saem em busca de ares renovados, de redenção pela razão, de fé que as conduza ao coração de um Pai que as ama, pois por Ele foram criadas.

E mal podem crer que um Cristo – 2ª. Pessoa da trindade – possa ter algo para lhes dizer, porque ele exige, para ser seguido, dor, sofrimento, humilhação, solidão, sacrifício, flagelação...

Não sem razão, Nietzsche, tido como o profeta da crise secular do Ocidente, e seguindo essa mensagem subliminar pregada na cruz de Jesus, anuncia a morte de Deus – seu núcleo de reflexão -, já que esta anuncia o progressivo desaparecimento na cultura do homem moderno de todas as filosofias, religiões ou ideologias que no passado exerciam a tarefa de iludi-lo e consolá-lo.

Esta questão posta por Nietzsche, mais ampla do que o espaço de que dispomos em nossa coluna, mas que merece a reflexão de nossos leitores, conduziram o ser humano a uma vivência dentro do espírito dionisíaco preconizado pelo referido pensador, que tem como premissas a aceitação do caos intrínseco à vida, da sua ausência de sentido e de significado.

Contrapondo-se à religião, o filósofo amplia a angústia do viver para o nada. Seguindo essa lógica, se para o vazio caminhamos, teríamos de usufruir ao máximo os prazeres que a vida pode proporcionar, numa (inútil) procura pela felicidade tão almejada.

No citado livro O Céu e o Inferno, Kardec pergunta aos seus leitores: “Haverá alguma coisa mais desesperadora do que essa idéia de destruição absoluta? Sagradas afeições, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria destruído, tudo estaria perdido!”. Afirma José Herculano Pires que, cem anos após Kardec, a filosofia na França quase se desfez nos sofismas do nada, com Jean Paul Sartre e sua escola. Contudo, a companheira de Sartre, Simone de Beauvoir , confirma as palavras de Allan Kardec, ao escrever: “...detesto pensar no meu aniquilamento. Penso com melancolia nos livros lidos, nos lugares visitados, no saber acumulado e que não mais existirá. Toda a música, toda a pintura, tantos lugares percorridos – e, de repente, mais nada !” (3)

A Filosofia Espírita da existência ou posta na existência conduz o ser humano atual, da desesperança, da angústia, do estupor e da ansiedade, da melancolia e da depressão, da ausência de fé e da razão manipulada pelas religiões em agonia, das crenças fanatizantes, da hierarquia da violência e do vício, ao manancial de plenitude, pois identifica o ser consigo mesmo, conduzindo-o ao conhecimento de si e esclarecendo-o de suas causas, do porque está aqui, para onde caminha, o que o aguarda, e que depende de si mesmo e do grau de respeito que tributar à vida, a sua felicidade e o seu bem-estar; que é um Espírito imortal, cuja jornada eterna, o conduzirá a degraus cada vez mais altos onde poderá visualizar o tanto de progresso realizado, e à frente, o porvir... ; que nunca está só, embora a solidão existencial amargue as suas horas, que pode e deve caminhar com o seu semelhante, pois ambos trazem as mesmas questões, as mesmas dúvidas, porém caminham em direção a uma finalidade comum.

O Céu e o Inferno, desconstrói o mito do sofrimento e das penas eternas, e, para legitimar essa desconstrução, traz para o ser humano as respostas “do lado de lá” da existência, para os que aqui ainda estão, respostas estas que dizem de esperança, de consolação, de realização, de consolidação da fé racional, porém de responsabilidade pelos próprios atos e da necessidade consciencial de recomposição da própria vida, a cada etapa percorrida, de acordo com as Leis Divinas e misericordiosas.

O Espírito André Luiz, convocado pelos Espíritos orientadores da humanidade, completa este livro magistral com a sua obra de cunho existencial e educacional.

Deixamos o nosso leitor com a curiosidade de percorrer esses livros com a mesma expectativa de quem busca respostas adequadas para questões tão antigas: quem sou, o que faço aqui, porque, para onde devo caminhar, o que me aguarda... Seguramente não estaremos sós, pois os amigos benfeitores que nos acompanham, estrarão orientando-nos a jornada, transmitindo-nos o seu incentivo, afeto e amparo.

(1) KARDEC, Allan, A Gênese, cap. XVIII, item 7.

(2) ___________, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 25.

(3) ___________, O Céu e o Inferno, cap. I, item 1 e Nota de J.H.Pires.

JESUS VOLTARÁ ! !

Esta é a mensagem que gostaríamos de ver escritas em todas as manchetes de jornais, nas televisões, na internet. Sim, temos a confirmação de que Jesus voltará em breve, e precisamente, na próxima noite do dia 24 de dezembro, que, embora historicamente não coincida com os fatos - mas é esta a data em que comemoramos, cristãos de todo o planeta - o nascimento daquele que foi e é o nosso maior exemplo a ser seguido.

Também poderíamos dizer - mas desta vez um pouco mais à frente -, sim, Jesus voltará no coração de cada homem e de cada mulher que se fizer seu(sua) seguidor(a), pois assim “está escrito” que seja, não por predestinação, não porque uma ou outra religião humana ou crença esotérica ou exotérica tenha assim predito, conforme o mito ou arquétipo (universal) do Messias em que se baseia, mas porque nós, seres humanos em trânsito da fase moral de provas e expiações terrenas e de outras dimensões de vida, estaremos nos encaminhando natural e espontaneamente para Ele, que tão clara, explícita e objetivamente explicou e exemplificou que assim fôssemos e fizéssemos. Dizia ele: Eu sou o caminho, a verdade, a vida; ou ainda: Ninguém vai ao Pai, senão por Mim...

E tão clara e explícita foi a sua lição, que nós, em nossa pobre humanidade, até agora, questionamos a sua efetiva validade, pois não conseguimos assimilar, porque rebuscados e complexos são os caminhos que a raça humana escolheu e escolhe. Uma mensagem divina, para nós, não poderia vir de uma simples manjedoura, sem atavios ou enfeites, cercada de animais domésticos e de gente empobrecida e sacrificada, pois um Ser Divino deve possuir o selo da excelência, nascer em berço de ouro, e, se nos tempos atuais, em apartamento de cobertura ou em condomínio fechado, de pais cujo status social lhe assegurasse o futuro, fácil de ser previsto, pois cercado de facilidades, pompa e circunstância. Uma mensagem divina, para ser “verdadeira”, jamais se cercaria de sacrifícios ao bem-estar próprio, à posição social, aos bens, à juventude, ao vigor da inteligência.

O flagício da cruz - em nosso entendimento - jamais seria o caminho para a implantação de uma nova idéia, ou de uma verdade. Pois os caminhos que traçamos para o estabelecimento de um novo paradigma perpassam pelos organismos internacionais, pelos conluios com as autoridades representativas do Estado e dos governos; pelas políticas, pelos cargos - necessários, em nosso entendimento, mas profundamente falhos em essência, pois não constituem verdades de razão - para que ela, a idéia, ou paradigma, se firme.

De nenhuma forma, jamais passaria pelo nosso pensamento, que o sacrifício implicasse em abandono de amigos e família, de despojamento de posição ou status social, de torturas morais e físicas inauditas, pois se Jesus era e é divino, grandiosos foram os seus sofrimentos (porém, não em nossa forma de pensar).

E como seria um Justo, um Messias, um Ser Divino? E como Ele viria até nós? E o que diria? Em parte já o dissemos, mas ainda assim nos sentaríamos em assembléia de doutos conselheiros para discutir se a sua Divindade é real ou fictícia, e talvez ficássemos anos e anos nessa discussão... E concluiríamos, finalmente, de que não há, absolutamente, provas que atestem a veracidade de sua identidade. Chamaríamos doutores de todas as especialidades para a discussão científico-filosófica ou filosófico-científica acrescidas das ponderações teológicas de tal ou qual religião através de seus magnos representantes. E sairíamos a apontar os detalhes de sua aparência, idade, status social e performance intelectual, analisaríamos as Suas palavras pela semântica, morfologia e sintaxe empregados, as suas expressões faciais e postura física, a qualidade das grifes com as quais - evidentemente - estaria trajado, as colocações mais acertadas e objetivas, a qualidade do vocabulário. Certamente, Ele teria que ser um doutor em várias especialidades, mormente em psicologia avançada, pois seria autor de um evangelho que, necessariamente traria receituários terapêuticos para a felicidade imediata, para o bem-estar moral e físico...

A Sua vinda teria que trazer toda a tecnologia avançada que se preze, e talvez, quem sabe, viria até nós, à semelhança dos antigos deuses da mitologia, que se exibiam aos olhos espantados da humanidade-infante, em carruagens de fogo, por entre relâmpagos e trovões. Mas talvez bastasse um veículo interplanetário com toda a tecnologia de ponta (desconhecida na Terra), esta sim, importante, para atestar a veracidade de sua Divina Identidade.

Certamente é de se esperar que Ele nos livrasse da violência de todas as formas hoje expressas, do ódio, da corrupção, da leviandade, do sofrimento, da fome ou dos excessos, das doenças crônicas e agudas, das epidemias e pandemias, das síndromes psicológicas, dos transtornos de comportamento, dos sentimentos torpes, da carência moral, espiritual e afetiva, da falta de assistência, de amizade, de amor, do vazio existencial imenso e terrível..., pois este é o papel do mito.

Contudo, Ele - o Ser Divino por excelência veio até nós, há 2007 anos, numa noite fria, em uma pobre manjedoura cercada do calor físico de animais domésticos, do amor de seus pais, do respeito dos pastores. Foi saudado por Reis, amado pelos bons, odiado pelos maus.

Personificando o Refúgio da Dor, ensinou-nos como combatê-la - ou melhor, compreendê-la. Amante da verdade, ensinou-nos como procurá-la - e encontrá-la; Caminho por entre as trevas, mantém ainda acesas as luzes da verdade divina para que possamos nos conduzir sem grandes tropeços. Revelou-nos o Pai de amor e misericórdia que nos criou e continua a velar por nós, filhos ingratos, rebeldes e malvados.

E porque desejasse que fossemos felizes, legou-nos uma herança - aliás, duas. Uma delas é o seu Evangelho, a outra é a promessa contida nele, de que estaria em espírito e verdade através do paracleto, em dias futuros, quando deixássemos a brutalidade dos instintos vigentes por sobre a inteligência e a afetividade, e quiséssemos alcançar o reino, por livre e expontânea vontade.

E há 150 anos, mais precisamente em abril de 1857, um simples professor - pois os grandes mestres e grandes missionários não trazem atrativos transitórios -, um pedagogo da alma e do espírito, burilado ele mesmo nas reencarnações de labor, renúncia e aflições, trabalha intensamente com os representantes do reino para implantar, em definitivo, o caminho, a verdade e a vida acrescidos de elementos conducentes ao entendimento do porquê devemos ser bons. E retira o seu nome, substituindo-o por um pseudônimo, para que não entendêssemos que ele detinha os direitos de autoria de um ensino eterno e sublime, mas do qual era apenas portador, organizador e trabalhador.

E porque é simples a sua mensagem - e a do paracleto, o Espiritismo -, e porque é através da humildade de princípios e da coragem de se superar; e porque o Seu fardo é leve, fácil de passar pela porta estreita, é que não aceitamos o jugo, suave por excelência, de Jesus.

E porque não aceitamos a humildade, a simplicidade; e porque teimamos em carregar o fardo da intolerância, da cupidez, do personalismo doentio, da agressividade contra tudo e contra todos, como um permanente estado íntimo de guerra, nos demoramos hoje no sofrimento profundo, violento, destruidor e destrutivo.

Quem sabe, um dia, festejaremos o verdadeiro Jesus desataviado das crenças mitológicas que teimam em permanecer vigentes em nossa forma de ser e estar na existência, e comemoraremos, subindo aos telhados, literal e abstratamente, e ergueremos as mãos para o alto, e assim - surpresa! - alçaremos vôo para encontrarmos a nossa própria divindade, transcendente e imanente, e nesse vôo sublime, nos encontraremos com Ele, Jesus, que, estará, apenas e tão somente, simples e amorosamente, feliz pelo reencontro pois, então, poderemos ser todos um só com o Pai.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec; Boa Nova, Humberto de Campos e Francisco Cândido Xavier

OS CAMINHOS DA FÉ ATRAVÉS DA RAZÃO II

Nessa infinita jornada, Fé e Razão ora se mesclam, ora se afastam, buscando cada qual o seu caminho, até se encontrarem nas mentes e corações humanos, uma vez que de forma conceitual jamais se distanciaram mutuamente, pois que resultantes de uma mesma construção evolutiva. Fé, candeeiro de luz a iluminar a Razão, bússola infalível a conduzir o pensamento às alturas de seu próprio conhecimento e do universo que o circunda. Fé, portanto, transcende o aqui-agora, alça vôo fulgurante em busca do Mais Alto, pois para lá nos destinamos. Razão, ponto de equilíbrio a sinalizar a perfeita sintonia com a Consciência Cósmica. E quando lá chegarmos, habitantes de mundos mais felizes (diga-se de realizações existenciais), olharemos os mundos mais atrasados como estâncias infinitamente pequenas diante da eternidade que nos aguarda, estágios de dor e testes necessários ao aprendizado do Espírito rebelde e egocentrado, incapaz de sentir o outro como irmão, uma vez ambos criados à semelhança divina.

E porque Fé e Razão viajaram separadas ao longo do tempo? A Fé foi construída sobre o pedestal das religiões míticas e místicas criadas pela superstição humana. A Razão isolou-se no sectarismo das introvertidas Filosofias e Ciências tradicionais, submetidas ao academicismo estanque. Apartadas pelas mãos humanas, inevitavelmente teriam que enfrentar-se, de forma litigiosa, num futuro em que o ser humano soubesse discernir e escolher por meio de seu livre-arbítrio. E é nesse momento, em que a Razão, ensoberbecida pelo saber acumulado, e em que a Fé jazia glamorosa nos ricos altares construídos em sua homenagem, gerando a opressão e a descrença, o isolamento e a arrogância, únicos caminhos em que se encontravam, pois gerados pelo próprio homem que as desunira, é que surge à frente, através dos mesmos instrumentos utilizados para afastá-las, ou seja, a perquirição filosófica e os experimentos científicos, a doutrina de Luz, no país que outrora abrigara as Luzes.

A verdadeira e única Razão - como legítimo suporte ao Saber transcendente - que lutara por libertar-se em terras francesas, insurgente aos ditames da nobreza decadente e do clero vicioso, embora ainda vestida de aparências. Apesar das conseqüências deste ato histórico, Ilumina a Fé enclausurada, e ambas caminham trôpegas, até o momento em que os grandes detentores da Esperança chegam até à humanidade cansada e descrente, trazendo-lhes a Boa Nova renovada. E do país da Razão, transporta-se para o país da Fé, o Brasil, como a dizer-lhe que a verdadeira fé seria aquela que buscasse respaldo na reflexão, no raciocínio, na consciência ampliada pelo estudo contínuo, mas igualmente pelo exercício do Amor fraterno.
Não cabe aqui nenhuma crítica desairosa aos caminhos traçados pela Fé e pela Razão humanas, diligenciando encontrar o pleno Conhecer. Foram momentos necessários até a madureza do Espírito, até que este tivesse condições de ver, ouvir e sentir a realidade que o circunda, e que jaz oculta nele próprio.
Porém, vez por outra, como ainda nos demoramos na adolescência espiritual, a tentação de nutrir a Razão com o orgulho, à semelhança dos antigos detentores do saber, não obstante as orientações seguras dos Espíritos superiores em experiência e consciência, e a Fé com o despotismo farisaico-religioso de outros tempos, carregando em seu bojo hábitos e costumes ligados à ortodoxia vazia, a Doutrina de Luz recebe também em nossos dias inserções indevidas, conclusões apressadas, posto que o homem, herdeiro de si mesmo e ainda habitando um plano mental onde a dualidade se expressa de forma contundente, ora conduzindo-o ao Bem de si mesmo, e, portanto, do seu próximo, ora ao Ego inseguro e irrenovado, impelindo-o atavicamente ao seu próprio primitivismo, nutrindo-o de emoções não trabalhadas, já que não trazidas à própria reflexão, ainda não conscientizou-se de que o Espiritismo é, a bem da verdade, a oportunidade sublime que o conduzirá a planos mais elevados da existência.
Portanto, prescinde da bagagem acumulada nos exercícios reflexivos das academias. Estes são como rascunhos que servem como ensaios ao Verdadeiro texto, ou desenhos, como moldes à Verdadeira escultura, ou ainda esboços que servirão ao desenvolvimento da Verdadeira partitura, todos aspirando aos originais efetivos e realizadores.
O Espiritismo, síntese disto tudo, permanece aguardando que as nossas vivências impactantes despertem-nos de nossa própria letargia, ou nos situe responsavelmente no contexto universal. Fé e Razão, Luz e Bússola, são manifestas em todo o composto doutrinário. Em O Livro dos Espíritos, como livro-chave, os caminhos para o desdobramento dos demais livros estão indicados, e como tal, foram produzidos através da reflexão de um Ser em si mesmo realizado, Kardec, pela inspiração e mestria dos Espíritos Condutores desta humanidade.

Ali estão os indicativos para a continuidade da obra: em O Livro dos Médiuns, a seriedade dos mecanismos de pesquisa dispostos ao pesquisador consciente e despojado. Tal como Kepler, reconhecendo a Verdade acima de quaisquer opiniões científicas pessoais, pois o Saber não tem dono. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, a ética cósmica de Jesus, despojada das crenças, e das intensas manobras por minimizá-la ao usufruto dos hábitos igrejeiros, conduz, hoje, o ser humano a viver eticamente, em qualquer ramo de atuação onde a sua existência se dê, preservando-o e conduzindo-o ao exercício de sentimentos e atitudes dignas com relação a si próprio e ao outro. Ética vem acompanhada de amor, de firmeza e constância no Bem. Sem hesitação, nem omissão.
Em A Gênese, a grande Luz se transforma na Lógica da Criação. E podemos então acessar a Harmonia e o Equilíbrio latentes na Natureza, aguardando serem descobertas sem convencionalismos delituosos.
Em Obras Póstumas, o labor operoso do trabalhador que, acima de tudo, soube respeitar e preservar as informações recebidas de outra dimensão, a das Luzes, e que intuitivamente sabia serem condutoras para a fase final da formação do caráter humano, disperso em si mesmo, preso às falácias, gerando sofrimento atrás de sofrimento, ignorante de como atuam as leis divinas, ao mesmo tempo vítima e algoz.
Portanto, a fé espírita, como um grão de mostarda, contém a potência da criação em si mesma; a razão espírita também carrega consigo a convicção, a firmeza de propósitos que a conduz, quando amparada pelo amor, à plenitude, tal como Jesus.

Vede Jesus - dizem os Espíritos. Ele é nosso modelo. Enquanto não acreditarmos, porquanto não portando a fé raciocinada, que tal seja, estaremos ou permaneceremos ostensivamente envoltos na soberba de nossa imensa ignorância, sofrendo-lhe inapelavelmente as consequências.

OS CAMINHOS DA FÉ ATRAVÉS DA RAZÃO I

No capítulo dezenove de O Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos a matéria "A fé que transporta montanhas". Bem conhecido dos espíritas, o tema inicia com um trecho do evangelista Mateus 17:14-19, relatando episódio em que Jesus, após realizar a cura do rapaz obsedado, questiona veementemente seus discípulos, que, alegando impedimentos, não o puderam curar. Jesus revela-lhes que a cura do jovem não ocorrera, devido a pouca fé de seus próprios seguidores, pois "se tivessem fé como um grão de mostarda", nenhum obstáculo lhes impediria a ação. Ou seja, se a fé fosse mensurável, por menor que fosse, ela teria a mesma força, em potência, contida numa semente. O mesmo ímpeto em latência, que impulsiona a semente em transformação. Jesus, como sábio conhecedor das incertezas humanas, faz uso de uma figura forte, e o que teria maior robustez, vigor, energia do que uma semente que contém a vida em desenvolvimento?

Ele também diz que "a montanha seria transportada" apenas pelas palavras daquele que tem fé. Aliada desta última, a palavra bem direcionada, confere real autoridade a quem a profere. A palavra é dotada de uma mística especial, pois decodifica o pensamento, transportando-o do abstrato mundo das idéias ao concreto mundo sensível, onde transitamos confinados a apenas cinco sentidos que nos possibilitam a comum relação, caracteristicamente limitada, por vezes falha, pois segue padrões de percepção adstritas às assimilações de tempo e lugar, às peculiaridades culturais, hábitos familiares e individuais, e padrões evolutivos espirituais. Donde concluirmos que a real comunicação entre os seres ainda não aconteceu. Poderíamos concluir também que a comunicação efetiva dar-se-á ao nível de um sentimento apurado, pois real, verdadeiro, cultivado como a semente de mostarda, ou como o carvão que se transforma em diamante, luzindo e trazendo à tona o Amor subjacente, a Verdade que jaz do lado externo da caverna de Platão, ou do oceano intérmino e rico em vida e beleza, revelado pelo peixinho vermelho da lenda egípcia divulgada por André Luiz na introdução de "Libertação". Sem dúvida que a palavra perderá seu lugar, pois será condignamente ocupado por um estilo de comunicação, onde o pensamento burilado no campo das formas adquiriu sua liberdade legítima, onde os estímulos da dor expandiram-no, até à compreensão plena da verdadeira ética resultante do exercício da solidariedade, onde a moral enriquecida pelo sentimento de mútua compreensão e entendimento fazem-no - o pensamento - construtor de sua verdadeira identidade, outrora obscurecida pela rudeza de seu primitivismo, no futuro, porém, ampliando-se, transfigurando-se como a lagarta em borboleta, ornando-se com as luzes características de quem já conseguiu Ser, após a jornada milenar do estar e do acontecer sucessivos, sujeito ao determinismo natural, nem sempre consciente dos estágios em que se fixaram. Então, finalmente entenderemos Jesus.
Porém, até que tal ocorra, a fé, grande estímulo das relações entre o ser-criatura e o Ser-Criador prosseguirá sua jornada histórica, habitando corações numa multiplicidade tão grande de expressões, refletindo as culturas onde se desenvolvem. Podemos analisá-las todas, porém nunca senti-las em sua plenitude. De tão ampla, foge à análise puramente científica, inabordável ao exercício das ciências exatas.
O pensamento espírita, com bases racionais, evoluiu desde a Magna Grécia, encontrou-se com Jesus em Israel e deslocou-se diretamente para a França, berço da cultura racional, livre da teologia asfixiante, traçando-lhe os rumos, despido de dogmatismos filosóficos, científicos e religiosos. Hoje, a ciência humana busca entender o que, para a ciência espírita já foi desvendado: A EXISTÊNCIA DO ESPÍRITO, EM SUA TRAJETÓRIA NA LINHA DO TEMPO, em busca de sua própria transcendência (Tendes um modelo, diz O Livro dos Espíritos, VIDE JESUS). (continua)

EFE Filosofia Espírita

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