FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

24 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!!!!


 
Christmas Eve message by the crew of Apollo 8.
Anders:
I hope all of you back on Earth can see what we mean when we say that this is a very foreboding horizon, a rather dark and unappetizing looking place. We are now going over one of our future landing sites, selected over the smooth region, called the Sea of Tranquility -- smooth in order to make it easy for the initial landing attempts in order to preclude having to dodge mountains. Now you can see the long shadows of the lunar sunrise.
We are now approaching lunar sunrise and for all people back on Earth, the crew of Apollo 8 has a message that we would like to send you.
In the beginning, God created the Heaven and the Earth. And the Earth was without form, and void, and darkness was upon the face of the deep. And the Spirit of the God moved upon the face of the waters. And God said, "Let there be light." And there was light. And God saw the light, that it was good, and God divided the light from the darkness.
Jim Lovell:
And God called the light Day, and the darkness He called Night. And the evening and the morning were the first day. And God said, "Let there be a firmament in the midst of the waters, and let it divide the waters from the waters." And God made the firmament, and divided the waters which were under the firmament from the waters which were above the firmament. And it was so. And God called the firmament Heaven. And the evening and the morning were the second day.
Frank Borman:
And God said, "Let the waters under the Heaven be gathered together unto one place, and let the dry land appear." And it was so. And God called the dry land Earth, and the gathering together of the waters he called the Seas. And God saw that it was good.
And from the crew of Apollo 8, we close with good night, good luck, a Merry Christmas, and God bless all of you, all of you on the good Earth.
 

20 de novembro de 2015

A DIALÉTICA DO SUICÍDIO (AS DORES DO BRASIL E DA FRANÇA)


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Há momentos em que palavras e gestos não conseguem exprimir os sentimentos que envolvem os corações humanos diante da tragédia, seja ela pessoal ou coletiva. Tragédias essas onde apenas as justificativas simplistas não alimentam a necessidade que temos de uma explicação madura e condizente ao progresso intelecto-moral já alcançado.

Refiro-me a justificativas tais como: “é a transição”, é “a lei de causa e efeito”. Ou ainda, “nada devemos temer, pois Jesus está no leme deste barco navegante em mares tumultuosos”.

Essas “explicações” poderiam levar à uma acomodação de pensamentos e sentimentos, já que “nada podemos fazer” diante da lei de “causa e efeito” que atinge vítimas e algozes, e nos coloca “a salvo” de qualquer evento menos feliz. Mistura de carma indiano com lei de talião mosaica.

Por outro lado, as aflições que muitos hoje vivenciam fruto de desastres ecológicos principalmente no Brasil, oriundo da ganância de governos e empresas multinacionais, de assaltos com morte, principalmente nas grandes metrópoles, e por abandono e violência, está ceifando vidas que não suportam conviver sem seus amados, seus pertences, sem o trabalho que lhes garantia a dignidade de viver.

O suicídio foi institucionalizado por circunstâncias as mais diversas além das acima citadas, como a imolação da própria vida para o cumprimento da jihad islâmica e assim alcançar o paraíso distante do mundo ocidental perverso e corrupto; como único caminho para abolir o sofrimento diante da perda de entes queridos, de bens materiais que sustentavam a família, e ainda pelo fato de enfermar sem perspectivas de futuro, e, muitas e muitas vezes por tristeza, vazio existencial e estresse emocional. 

Como exemplos, o governo dos EUA enfrenta hoje uma epidemia de suicídio nas fileiras militares por parte de jovens traumatizados pelas guerras das quais participaram no Oriente Médio; o Japão enfrenta epidemia de suicídio de jovens que não conseguiram matrícula nas universidades mais conceituadas e partem para a alternativa cultural do autocídio como saída estratégica da vida e manutenção do orgulho pessoal e familiar.

E poderíamos elencar todas as causas possíveis para essa “alternativa” que milhões buscam hoje no mundo inteiro para não enfrentarem a dor e o sofrimento, o vazio existencial e a sensação de abandono.

O ser humano está em crise profunda. Não podemos achar que as Leis Divinas estejam por detrás dessa tragédia. Se Deus é misericordioso, as Suas Leis, que expressam o Seu pensamento, expandem o Seu amor por toda a humanidade nesse instante. As Leis Divinas são misericordiosas, nunca agem em desacordo com Deus, pois Ele as dirige e comanda, embora o homem seja o algoz do próprio homem, embora haja optado pela cruel lei de talião contra o próximo e contra si mesmo.

Então, porque tudo isto?  O que faz um jovem imolar-se tão cruelmente por um ideal utópico preconizado por argumentos rasteiros, como vemos hoje os jovens que se unem a grupos dotados de ódio profundo à civilização e tudo o que ela representa?

Qual a verdadeira causa dessa ausência de si mesmo? Não somos adeptos de explicações menores nem justificativas que nada explicam, senão ampliam o nosso estupor diante de tanta dor.

Sem dúvida que as verdadeiras causas, geradas ao longo de 6.000 anos de civilização, permanecem ocultas à curiosidade e julgamentos parciais e limitantes, porém, podemos visualizar a AUSÊNCIA DE AMOR como paradigma a ser superado. Amor ao próximo, amor à natureza, amor ao país que acolhe as comunidades dentro de suas fronteiras, amor ao ar e ao alimento que nutre a vida, amor à família que traz à reencarnação, amor ao trabalho – por mais humilde que seja – que faculta conforto, amor a tudo o que nos cerca, amor sem apego, amor sem exigência, sem satisfação e egolatria pessoal.

Respeito ao corpo que abriga a alma. Que fala com ela quando tem dor, quando tem fome e sede, quando precisa de higiene e cuidados, quando  encaminha a alma às experiências pessoais e à convivência com o outro.  

Corpo que resiste aos desvarios e erros de conduta, mas que vai se esfacelando diante dos abusos a que tenta desesperadamente resistir.    

Talvez o homem quisesse ser como Ícaro que voa em direção à luz que tanto almeja mas quanto mais se aproxima, ela, a falsa luz das utopias terrestres derrete as frágeis asas e o projeta no vácuo e na escuridão.

 Pensadores e filósofos somatizaram seus próprios problemas existenciais e criaram as filosofias existencialistas; encararam a prevalência do orgulho e do egoísmo nas comunidades onde viviam como “culpa” de Deus, daquele Deus cruel e desfigurado por três divinas pessoas que nada faziam diante das dores humanas. E preconizaram o suicídio como alternativa de fuga do sofrimento sem esperança.

Por outro lado, sabemos que há falanges e falanges de Espíritos em verdadeiro desvario moral, emocional e existencial hoje reencarnados na face do planeta. Mas, perguntaríamos, e as influências do ambiente em que vivem? E o materialismo feroz que os isola (refiro-me aos jovens recrutados pela ferocidade e loucura de uns poucos)  e agride sem perspectivas de um possível refazimento (mesmo que minimamente) a potencializar a chama divina que trazem consigo (afinal também são criaturas de Deus)? 

Meditemos na mensagem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Caridade para com os Criminosos... sem julgamentos, sem ódio que alimenta ódio, mas com espírito de misericórdia, tal como Jesus olhou a humanidade que o torturou, e oremos neste momento de grandes aflições.      

Vamos buscar alternativas para que o país no qual vivemos seja respeitado e a sua população encontre mecanismos de bem viver.

Lei de Causa e Efeito não é lei de talião; o barco que Jesus conduz nesses mares revoltos não prescinde de nossa colaboração para que continue a navegar em segurança.

E nós, espíritas, temos o dever e a responsabilidade de sair da nossa acomodação e semear a Paz, a Fraternidade, a Esperança e a Consolação nos corações próximos ou distantes. Isso também se chama FRATERNIDADE. 

E você, meu irmão e minha irmã que pensa continuadamente no suicídio como rota de fuga ao sofrimento que o/a atormenta, pense que o Espírito é imortal, seu corpo sofrerá o efeito desastroso de seus atos, que não solucionarão os seus problemas; mire-se em Jesus, acolha-se em seus braços, busque-o com toda a força de sua vontade, refugie-se em seu olhar doce e humilde mas enérgico e forte, como o irmão mais velho que Ele é, e busque a serenidade com Ele, em Suas palavras, em Sua mansuetude, em Seu amor. E descanse a sua mente fatigada com Ele.

Sonia Theodoro da Silva


Filosofando: O Sofrimento segundo a Filosofia Espírita: https://www.youtube.com/watch?v=CoMsTsZ3E4k

Mundo Maior em Debate: O que vem após a Morte? https://www.youtube.com/watch?v=XimVtWpuErA       

7 de setembro de 2015

A razão de ser do Espiritismo


 
SÓCRATES - Inspirador do Projeto Estudos Filosóficos Espíritas
(Escultura à entrada do Museu de Atenas)
 "Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.
Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.
Logo depois, no Collège de France, proclamando serJesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.
Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.
As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos, fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.
Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.
Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.
O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.
Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de ideias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinquentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.
O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam...
Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqui, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.
Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.
Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.
Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas sequelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.
A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro."
Victor Hugo
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de junho de 2001, em Paris, França.
Publicado no Jornal Mundo Espírita de novembro de 2001.
 
 

6 de setembro de 2015

O NOVO EXODO – REFLEXÕES MOTIVADAS POR AYLAN

www.mamamia.com.au
 


Há alguns anos tive minha própria experiência  com refugiados de guerra provenientes do Oriente Médio.  Uma amiga, minha vizinha e voluntária no plantão fraterno de nossa casa espírita, procurou-me e relatou a tragédia de uma família que estava hospedada três andares abaixo do meu, no prédio onde residíamos: dois casais com filhos ainda bebês, um comerciante e seu irmão, advogado e jornalista, todos provenientes do Líbano, precisavam de aulas de português.  

Todos tinham fugido da guerra em seu país, hoje parcialmente dominado pelo Hamas. Quando de minha estada em Israel, pude sentir o outro lado dessa história, à parte os motivos políticos, sempre insanos e cruéis infelizmente em sua maior parte, os israelenses sabem que em seu país a violência e o medo são latentes, já que estão cercados por outros países de maioria muçulmana, muitos hostis, e fazem fronteira com a Síria, hoje dramaticamente num processo talvez irreversível de auto destruição.


Fui convidada por eles, fluentes em francês e inglês, a ensinar o português para as esposas e o irmão deles, o advogado jornalista. Todos muito jovens haviam deixado suas famílias, casas, pertences, amigos, empregos, lembranças caras à sua existência.

Lembro-me de nossa primeira reunião para traçarmos os parâmetros iniciais para o ensino de nosso idioma: impossível não se comover diante da tragédia daquele grupo, que me olhava com olhares de expectativa (afinal, quem era aquela brasileira?), mas de esperança (nos sorrisos tímidos), pois naquele momento eu representava o início de uma convivência com a comunidade de nosso país. E conversamos sobre coisas simples da vida, até que a pergunta surgiu: qual a minha religião? Respondi que seguia o Espiritismo, uma doutrina filosófica com desdobramentos éticos e morais com base no Evangelho de Jesus e com raízes em Sócrates e Platão. Os olhos do advogado jornalista brilharam e começou a dizer que a religião deles, eram todos drusos, também tinha raízes em Platão e que considerava Jesus de Nazaré como um grande profeta da Paz. Foi o elo que faltava. Daí em diante, estabelecemos um contato que foi além do relacionamento professora-alunos, pois a confiança passou a fazer parte de nossas aulas. Pude sentir novamente na alma o que os Espíritos sempre disseram acerca da fraternidade universal, pois ali, naquela sala, onde as jovens faziam questão de servir-me café à moda oriental, numa aula de português, tinha diante de mim olhos de esperança, pois se o Brasil representava naquele momento um reinício de vida quase normal, a tristeza de ter que deixar tudo para trás permanecia latente no ambiente – e principalmente o advogado jornalista que pretendia voltar numa insistência melancólica diante do improvável.

Tempos depois o restante da família conseguiu se estabelecer definitivamente no país e queria que todos estivessem juntos.

A experiência pessoal de encontrar pessoas com anseios, expectativas positivas apesar da extrema gravidade de sua situação, portadoras de um excelente nível intelectual e que respeitavam as religiões pois, para minha  surpresa, nelas viam um acesso a uma relação mais humana para todos foi gratificante. Ficou a lembrança de boas conversas, sempre através do ensino do português,  de uma troca cultural rica de conteúdos e de esperança, e ainda de interesse por aquele desconhecido Espiritismo que para eles significou um belo caminho à fraternidade universal.

E tudo isso me veio à lembrança quando comecei a aprofundar-me na tragédia humanitária que hoje o mundo assiste e o continente europeu tenta enfrentar, e, diga-se de várias maneiras.

Não vou deter-me aqui a reproduzir o que a imprensa tem fartamente informado. Mas detenho-me na pessoa da criança flagelada pela insanidade de um país hoje semidestruído pela barbárie. Aylan, sacrificado como o filho de Abraão, porém sem a oportunidade de retornar à convivência paterna, pois o deus-homem não conhece compaixão, ficará em nossas lembranças, novo arquétipo de nosso inconsciente coletivo, inserto no mito do mártir que se sacrifica mesmo sem ter a consciência do sacrifício.

A morte de Aylan é uma imensa bofetada no rosto de todos aqueles que negam a si próprios a sua verdadeira natureza, humana e espiritual e destinada à consciência regenerada para o Bem supremo.   

Porém, a morte de Aylan inspira hoje o espírito solidário de alemães e austríacos, a essa verdadeira “invasão” de muçulmanos (aliás prevista por uma médium em 1996 durante um evento sobre Mediunidade numa grande casa espírita em São Paulo), porém, “invasão” esta motivada não pelas razões políticas do passado, mas pela tragédia da guerra e do ódio hoje vigentes naquela parte do mundo.  

Interessante notar que a Europa, histórica, militar e politicamente co-responsável por guerras monumentais locais e mundiais ao longo de sua longa trajetória, hoje é convidada  a – quem sabe – resgatar pelo amor e pela solidariedade os fatos dolorosos de seu passado remoto e recente.

Logicamente não podemos pensar ingenuamente sobre todo esse processo, já que ele implica em múltiplas faces de continuidade, mas não podemos deixar de supor que este pode ser o começo de uma nova civilização europeia, a partir da união entre Leste e Oeste, Ocidente e Oriente, que ao longo dos milênios foram atores de guerras fratricidas por motivos religiosos ou políticos.   

Mesclada com outras naturezas, outros gens, outras culturas, outras falas, outros idiomas, outras filosofias, outros modos de pensar e ver a vida, este pode ser  apenas o começo de uma nova existência para os que chegam perseguidos pela tragédia, e para os que lá residem à parte do processo traumático atual, mas não distantes da convivência com a guerra que sempre perseguiu o povo europeu.

Enquanto isso, para nós brasileiros, separados por um oceano desse drama também acolhemos outras vítimas, além daquelas oriundas das guerras fratricidas, as dos flagelos naturais, que igualmente precisam de nossa solidariedade e apoio.

Enquanto isso também, continuamos com nossa luta a favor da ética e da moral em nossa já combalida e decadente política nacional.  Lutamos contra a crise econômica que já bate às nossas portas. Lutamos contra a criminalidade e as injustiças, lutamos contra o aquecimento global e a matança indiscriminada de nossas fauna e flora.

Triste e melancólico final de ciclo evolutivo... Colhemos o que plantamos, porém sem desanimar de plantar novas sementes com base na ética e na moral de Jesus, e cuidar dos frutos verdes que já despontam entre nós, e que nos sustentam a esperança de esperançar, porém ativa, nunca acomodada ou na expectativa de que os Bons Espíritos façam o que nos compete fazer.    

Sonia Theodoro da Silva, bacharelanda em Filosofia.          

1 de maio de 2015

Esperança


 

O mito de Pandora relata que a curiosidade abriu a caixa que continha trancadas as calamidades humanas, liberando-as com todas as consequências pertinentes a cada uma; contudo, ao fundo permaneceu a Esperança.
O premio Nobel Albert Schweitzer dizia que a tragédia não estava nos males ou na morte mas naquilo que morria dentro do homem enquanto ele permanecesse vivo.  Segundo ele, a esperança não pode morrer nunca pois novos paradigmas para novos tempos são aqueles que estão protegidos na capacidade de ter esperança, contudo, não a esperança de esperar mas a esperança de perseverar, de  acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário.
Transferindo o mito para os dias atuais, vivemos os trágicos instantes da liberdade sem limites ou da incapacidade das pessoas conhecerem os seus próprios limites ou os limites do outro. Paulo de Tarso em sua I Epístola aos Coríntios dizia que a Fé juntamente com a Esperança poderiam gerar o Amor. Não o amor fanático, passional e bruto, mas o Amor que respeita a Vida, seja de que forma ela se manifeste; com todas as diferenças que caracterizam as raças, as etnias, as crenças. 
Não nos é dado julgar o outro pelas escolhas que faça, mas temos o dever de cultivar o sentimento de empatia para com os diferentes. O respeito começa pela tolerância. Se não entendermos isso, a Esperança morrerá não somente para nós, mas para nossos filhos e para as próximas gerações.

Sonia Theodoro da Silva

28 de janeiro de 2015

AUSCHWITZ - BIRKENAU... O HOLOCAUSTO CONTINUA



Hoje (27 de janeiro),  o mundo relembra a libertação dos prisioneiros judeus do campo de concentração polonês Auschwitz-Birkenau. Durante minha estada em Israel, tive a oportunidade de conhecer e visitar o Museu do Holocausto, Yad-Vashem, e jamais esqueci a emoção que senti diante da herança de horror deixada pelo sofrimento e pela dor extremadas  - eram vestígios de objetos pertencentes a crianças, idosos, mulheres e homens sacrificados à insânia inumana de um tempo onde a misericórdia e a compaixão foram abortados da convivência humana.

No andar térreo, chega-se à entrada através de alamedas onde há árvores plantadas num vasto jardim com os nomes de todos os que puderam salvar judeus de várias partes da Europa – lá estavam os nomes de Schindler, de Irena Sendler (enfermeira alemã que salvou 2.500 crianças de famílias judias), Raoul Wallenberg, um diplomata sueco que salvou 100.000 judeus, concedendo-lhes passaportes e vistos suecos e cuja morte foi atribuída às condições de sua prisão em território soviético após a guerra (http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u4771.shtml), além de muitos outros que puderam burlar a vigilância das poderosas SS e Gestapo, polícias nazistas, e salvar uma pequena vida de criança que fosse possível.

Muitos ainda tentaram salvar as vidas de negros, de asiáticos, de portadores de deficiências, de homossexuais, de ciganos, e de todos aqueles que não se enquadravam nos conceitos de raça pura preconizados pela filosofia nazista.

Ainda no térreo, um painel imenso toma a parede de entrada onde se vê o mapa dos países da Europa, norte da África, China e Rússia, e as localizações de todos os campos de concentração criados pelo nazi-fascismo, dentre os quais Treblinka e Thereseinstadt.

Em seguida, a exposição fotográfica dos habitantes daqueles locais, misturados em condições sub-humanas, os fornos crematórios, as salas dos “chuveiros”, os objetos criados (abajures, por exemplo) com as peles arrancadas dos corpos ainda em vida, fotos de experimentos em genética dos diabólicos “médicos”, dentes de ouro, objetos pessoais, objetos pertencentes aos lares destruídos pela insanidade.

No segundo andar, uma exposição de desenhos feitos a carvão, em papeis rústicos, mostrando os horrores que lá aconteciam, numa tentativa desesperada de exportá-los dos campos, de contar ao mundo o que estava acontecendo, um pedido dolorido e silencioso de socorro.

Encontrei casualmente um grupo de pessoas idosas, judeus que viveram àquela época e quando os nossos olhos se encontraram, eu nada pude dizer, senão oferecer as minhas lágrimas (que teimavam em não parar de cair) de solidariedade – e de vergonha.

Naquele instante eu pude compreender até onde um ser humano pode chegar quando perde a capacidade de sentir empatia por outro ser humano.

E hoje, com as tristes mas educativas lembranças ainda vivas em minha memória, eu comparo aquele Holocausto com a multiplicidade de holocaustos que continuam a ocorrer pelo mundo.  E me pergunto, até quando?

Até quando a insanidade continuará a nos deixar perplexos diante de tudo o que a humanidade poderia construir de belo e de bom e simplesmente não o faz – ou faz pouco?

Até quando a ignorância, a irresponsabilidade e a omissão prevalecerão por sobre os convites amorosos dos missionários do Bem de da Paz?

Já convivi com gênios, com ateus e com religiosos, e com pessoas simples e humildes de coração e em todos eu pude perceber a única necessidade comum compatível à nossa humanidade – a da vivência do Amor e do exercício do conhecimento direcionado para o Bem.

Não há outra alternativa – ou aceitamos ou morreremos – secos e inúteis como os restos de objetos expostos em um museu da morte, carregando conosco a nostalgia de um futuro irrealizado.

Sonia Theodoro da Silva

Bibliografia e Nota: há uma vasta bibliografia hoje sobre aqueles tempos; filmes como A Lista de Schindler e O Pianista, A Menina que roubava Livros, bem como a série de TV Holocausto, e vários sobre os missionários cristãos que salvaram a vida de judeus, ou que morreram nos campos, como o padre Maximilian Kolbe, e a filósofa cristã, freira carmelita de família judaica, Edith Stein, alemã, discípula de Husserl, fundador da fenomenologia, e que morreu em Auschwitz-Birkenau, foi canonizada pelo Papa João Paulo II (em nosso portal de estudos relataremos a história desta extraordinária mulher). Leia-se ainda a história da adolescente Anne Frank agora também em filme.


Até os nossos dias contesta-se a posição da Igreja Católica diante do Holocausto – recomendamos o filme Papa Pio XII, bem como bibliografia pertinente, para as considerações de nossos leitores.

3 de janeiro de 2015

ÁRVORES CAEM? DE QUEM É A CULPA?


Esta semana em São Paulo mais de 200 árvores caíram por força (dizem) das chuvas e dos ventos. Pergunta: chuvas, ventos, raios, tempestades, fazem parte dos fenômenos naturais?

Sim, é óbvio que sim... porém, nem todos pensam assim. E continuam reclamando das inundações, das mortes causadas por raios, das casas com  rachaduras e dos móveis e bens materiais perdidos pela força das águas, da falta de energia elétrica porque as árvores “destruíram” a rede elétrica.

Semanas atrás ouvimos as palavras de uma mãe que acabara de perder seu filho ex-combatente do Exército norte-americano e agora voluntário nas inúmeras forças de ajuda aos exilados de guerra em campos de recolhimento e cruelmente morto pelo estado islâmico: “meu filho morreu porque o mundo está enfermo...”

No mesmo instante pensei nos sentimentos que podem ter se sucedido no coração amantíssimo de Maria de Nazaré quando viu seu filho bem-amado sob o suplício romano e farisaico, sob a cusparada de um povo que ele ajudara a curar-se de suas doenças e mazelas, sob o abandono de seus  discípulos e seguidores...

Seu filho morrera porque o mundo estava enfermo...

E porque hoje o mundo ainda continua enfermo? Analiso a Humanidade – ou grande parte dela – como sonâmbulos padecendo de patologias mentais, sendo a maior delas a “psicopatia do desprezo” pela vida de seu semelhante e para com a Natureza.

No Brasil, esse mesmo ser humano continua a dilapidar a mata Atlântica para construir “seu lar”; continua a devastar a Amazonia para ampliar o agro-negócio e alimentar as bocas  dos povos de outros países que não souberam – ou não querem – bem  administar os seus bens naturais (e para que, se o Brasil tem espaço geográfico suficiente e uma imensa ganância política?) .

Esse mesmo ser humano continua a devastar os espaços naturais das grandes cidades como São Paulo, já esgotada em seus recursos naturais e especialmente hídricos para construir casas, edifícios, condomínios, favelas, desalojando a fauna que contribui para o eco-sistema e destruindo a flora que mantém a vida...

Esse mesmo ser humano sequer se preocupa com a já escassa vegetação à sua volta e quando árvores caem, a culpa é atribuída à chuva e ao vento refazentes, acolhedores, absolutamente naturais e bem vindos a nutrirem a terra e a saúde desse mesmo ser humano que acusa os órgãos oficiais de não cortarem as árvores prestes a cair...   

E permanece a pergunta:  porque não cuidaram das árvores, da vegetação, das plantas, das flores? Porque deixaram que os predadores as consumissem ?  Porque os órgãos oficiais cortam árvores ao invés de cuidar delas?

Porque a própria população não toma a iniciativa de “adotar” uma árvore, um parque, uma praça como alguns poucos o fazem?
É muito mais fácil cortar do que tratar – é muito mais fácil construir barracos espalhados pela cidade e em zona de preservação ambiental do que permanecer em seus locais de origem e exigir dos governantes que propiciem trabalho e condições dignas de vida.

Fazendo um balanço do ano de 2014 nessa alvorada de 2015, permaneço cética quanto à tomada de consciência e de responsabilidade por parte de grande parte da população  que se julga credora das benesses públicas e divinas e que se omite, se refugia e se oculta nos shopping centers, entre os bens de consumo, nas igrejas, nos centros espíritas, nos terreiros de umbanda e candomblé...  

Os espíritas em especial, muitos preferem atribuir a culpa ao "momento de transição" e aos estertores do mundo de provas e expiações sem sequer refletirem que o mundo é produto de nossos pensamentos e de nossas ações - ou da ausência delas.  

E penso em Jesus, em seu sacrifício,  em seu imenso Amor. E penso na dor de Maria de Nazaré, por seu filho sem mácula dando a Sua Vida para que a humanidade entendesse de uma vez por todas que o egoísmo humano é patológico e que o orgulho humano é produto da insanidade em que os seres humanos vivem e  que insistem em permanecer mergulhados. 
(Sonia Theodoro da Silva)     

EFE Filosofia Espírita

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