FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

31 de dezembro de 2013

O ANO NOVO ÉS TU



O ano é novo e Tu desejas que seja melhor, que traga todos os auspícios e benefícios que pensas merecer. 

Te afirmo, o ano só será melhor se Tu te transformares numa pessoa melhor, esta é a tua única chance de receber tudo que de bom esperas. 

Do ponto de vista cósmico, esta é uma data como outra qualquer, não há nada no céu que referende o início de um novo ano, é apenas uma convenção afirmar que hoje é ano novo. 

Porém, a mente de nossa humanidade é poderosa e cria convencimentos muito sólidos. 

Por isso te afirmo novamente, não é a entidade abstrata do ano que te fornecerá melhorias, Tu terás de melhorar, Tu terás de te converter, através de empenho e persistência, no tipo de pessoa que merece os benefícios que esperas receber de presente. 

Tu és o presente, Tu és a oferenda, Tu és a esperança de um mundo melhor. (Quiroga)

21 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL COM JESUS!!!


MESTRE, AMIGO, IRMÃO... TUA LUZ SE APROXIMA MAIS INTENSAMENTE NESTES DIAS QUANDO OS HOMENS SE LEMBRAM DE TI... QUISERA TODOS OS DIAS, TODOS OS MOMENTOS A TUA LEMBRANÇA ESTIVESSE EM TODOS OS CORAÇÕES E MENTES...
FAÇAMOS VOTOS QUE EM 2014 A TUA PRESENÇA SE FAÇA CONSTANTE E PARA SEMPRE.



19 de novembro de 2013

Mitologia Nórdica no cinema - JRRTolkien



Para quem aprecia as sagas mitológicas de Tolkien, em breve a segunda parte de O Hobbit estará nas telas - aproveite para localizar os arquétipos com os quais o autor trabalha para simbolizar  virtudes e vícios, valores e desvalia, Bem e Mal - vale a pena !


25 de julho de 2013

MEU PAI

Papai e vovô Luiz 
Aos 21 anos matriculou-se em dois cursos: Direito, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - Universidade de São Paulo, e Medicina, da mesma Universidade. Contudo, tempos depois, vitimado por epidemia que grassava no país, também adoecera, e fora obrigado a deixar o seu grande sonho de estudar e de pesquisar, para tratar-se, transferindo-se para outra cidade, em clínica especializada, lá permanecendo por longo tempo. Impedido de continuar os estudos, passou a cultivar o auto didatismo. Frequentava a biblioteca da cidade, tornando-se erudito nas áreas em que desejara atuar profissionalmente.

A Cidade Universitária, campus da USP, começara a ser construída e, ao retornar a São Paulo, empregando-se no funcionalismo público estadual, profissão grandemente almejada naqueles dias, veio a formar uma das primeiras equipes de gestão administrativo-financeira daquela instituição acadêmica, locada em sua Reitoria. Já casado e pai de minhas irmãs, não pudera mais realizar o desejo de formar-se advogado e médico, mas passou a incentivar os irmãos mais jovens e os sobrinhos, que vieram a exercer essas mesmas profissões. Violinista com formação clássica e cultivador da música de Johann Sebastian Bach habituara-se a longas conversas com meus avós maternos sobre música, e também política, para desespero de minha mãe, ainda muito jovem. Nutria especial interesse pelo xadrez, sagrando-se campeão estadual e nacional em diversos torneios em São Paulo.

A história de meu pai assemelha-se à de centenas de pais oriundos de uma geração de empreendedores que ajudaram a construir determinados setores da vida pública e acadêmica de São Paulo; porém, dele ficou-me a lembrança, embora vaga, pois ele falece já idoso, na minha infância, mas sempre lembrado pelos familiares, de um homem idealista e perseverante em seus objetivos. Nunca fora religioso no sentido do cumprimento formal da religião, mas nutria especial apreço pela Doutrina Espírita, cujos estudos e trabalhos doutrinários desenvolvia juntamente com os irmãos, num centro inaugurado pelo grupo no bairro do Cambuci, onde também se discutia Filosofia, pois via neste ramo do saber uma ponte para o efetivo desenvolvimento consciencial e ético, quando visto sob as luzes da Filosofia Espírita.

Lutara bravamente contra as enfermidades que o acometeram, e sua coragem o conduzia, infatigavelmente, ao trabalho e ao estudo constantes. Tempos depois, já na minha idade adulta, seu Espírito manifesta-se num centro espírita, relatando as próprias experiências ao desencarnar. Passados os primeiros momentos de adaptação, dedicara-se ao estudo perseverante da doutrina de Luz, e afirmava que nós, os encarnados no plano das formas, jamais poderíamos imaginar a grandiosidade da Filosofia Espírita em outros níveis de consciência, pois esta retratava fielmente os ensinamentos de Jesus, mais ampliados e mais belos. Preparava-se para nova reencarnação, com objetivos específicos de atuação com base na filosofia de seu coração, a espírita.
O jovem, meu pai, que tivera sonhos, como todo jovem, mas que os deveres se impuseram às realizações mais acalentadas, trazendo-lhe experiências mais contundentes e sofridas, mas certamente necessárias ao seu Espírito, hoje, diferente do papai que conhecemos, transformou-se, e prepara-se para participar do grande momento de renovação da Terra, assim como milhares de Espíritos, renovados pela Lei de Progresso vigente em seus corações e raciocínio, como um natural processo da evolução do ser.

Não sabemos qual a sua missão-tarefa. Seria indiscreção de nossa parte investigar a respeito. Todavia, fica a lembrança de um homem idealista, perseverante nas opiniões das quais jamais abriu mão quando sabia serem corretas, pois pautadas na ética, no trabalho, no correto cumprimento de seus deveres e obrigações. Meu pai, que a vida não me concedeu tempo para conhecer mais aprofundadamente, transformou-se, de pai, em amigo, e muito tem me inspirado às próprias realizações. Hoje, ele tem o infinito à frente para sonhar, idealizar, planejar, realizar efetivamente. Certamente outros Espíritos o acompanharão nesse mister. Muito há a fazer e assim será por intermédio das gerações que devem surgir – e estão surgindo - como um natural processo de renovação da Terra. Meu pai não mais será o pai que conhecemos, mas um Espírito renovado em seus novos objetivos.

Assim ocorre, a cada dia. O processo de atualização do planeta, que gradativamente se despede do plano moral de provas e expiações, e se prepara para receber a presença de Espíritos renovados para o Bem, sejam eles da Terra ou oriundos de outros orbes, encontrarão, através da reencarnação, a realização que almejam, pois trazem consigo, como propósito de vida, a remodelação da sociedade na qual estarão inseridos. À prevalência do atual egoísmo vigente, trazem consigo o natural pendor para o altruísmo, para o entrosamento e a participação. Às constrições do orgulho e da prepotência humanos, trazem em si mesmos as próprias realizações a fomentarem o progresso de todos quantos se lhes aproximem.

Até lá, Espírito amigo, caso nos encontremos ou não, deixo registrada a minha gratidão de filha pela vida concedida, e pelo afeto de pai, sentimentos cultivados nos dois planos da existência, distantes pela natureza dimensional, mas próximos através do amor fraterno, naturalmente por bondosa concessão de Espíritos amigos. A certeza de que a nossa família espiritual amplia-se a cada dia, com a adesão de todos aqueles que permutam o mesmo anseio de compartilhar o que há de melhor para o aprimoramento do Espírito humano, na efetiva ação no Bem, nos conhecimentos adquiridos, nas experiências acumuladas, e na religiosidade verdadeiramente sentida em espírito e verdade.

Bibliografia sugerida: Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IV, Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo, item 18; cap. XIV, Honra a teu pai e tua mãe. O Livros dos Espíritos, questões 204, 205, 207ª, 208 e 775.

13 de julho de 2013

PRECISAMOS DIZER ALGUMA COISA ?


A jovem paquistanesa MALALA  YOUSAFZAI que luta pela Educação para as meninas e mulheres em seu país


 


MALALA NA ONU 




MALALA ABRIU UMA FUNDAÇÃO PARA APOIAR A EDUCAÇÃO DE MENINAS CRIANÇAS, JOVENS E MULHERES ADULTAS EM SEU PAÍS. 

9 de julho de 2013

DESERTIFICAÇÃO JÁ ATINGE UMA ÁREA DE 230.000m2 NO NORDESTE

CLIQUE SOBRE A IMAGEM AO LADO E LEIA O ARTIGO NO JORNAL "O GLOBO"- FAÇA A SUA PARTE, DIVULGUE !

Em Gilbués, no sul do Piauí, desertificação atinge 45% do território
Foto: Divulgação
Em Gilbués, no sul do Piauí, desertificação atinge 45% do território

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Homenagem a Hermínio C. de Miranda


Comunicamos a desencarnação do dedicado companheiro Hermínio Correa Miranda, aos 93 anos de idade, ocorrido no dia 8 de julho na cidade do Rio de Janeiro. 

     Hermínio C. Miranda colaborou durante muitos anos com a revista Reformador, escrevendo a seção “Lendo e Comentando” e com artigos avulsos. Pela Editora da FEB, tem publicado os livros: As Marcas do Cristo (2 Volumes), Sobrevivência e Comunicabilidade dos Espíritos, Nas Fronteiras do Além, Reencarnação e Imortalidade, Candeias da Noite Escura, e outros esgotados. (Fonte:09/07/2013: http://www.fec.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=975&catid=35)


Prestamos neste blog a singela homenagem ao   grande espírita que foi o prof. Hermínio Miranda. 

Hermínio Correa de Miranda também escreveu:

1) TEMAS SOBRE CRISTIANISMO: 
  "CRISTIANISMO - A MENSAGEM ESQUECIDA", "O EVANGELHO DE TOMÉ", "OS CÁTAROS E A HERESIA CATÓLICA";

2) TEMAS SOBRE REENCARNAÇÃO: Além dos citados no comunicado acima, em especial "REENCARNAÇÃO E IMORTALIDADE", onde o autor estuda a excepcional mediunidade psicográfica de TAYLOR CALDWELL (autora, dentre outros de A Glória que passou, sobre a história de Péricles e Aspásia, no Século V a.C., século onde nasceram Sócrates, Platão e Aristóteles, Sófocles, Eurípedes, Fídias e muitos outros artistas, poetas, escritores e filósofos do famoso Século de Péricles, o grande mecenas das Artes e da Filosofia, Um Pilar de Ferro, história de Cícero, orador e filósofo romano, Eu, Judas, sobre Judas Iscariotes, MÉDICO DE HOMENS E DE ALMAS, sobre o apóstolo Lucas, O GRANDE AMIGO DE DEUS, sobre Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios); "ARQUIVOS PSÍQUICOS DO EGITO" (um excepcional estudo analítico sobre a história, a língua escrita e falada no Egito Antigo, feito por estudiosos ingleses através da mediunidade de Rosemary); "EU SOU CAMILLE DESMOULINS" (sobre a vida e morte do jornalista francês, um dos intelectuais da Revolução Francesa, naquele momento reencarnado no Brasil); "AS  MIL FACES DA REALIDADE ESPIRITUAL" (onde comenta a "aventura póstuma" do famoso herói inglês, Lawrence da Arábia), dentre outros;   

3) PEDAGOGIA ESPÍRITA: 
"NOSSOS FILHOS SÃO ESPÍRITOS", e outros; 

4) ESTUDOS SOBRE OS MECANISMOS MENTAIS: 
"A MEMÓRIA E O TEMPO", "MEMORIA CÓSMICA", "ALQUIMIA DA MENTE", dentre outros;   

5) TEMAS SOBRE MEDIUNIDADE e OBSESSÃO/DESOBSESSÃO: 
"DIVERSIDADE DE CARISMAS", "DIÁLOGO COM AS SOMBRAS", a coletânea de estudos  sobre desobsessão, iniciado com "A IRMÃ DO VIZIR", "CONDOMÍNIO ESPIRITUAL", "O MISTÉRIO DE EDWIN DROOD" (estudo sobre a obra inacabada de Charles Dickens, completada por médium inglês após a morte do primeiro), e muitos outros;    

6) A destacar, um estudo sobre PROGRESSÃO DE MEMÓRIA, realizado  nos EUA e que mereceu a sua atenção conforme os estudos espíritas que conhecia profundamente; 

Hermínio Miranda foi autor de inúmeros artigos, muitos dos quais se tornaram livros, como alguns dos citados acima. Fluente em inglês, pesquisador de pesquisadores norte-americanos e ingleses, em estudos sérios sobre espiritualidade e reencarnação.  

Pessoalmente, tive o prazer de encontrá-lo algumas vezes em Congressos, onde modesto, dizia preferir o discreto escritório de seus estudos, e pela primeira vez, ao lado da sra. Deolindo Amorim, sra. Delta Amorim, quando autografava o livro do recém desencarnado e grande professor no qual tivera participação importante: O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS ATUAIS. 

Nunca esquecerei a sua cordialidade fraterna, a sua gentileza e simplicidade diante de uma jovem iniciante nos estudos e pesquisas espíritas que era eu mesma, feliz por estar frente a um dos maiores estudiosos e pesquisadores que o Espiritismo já pudera ter no Brasil. O professor Hermínio, diante de meu imenso respeito e emoção, fraternalmente conversou comigo, sobre a nossa grande paixão tornada objetivo de vida: o Espiritismo.

Parte de sua obra compõe o acervo de obras pesquisadas para o Projeto Estudos Filosóficos Espíritas - esta é a singela homenagem que pudéramos prestar ao grande estudioso, além de fazê-las constar dos programas deste Projeto. Que Jesus possa recebê-lo em seus braços  - e que ele, espírita que jamais se utilizou do Espiritismo como degrau ascensional para os seus  interesses pessoais, possa orar por todos nós, espíritas imperfeitos e ainda imaturos diante da grande obra dos Espíritos do Bem. 

Sonia Theodoro da Silva - São Paulo, 09 de julho de 2013. 

1 de julho de 2013

ESPIRITISMO E POLÍTICA PARTIDÁRIA


No século XVI, o pensador Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreve a sua obra prima, “O Princípe”. Nascido em pleno Renascimento, o pensador é considerado fundador da Ciência Política Moderna – foi um funcionário público de Florença, e eventual conselheiro dos Médici, muito próximo de Lourenço, o Magnífico. Acusado de traição, foi forçado ao ostracismo, quando então escreve as duas principais obras políticas: a já citada acima e “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio”.

De formação humanística, Maquiavel trazia como um dos modelos de organização política a do Império Romano. “Maquiavel começa o capítulo oitavo de O Príncipe invocando um exemplo histórico, para então induzir de  tal acontecimento um raciocínio geral: ele apresenta Agátocles como um exemplo de político cruel contemporâneo. Em seguida, discorre sobre o uso bom ou ruim (no sentido útil) da crueldade na política.” (ROCHA e QUERIQUELLI, 2011).
Interessante notar que o pensador renascentista não dispõe de um conceito de Estado, e, portanto, não consegue compreender plenamente o surgimento de um Estado nacional. Para Maquiavel, não existe diferenças entre Francisco I da França, Carlos V e César Bórgia;  ele apenas percebe a necessidade de se criar uma unificação nacional para que a Itália vença as suas divisões. Como uma das noções centrais do pensamento maquiavelano, a natureza humana é perversa. “Os homens seriam essencialmente maus” (ibid, 2011). “Os homens são ingratos, volúveis, simulados e dissimulados, fogem dos perigos, são ávidos de ganhar (...), tem menos receios de ofender a quem se faz amar do que a outro que se faça temer (...) e esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio. (...) Comprazem-se tanto em suas próprias coisas e de tal modo se iludem que raramente se defendem dos aduladores (...), e sempre se revelarão maus, se não forem forçados pela necessidade a serem bons (MAQUIAVEL, 2001, p.80 – 81). 

Para ele, todas as relações humanas são relações de poder. “Para o indivíduo, os outros ou são obstáculos ou são instrumentos para a realização de seus fins. Exatamente por isso, é necessário controlá-los sem se deixar cair no controle deles.” (ibid, 2011).

Durante a Idade Média, era comum avaliar os atos políticos por meio de juízos de valor, considerados e levados à prática pela Igreja cristã. Ignorando ou deixando de lado a moral cristã, Maquiavel inaugura a ruptura entre política e moral, ou seja, o ato político deixou de ser avaliado pelo seu valor moral, considerado por ele de sujeição e domesticação pelo clero, para ser avaliado por seu sucesso perante a manutenção de poder. “Se vistos pela ótica da moralidade cristã, dificilmente seriam admissíveis conselhos como: enganar as pessoas, aparentar qualidades que são valorizadas pelo povo e renegar estas qualidades quando estas não forem mais úteis; assassinar aliados quando necessário para a manutenção do poder (...) (ibid, 2011).”  O príncipe deve ser temido mas, por outro lado,  deve cuidar para que não seja odiado.

Sua obra, “O Príncipe”, é considerado um verdadeiro manual de absolutismo, já que seu maior desejo é ver uma Itália forte e unificada politicamente que somente um príncipe que preencha aquelas condições poderá fazê-lo.

Maquiavel ainda hoje é considerado – através de seus livros – um ícone para  muitos políticos de direita, de esquerda ou de centro. Dotado de uma sagacidade ímpar, ele planta as raízes que devem fazer florescer a mais forte das árvores: a do poder absoluto, e que jamais viria ao encontro dos ideais de uma democracia plena, mais tarde desenvolvida teoricamente nas Americas e na França, por conta de suas revoluções locais, porém, nesta última, culminando no regime do terror.  

Assim como Maquiavel, outros pensadores abordaram o poder de forma ampla como Hobbes, Locke e Rousseau. Cada um inserido em seu tempo, e culturas, porém com seus braços estendidos ao nosso século XXI, pois não é preciso muito para analisarmos como as suas ideias ainda se encontram inseridas na política global, compondo manuais de conduta perante as massas, como controlá-las e como manter aliados nas difíceis manobras do poder.

Diante dos fatos acima, pensemos com Allan Kardec em “Viagem Espírita em 1862”, quando diz que as sociedades deverão unir-se em um mesmo ideal de convivência pacífica e distributiva, onde a solidariedade deva se dar de forma expontânea e digna.  

O prof. Rivail, profundo conhecedor da alma humana, sabia – e sabe – que as relações humanas para que se concretizem no ideal cristão, teriam que passar por diversas fases e muitas crises, uma vez que grande parte da humanidade é composta de Espíritos existencialmente imaturos e em muitos casos, rebeldes, o que levaria por dedução a julgá-los irresponsáveis, já que não se preveem as consequências deste ou daquele ato praticado, mas sim a obtenção, o lucro, a abrangência ou projeção pessoal, bem como a sagacidade nele aplicados para a manutenção de seus desejos escusos.

Pensarmos em ideal cristão e espírita em meio tão controverso pode parecer ingênuo, porém, o bom espírita que também é o bom cristão sabe que o seu papel é o do fermento da parábola de Jesus, que leveda a massa – a grande massa onde há desonestidade e desrespeito ao próximo, com o contributo de seu pensamento e posturas ético-morais, ou seja, respeitando a Vida, respeitando a mulher, respeitando o idoso, a criança, exemplificando com leal e profundo apreço o Evangelho do Mestre, tal como Kardec o fez.

Léon Denis, em meio à eclosão de revoltas políticas e da I Guerra Mundial onde a França sofreu perdas e destruição, preconizava a nobre ação do espírita a viver e exemplificar um “socialismo” com base na Lei de Sociedade (III Parte de O Livro dos Espíritos), na Lei de Igualdade e na Lei do Amor.
Em seu livro “Socialismo e Espiritismo”, diz Denis (meus destaques da obra): a solidariedade dos seres  na comunhão universal é um princípio sagrado no qual deve se inspirar toda grande obra  (...) Ligados através de nossas vidas, prosseguindo todos em um objetivo comum, nos sentimos unidos por fortes laços e chegaremos, com o tempo, através das perfeições realizadas, à formação de uma grande família (...) (DENIS, Socialismo e Espiritismo).

Portanto, em nenhum momento, nem durante nem posteriormente aos conflitos que a França atravessou, os baluartes do Espiritismo sequer pensaram em fundar partidos políticos sob a legenda espírita, pois sabiam que esta facilmente cairia – através de seus componentes – no lugar comum da política vigente.

O Espiritismo é a síntese conceptual do pensamento – é o método de bem viver, de bem conhecer a Verdade, de respeitar a si e ao próximo. Jesus jamais se imiscuiu nos poderes de seu tempo, imersos em lutas fratricidas de conquista, de supremacia custasse o que custasse, atribuindo a César o que lhe era devido – ou seja, não havia condições de diálogo com César, aplacado em sua sede de poder pelo pagamento de impostos, embora injustos e cobrados pela força.

Sua luta era outra – a mesma que seu discípulo fiel, Kardec, inicia – a do bom combate, seguida de perto por outro guerreiro da Paz, Paulo de Tarso, de outros guerreiros da não-violência como Mahatma Gandhi, Luther King e de centenas de milhares de outros em nosso tempo, muitos anônimos.   

Temos consciência de que o momento atual é de grandes mudanças, de que o espírita é chamado a participar dessas mudanças, mas acima de tudo de que a maior transformação que lhe cabe realizar é a de seu próprio caráter, harmonizando-o com os ensinamentos de Jesus e decodificados por  Allan Kardec e sua divina parceria com o 
o Mestre e com os Luminares da espiritualidade humana.

Fundar partidos sob legendas espíritas é jogar o Espiritismo nas lutas inglórias, mesquinhas, pretensiosas e menores das arenas políticas. Mais, é usá-lo como degrau ascensional à arrogância e orgulho pessoais.

“Recorda-te de que a vida é curta; esforça-te, pois, por conquistar, enquanto o podes, aquilo que vieste aqui realizar: o verdadeiro aperfeiçoamento. Possa teu Espírito partir desta Terra mais puro do que quando nela entrou! Pensa que a Terra é um campo de batalha, onde a matéria e os sentidos assediam continuamente a alma; corrige teus defeitos, modifica teu caráter, reforça a tua vontade; eleva-te pelo pensamento, acima das vulgaridades da Terra e contempla o espetáculo luminoso do céu.”  (DENIS, Depois da Morte).

Sonia Theodoro da Silva 

Bibliografia:
O Príncipe, Nicolau Maquiavel;
Filosofia Política I, Leandro Rocha e Luiz H. Queriquelli
Viagem Espírita em 1862, Allan Kardec
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.
Socialismo e Espiritismo, Léon Denis
Depois da Morte, Léon Denis.
Pão Nosso, Emmanuel/Chico Xavier, it.106, Há muita diferença.   

Sugestão de pesquisa (veja o que pensam José Herculano Pires e seu biógrafo Jorge Rizzini):

21 de junho de 2013

I WAS BLIND BUT NOW I SEE...






AMAZING GRACE - CELTIC WOMAN

NOSSA HOMENAGEM AO BRASIL QUE ANSEIA POR NOBREZA, ÉTICA E SOLIDARIEDADE. 

CEFE, JUNHO 2013 

10 de maio de 2013

MINHA MÃE



Sempre recebeu a todos com um sorriso nos lábios; sempre teve uma palavra de conforto aos necessitados, amparando-os com alimentos, roupas, artigos de primeira necessidade; sempre procurou auxiliar as pessoas que a cercavam, inclusive familiares, porém preservando a mais absoluta discreção com relação às questões humanas. 

Sempre atribuiu à família a máxima importância, procurando preencher o vazio que o marido, falecido precocemente, deixara nos corações das filhas. Casou-se muito jovem com Luiz, e ao enviuvar, dispôs-se a trabalhar para completar a tarefa de educação da filha menor, já que a do meio casara-se, e a adotiva morava nos Estados Unidos (esta última, adotada em palavras, já que sempre foi sua filha do coração). 

A vida premiou-lhe com grandes dissabores que soube superar com coragem, empenho e um sorriso. Na juventude, trabalhou no atelier do próprio pai, como sua assistente, ao mesmo tempo em que estudava, ajudava à mãe (ambos italianos) e aos irmãos, por quem sempre nutriu imenso afeto. Ao casar-se, a dedicação estendeu-se à família do marido, procurando superar as dificuldades iniciais de relacionamento.

Às perdas - pois não as julgava como tal –, Deus, dizia ela, sabe melhor do que nós o que precisamos. E elas, as perdas, se sucederam, ao longo de toda a sua longa jornada. Porém, jamais lamentou-se, jamais buscou culpados frente aos dissabores naturais que a vida nos coloca. Já avó, tratava aos netos com igual afeição, procurando orientá-los e direcioná-los para uma vida digna e correta. Às conquistas acadêmicas,  profissionais e pessoais destes, alegrava-se alertando-os quanto às responsabilidades a serem assumidas.
Residia em nossa companhia, mas seus últimos anos, difíceis devido aos desafios que a saúde precária lhe ofertava, passou-os  estudando sobre a vida nas dimensões espirituais. Passávamos longas noites conversando e trocando ideias, tendo como ferramenta de estudos os livros que eu mesma lia em voz alta, já que a visão lhe falhava: “Nosso Lar”, “Voltei”, além de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”(seu livro de cabeceira), “O Livro dos Espíritos”, “Paulo e Estêvão” e muitos outros. Seus últimos pensamentos foram em direção aos familiares. Mas também aos demais pacientes que a cercavam no mesmo andar do Hospital: ore por eles, dizia.

Sua coragem, dignidade e a aceitação natural com que enfrentou todos os desafios existenciais, o exemplo que deixou às filhas, aos netos, a todos os que a cercavam, redimensionou as nossas vidas. Exemplo de mulher e de mãe, a ela direciono hoje, Dia Universal das Mães, o meu pensamento de imenso respeito e carinho.  A sua ausência, nesta dimensão, foi preenchida com a sua história. Soubemos de sua chegada às dimensões extra corporais, do seu repouso inicial até as tarefas que lhe couberam e que, hoje, preparam-lhe a trajetória infinita. 
A você, minha mãe, minha amiga Clelia, exemplo de coragem na adversidade, meu espelho e meu estímulo, a minha imensa saudade – e a minha alegria,  por tudo o que compartilhamos, por sua herança valiosa de paz e de amor. E como você nunca deixou de pensar no próximo, a nossa homenagem se estende a todas as Mães, através de você.
    



29 de março de 2013

VOCÊ CONHECE A HISTÓRIA DA PÁSCOA?


JESUS, SEGUNDO PAULO DE TARSO, TROUXE UMA MENSAGEM UNIVERSAL; JAMAIS PODERIA FICAR RESTRITA A UMA SÓ CULTURA, UM SÓ PAÍS, UMA SÓ COMUNIDADE, JAMAIS PODERIA FICAR CIRCUNSCRITA A UMA SÓ REGIÃO.

JESUS É POR TODOS, É DE TODOS, AMA-NOS INCONDICIONALMENTE.

JESUS, MESTRE  AMADO, RECEBA DE NÓS, TEUS IRMÃOS E IRMÃS  QUE AINDA NÃO TE COMPREENDEMOS OS CAMINHOS, A MENSAGEM, A VIDA, OS CONSTANTES CONVITES À NOSSA RENOVAÇÃO,  O NOSSO IMENSO AMOR, A NOSSA IMENSA GRATIDÃO;

QUE NESTA CELEBRAÇÃO DA SUA VOLTA DAS SOMBRAS DA MORTE, POSSAMOS COMPREENDER  A  GRANDIOSIDADE DE TEU SACRIFÍCIO, DE TUA DOAÇÃO, DE TEU AMOR POR TODOS.

(ALGUNS CONCEITOS EMITIDOS PELO VIDEO CORRESPONDEM À VISÃO RELIGIOSA PROTESTANTE)

7 de março de 2013

AS MULHERES NA FILOSOFIA E NA FILOSOFIA ESPÍRITA


(Marjorie Estiano, em bela performance de Laura, em Lado a Lado)


Estaremos lançando, em Março, Mês Especial da Mulher, a coluna As Mulheres na Filosofia e na Filosofia Espírita, no Portal CEFE-Centro de Estudos Filosóficos Espíritas www.filosofiaespirita.org onde, a cada período, falaremos sobre a Conspiração do Silêncio que envolveu e envolve o trabalho intelectual de todas as pensadoras que o mundo conheceu ou de quem nunca sequer ouviu falar – também incluiremos as médiuns e sensitivas que pontilharam de luzes a nossa existência.
E por que não enaltecer as mulheres de hoje, pensadoras, intelectuais, e ao mesmo tempo profissionais, mães, filhas, irmãs, sobrinhas? E por que não incluir as que lutam pelos Direitos Humanospela preservação da Natureza, pela caridade e pelo Amor ; falaremos sobre e pelas Dorothys Steng, Teresas de Calcutá, Hipácias de Alexandria, Aspásias de Mileto, Marias de Magdala, Marias Montessori, pelas Tessas ( mulher metáfora em O Jardineiro Fiel) e sobre muitas, muitas outras.
Aguardem !!

12 de fevereiro de 2013

CARNAVAL OU MOZART? (UM DIÁLOGO ATEMPORAL)


Um dia conversávamos com um Maestro e com uma Pianista. E a nossa conversa girava em torno de, claro, música. Foi quando o Maestro, desviando o assunto, exclamou: Mas, e o carnaval? Onde fica a cultura nesses dias onde tudo é permitido? Quando as mulheres esquecem o pudor e os homens, ah, estes nem se fala!..

O prezado leitor já deve ter percebido que o querido Maestro pertencia à geração dos antigos. Prosseguiu ele: Eu me lembro de quando era criança, apreciava as brincadeiras, os carros que saíam às ruas em desfile. Meu tio-avô era um dos aficcionados da festa de Momo. Ele reunia seus amigos, e todos saíam em seus automóveis, portando máscaras e lança-perfumes - a máscara, para que ninguém os reconhecesse e o lança-perfumes, para que, embriagados no doce aroma, pudessem permitir-se ao divertimento, sem qualquer constrangimento.

E assim era durante os quatro dias. Na quarta-feira - ah,a contradição -, iam todos em fila à Catedral da Sé, vestirem-se de cinzas, pedirem perdão dos excessos cometidos, das homéricas bebedeiras, dos beijos roubados, das palavras mal-ditas, das noites boêmias mal-dormidas. Ah, a consciência !

Ao que a Pianista acrescentou - e as músicas, então? Simples jogos de palavras soltas, sem qualquer pretensão de aculturamento, mas, ao contrário, desprestigiando a cultura brasileira. Veja só Noel Rosa! Veja Pixinguinha! O que Villa-Lobos diria?

E eu, ouvia e meditava. Será que eles tinham ouvido falar de Tom Jobim? De Ari Barroso e do "Aquarela do Brasil"? De Chico Buarque e de suas músicas contra a Revolução de 64, que trouxe a ditadura ao Brasil? De Toquinho e Vinícius? Foi quando deu entrada à sala, o Escritor: Bem, querido Maestro e prezada Pianista, onde fica Lobato nesta história? Sem falar dos universais Castro Alves, Alencar, Victor Hugo, Alexandre Dumas, e Charles Dickens? E Shakespeare? E o nosso Machado? Falando em Universais, disse o Maestro, falemos de Mozart! E bateu palmas, feliz.

Quando ele disse - Mozart - meu coração quedou-se, como num staccato de uma grande sinfonia. E num momento atemporal, onde não existe espaço, nem dimensões como as conhecemos, mas um grande Silêncio, ali, à minha frente, num maravilhoso foco resplandecente de cores e luzes, surgiram como num mosaico em movimento, todos os grandes compositores, pensadores, instrumentistas e virtuoses, poetas, pintores, escultores, educadores, estetas, num portentoso concerto em homenagem à ela, a Arte. E seja por inspiração do grande compositor, ou porque o momento era propício, a sala transformou-se, feéricamente iluminada por lustres invisíveis como de cristal, aumentando suas dimensões, atingindo as esferas celestes, transfigurando os nossos personagens, mudando o teor e o colorido das conversações.

E o Escritor, inspirado, disse: O objetivo essencial da Arte, é a busca e a realização do Belo; é, ao mesmo tempo, a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita do Bem e do Belo.

Ao que o Maestro retrucou: Mas quanto mais a inteligência se purifica, se aperfeiçoa e se eleva, mais se impregna da idéia do Belo!

Disse a Pianista: Sim, o objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza (em sua essência, sem atavismos e aparências), a fim de realizá-la no ser e em suas obras. Tal é a regra da alma em sua ascensão infinita.

Na Terra, completou o Escritor, nem todos os artistas inspiram-se nesse ideal superior. A maior parte limita-se a imitar o que chamam "a natureza", sem se aperceberem de que esta não é senão um dos aspectos da obra divina. Porém, no espaço, continuou a Pianista, a arte se reveste, ao mesmo tempo, das mais sutis e mais grandiosas formas, e ilumina-se com um reflexo divino.

E o Maestro: meus caros, nada se iguala à Música. Vejam uma “Meditação de Thaís” de Jules Massenet! Quanta grandiosidade, quanta leveza!

E eu, pobre mortal, pensei, mas, e Mozart, e o carnaval?

Continuou o Maestro, lembramos aqui que todo Espírito que emana de Deus não apenas possui uma centelha da inteligência divina, como, ainda, goza de uma parcela do poder criador, poder que ele é chamado a manifestar cada vez mais no decorrer de sua evolução, tanto em suas encarnações planetárias quanto na vida no espaço.

Na Terra, sob o véu da carne, essa inteligência e esse poder ficam diminuídos; e contudo é maravilhoso constatar até que ponto o talento do homem pôde subjugar as forças brutais da matéria, vencer a sua resistência, sua hostilidade, submetê-las às suas necessidades e até mesmo às suas fantasias!

Tornei a pensar, neste caso, Beethoven, Brahms, Bach, Carlos Gomes, Dvorak, Tchaikowsky e outros, seriam exemplos disto?

Certamente, respondeu o Escritor. Mas eu apenas pensei! E ele respondeu-me!

Sim, querida menina, o pensamento cria formas, sons, em um grau mais elevado, por exemplo nas materializações de Espíritos, a vontade destes cria formas, rostos, vestimentas, atributos semelhantes aos que eles possuíam na Terra e que nos permitem reconhecê-los, identificá-los. A vontade lhes dá a consistência necessária para tocar os sentidos dos observadores. Os Espíritos Mozart (até que enfim, pensei novamente), Victorien Sardou e outros erigiram para si palácios ornados de plantas e de flores.

Prosseguiu o Maestro, inspirado pela citação do nome de Mozart: O papel essencial da Arte é expressar a vida com todo o seu poder, sua graça e sua beleza. A Arte se eleva e progride em todos os graus da escala da vida realizando formas cada vez mais nobres e perfeitas, que se aproximam da fonte divina de eterna beleza.



E qual não foi o meu espanto, quando deu entrada à sala, nada mais nada menos que o Filósofo, que, aproximando-se, sorridente, exclamou: A música é uma lei moral. Dá alma ao universo, asas ao pensamento, saída à imaginação, encanto à tristeza, alegria e vida a todas as coisas. Ela é a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, e do qual ela é a forma invisível, mas, no entanto, deslumbrante, apaixonada, eterna.

Prosseguiu nosso Filósofo: O infinito das idéias, dos quadros, das imagens, é como um desafio aos limitados recursos do vocabulário terrestre. Com efeito, como encerrar em palavras, como resumir em palavras todo o esplendor das obras que se desenvolvem nas profundezas dos céus estrelados?

E voltou os olhos ao Educador (que, esqueci-me de citar, quedara em silêncio todo esse tempo). Ao contrário do que se imagina, começou a dizer, todos podemos acessar o Belo, pois ele é lei soberana, objetivo supremo do universo. Todos os problemas do ser e do destino resumem-se em poucas palavras. Cada vida deve ser a construção, a realização do belo, o cumprimento da lei.

Neste instante, todos (eu inclusive), silenciamos a palavra e o pensamento. Não mais nos preocupávamos com as manifestações próximas do carnaval que, se no passado trazia a imagem de uma alegria fortuita e permitida (não seria permissiva?), hoje, enlouquecia os Espíritos, na afanosa tarefa de os fazer voltar as manifestações instintivas de satisfações efêmeras, desequilibrantes, minimizando, senão anulando as capacidades evolutivas em ascensão.

Lembrei-me de Emmanuel: Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças das trevas nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.

A triste festa iria começar em breve. Resquícios de costumes perdidos na Antiguidade de nossa cultura ocidental, pensei, que alegria é esta que se manifesta e exige bebidas, gritos, fantasias, carros alegóricos e desregramentos para se manifestar? E o mais grave: Por quê, se estamos num mundo grande parte cristão? Mas, de pronto, lembrei-me das palavras da personagem Magda, do livro Madalena, A Conversão do Mundo: é o fermento levedando a farinha. Lembremos a parábola de Jesus. Uma medida de fermento faz levedar a massa de farinha, mas para isso tem de misturar-se com ela. O processo de fermentação é lento e apresenta várias fases. O Evangelho está no mundo e vem levedando a sua massa há quase dois mil anos. A massa cresce, mas nova farinha lhe é adicionada a cada geração. A farinha do mundo está num saco invisível, e esse saco tem as dimensões do infinito. E esse pouco mais é o acréscimo da dimensão cristã à consciência humana. O Evangelho é esse acréscimo, uma pequena medida de fermento a levedar a massa do mundo. Nosso conhecimento possível é também uma medida de fermento e precisamos cuidar que ela não se perca, não se deteriore.

Voltei os olhos ao Maestro, à Pianista, ao Escritor, ao Filósofo, ao Educador. Ainda teríamos um bom tempo antes que a humanidade em nós cedesse lugar à Espiritualidade - mas, nesse ínterim, teríamos que passar por uma extensa trajetória de aprendizado e conscientização. Lembrei-me ainda das equipes espirituais no trabalho constante de aprimoramento da ética e da moral, através de seus dignos representantes na Terra e no Espaço. Com Sócrates, a estimular o Ser à busca de si mesmo, no auto-questionamento, na perquirição filosófica constante. E a partir dele, seguiram-se na linha do tempo as figuras dos Grandes Imortais em todos os ramos da Cultura, da Arte, das Ciências Exatas, da Filosofia, da Educação, das Religiões. Foi quando todos eles me disseram: O Espírito humano não pode se elevar até as supremas alturas da Arte cuja fonte é Deus, mas ele pode, ao menos elevar a elas as suas aspirações.
E como transformar as nossas aspirações em anseios de ascensão? Ou seja, qual o caminho a seguir para alcançar uma visão de vida menos materialista, menos embrutecida, menos niilista, menos imediatista, menos omissa?

E eles, sorrindo diante de minhas dúvidas, disseram: Toda ascensão da vida à perfeição eterna, todo esplendor das leis universais, resumem-se em três palavras: Beleza, Sabedoria, e Amor. E acrescentou o Filósofo: Quando nós, seres humanos, encontrarmos dentro de nós mesmos e no outro a projeção Divina do Bem e do Belo, saberemos exteriorizar de forma mais adequada a nossa bagagem interna. Até lá, lutaremos pelo entendimento, pela compreensão; em suma, pelo próprio livre-arbítrio, em seu verdadeiro sentido de condutor e libertador da nossa própria ignorância, o que nos torna, por ora, diante da Existência, ovelhas perdidas e desgarradas do aprisco do Pai, nesta belíssima metáfora de Jesus, que nos tornou parte da Criação Universal sob a Sua Égide. Então, veremos uma nova Renascença na Terra, desta feita, como resposta aos anseios de Espiritualidade dos Seres Humanos, erguidos à sua verdadeira Humanidade.

Silenciei, pois não havia mais nada a dizer.

(Sonia Theodoro da Silva)

(Diálogo virtual, com excertos das palavras de Léon Denis na obra O Espiritismo na Arte); Bibliografia: Madalena, A conversão do mundo, de José Herculano Pires.

PUBLICADO: Revista Internacional de Espiritismo, Ano 89, No.03, Abril 2004, Ano Comemorativo aos 200 Anos de Nascimento de ALLAN KARDEC;
PUBLICADO: Espaço da Autora na Página Colunistas site FEAL: http://www.feal.com.br/artigo.php?car_id=14&col_id=22&t=Carnaval-ou-mozart---um-dialogo-atemporal.

27 de janeiro de 2013

A GRANDE EDUCADORA (Balada aos que sofrem)


Autor Léon Denis / Médium Yvone A. Pereira

Chama-se Dor.

Revela-se na desventura do amante, na desolação da orfandade, na angústia da miséria, no alquebramento da saúde, no esquife do ser querido que se foi deixando atrás de si a lágrima e o luto, no opróbrio da desonra, na humilhação do cárcere, no aviltamento dos prostíbulos, na tragédia dos cadafalsos, na insatisfação dos ideais, na tortura das impossibilidades – no acervo das desilusões contra que se confunde e se decepciona o coração da Humanidade.

Não obstante, a Dor é a grande amiga a zelar pela espécie humana, junto dela exercendo missão elevada e santa.

Estendendo sobre as criaturas suas asas, úmidas sempre do orvalho regenerador das lágrimas, a Dor corrige, educa, aperfeiçoa, exalta, redime e glorifica o sentimento humano a cada vibração que lhe extrai através do sofrimento.

O diamante escravizado em sua ganga sofre inimagináveis dilacerações sob o buril do lapidário até poder ostentar toda a real pureza do grande valor que encerra. Assim também será a nossa alma, que precisará provar o amargor das desventuras para se recobrir dos esplendores das virtudes imortais cujos germens o Sempiterno lhe decalcou no ser desde os longínquos dias do seu princípio!

A alma humana é o diamante raro que a Natureza – Deus – criou para, por si mesmo, aperfeiçoar-se no desdobrar dos milênios, até atingir a plenitude do inimaginável valor que representa, como imagem e semelhança dAquele mesmo Foco que a concebeu. Mas o diamante – Homem – acha-se envolvido das brutezas das paixões inferiores. É um diamante bruto! Chega o dia, porém, em que os germes da imortalidade, nele decalcados, se revolucionam nos refolhos da sua consciência, nele palpitando, então, as ânsias por aquela perfeição que o aguarda, num destino glorificador: - Foi criado para as belezas do Espírito e vê-se bruto o inferior! Destinado a fulgir nos mostruários de esferas redimidas, reconhece-se imperfeito e tardo nas sombras da matéria! Sonha com a sublimização das alegrias em pátrias divinais, onde suas ânsias pelo ideal serão plenamente saciadas, mas se confessa verme, porquanto não aprendeu ainda sequer a dominar os instintos primitivos!

Então o diamante – Homem – inicia, por sua vontade própria, a trajetória indispensável do aperfeiçoamento dos valores que consigo traz em estado ignorado, e entra a sacudir de si a crosta das paixões que o entravam e entenebrecem.

E essa marcha para o Melhor, essa trajetória para o Alto denomina-se Evolução!

A luta, então, apresenta-se rude! É dolorosa, e lenta, e fatigante, e terrível! Dele requer todas as reservas de energias morais, físicas e mentais. Dilacera-lhe o coração, tortura-lhe a alma, e o martirológico, quase sempre, segue com ele, rondando-lhe os passos!

Mas seu destino é imortal, e ele prossegue!

E prosseguindo, vence!...

Então, já não é o bruto de antanho...

O diamante tornou-se jóia preciosa e refulge agora, pleno de méritos e satisfações eternas, nos grandes mostruários da Espiritualidade – esferas de luz que bordam o infinito do Eterno Artista, que é Deus!

A Dor, pois, é para o Espírito humano o que o Sol é para as trevas da noite tempestuosa: - Ressurreição! Porque, se este aclara os horizontes da Terra, levantando com seu brilho majestoso o esplendor da Natureza, aquela desenvolve em nosso ego os magnificentes dons que nele jaziam ignorados: - fecunda a inteligência, depurando o sentimento sob as lições da experiência, educando o caráter, dignificando, elevando, num progredir constante, todo o ser daquele em quem se faz vibrar, tal como o Sol, que vivifica e benfaz as regiões em que se mostra.

A Dor é o Sol da Alma...

A criatura que ainda não sofreu convenientemente carrega em si como que a aridez que desola os pólos glaciais e, como estes, é inacessível às elevadas manifestações do Bem, isto é, às qualidades redentoras que a Dor produz. Nada possuirá para oferecer aos que se lhe aproximam pelos caminhos da existência senão a indiferença que em seu ser se alastra, pois que é na desventura que se aprende a comungar com o Bem, e não pode saber senti-lo quem não teve ainda as fibras da alma tangidas pela inspiração da Dor!

O orgulho e o egoísmo, cancerosas chagas que corrompem as belas tendências do Espírito para os surtos evolutivos que o levarão a redimir-se; as vaidades perturbadoras do senso, as ambições desmedidas, funestas, que não raro arrastam o homem a irremediáveis, precipitosas situações; as torpes paixões que tudo arrebatam e tudo ferem e tudo esmagam na sua voragem avassaladora que infestam a alma humana, inferiorizando-a ao nível da brutalidade, e os quais a Dor, ferindo, cerceia, para implantar depois os fachos imortais de virtudes tais como a humildade, a fé, o desinteresse, a tolerância, a paciência, a prudência, a discrição, o senso do dever e da justiça, os dons do amor e da fraternidade e até os impulsos da abnegação e do sacrifício pelo bem alheio – remanescentes daquelas mesmas sublimes virtudes que de Jesus Nazareno fizeram o mensageiro do Eterno!

Ela, a Dor, é o maior agente do Sempiterno na obra gigantesca da regeneração humana! É a retorta de onde o Sentimento sairá purificado dos vírus maléficos que o infelicitam! Quanto maior o seu jugo, mais benefícios concederá ao nosso ego – tal como o diamante, que mais cintila, alindado, quanto maior for o número dos golpes que lhe talharem as facetas! É a incorruptível amiga e protetora da espécie humana:- zelando pela sua elevação espiritual, inspirando nobres e fraternas virtudes! Ela é quem, no Além-Túmulo, nos leva a meditar, através da experiência, produzindo em nosso ser a ciência de nós mesmos, o critério indispensável para as conquistas do futuro, de que hauriremos reabilitação para a consciência conturbada. É quem, a par do Amor, impele as criaturas à comiseração pelos demais sofredores, e a comiseração é o sentimento que arrasta à Beneficiência. E é ainda ela mesma que nos enternece o coração, fazendo-nos avaliar pelo nosso o infortúnio alheio, predispondo-nos aos rasgos de proteção e bondade; e proteger os infelizes é amar o próximo, enquanto que amar o próximo é amar a Deus, pautando-se pela suprema lei recomendada no Decálogo e exemplificada pelo Divino Mestre!

Por isso mesmo, o coração que sofre não é desgraçado, mas sim venturoso, porque renasce para as auroras da Perfeição, marcha para o destino glorioso, para a comunhão com o Criador Onipotente! Prisioneiro do atraso, o homem somente se desespera sob os embates da Dor porque não a pode compreender ainda. Ela, porém, é magnânima e não maléfica. Não é desventura, é necessidade. Não é desgraça, é progresso. Não é castigo, é lição. Não é aniquilamento, é experiência. Nem é martírio, mas prelúdio de redenção! Notai que – depois do sacrifício na Cruz do Calvário foi que Jesus se aureolou da glória que converterá os séculos:

- “Quando eu for suspenso, atrairei todos a mim”. – Ele próprio o confirmou, falando a seus discípulos.

Sob o seu ferrete é que nos voltamos para aquele misericordioso Pai que é o nosso último e seguro refúgio, a nossa consolação suprema!

As ilusões passageiras da Terra, os prazeres e as alegrias levianas que infestam o mundo, aviltando o sentimento de cada um, nunca fizeram de seus idólatras almas aclaradas pelas chamas do amor a Deus. É que – para levantar na aridez das nossas almas a pira redentora da Fé só há um elemento capaz, e esse elemento é a Dor! Ela, e só ela, é bastante poderosa para reconciliar os homens – filhos pródigos – com o seu Criador e Pai!

Seu concurso é, portanto, indispensável para nos aperfeiçoar o caráter, e inestimável é o seu valor educativo. Serena, vigilante, nobre heróica – ela é o infalível corretivo às ignomínias do coração humano!

Nada há mais belo e respeitável do que uma alma que se conservou serena e comedida em face do infortúnio. Palpita nessa alma a epopéia de todas as vitórias! Responde por um atestado de redenção! Seu triunfo, conquanto ignorado pelo mundo, repercutiu nas regiões felizes do Invisível, onde o comemoraram os santos, os mártires de todos os tempos, os gênios da sabedoria e do bem, almas redimidas e amigas que ali habitam, as quais, como todos os homens que viveram e vivem sobre a Terra, também conheceram as correções da Dor, ela é a lei que aciona a Humanidade nos caminhos para o Melhor até a Perfeição!

Ó almas que sofreis! Enxugai o vosso pranto, calai o vosso desespero! Amai antes a vossa Dor e dela fazei o trono da vossa Imortalidade, pois que, ao findar dessa trajatória de lágrimas a que as existências vos obrigam – é a glorificação eterna que recebereie por prêmio!

Salve, ó Dor bendita, nobre e fiel educadora do coração humano!

E glória ao Espiritismo, que nos veio demonstrar a redenção das almas através da Dor!

LÉON DENIS

VISUALIZE O TEXTO "TRISTES EVENTOS", em http://filosofiaespiritaencantamentoecaminho.blogspot.com

10 de janeiro de 2013

ESTAREMOS NÓS, OS ESPÍRITAS, NOS OMITINDO?


Poderíamos elencar uma série de questões e desafios que o nosso país atravessa nos dias atuais. Talvez, neste espaço, não coubesse a quantidade imensa de desafios nos quais o espírita poderia ser chamado a colaborar com todo o Conhecimento de que é portador, mas vamos apenas citar a Lei de Causa e Efeito, que traz às nossas mãos – a cada instante, a cada dia, a cada reencarnação – os resultados de nossas ações para o bem ou para a obscuridade.

Bastaria que olhássemos a vida como ela se apresenta hoje, para atestarmos, para comprovarmos os efeitos de nossas ações do passado; ao abrirmos um livro de História os fatos lá contidos demonstram a natureza humana em seus momentos de realizações, mas também de desvarios trazendo-nos, nos dias atuais, os frutos dessas semeaduras.

Vamos enfocar os grandes temas de nossa pátria – o Brasil enfrenta profundas crises morais; acrescente-se a isto o fato de que as populações das grandes cidades não conseguem livrar-se do tráfico de drogas e das suas consequências; o país, através de seus poderes, aprova leis que visam a exploração desenfreada da Amazonia e sua consequente e paulatina ocupação desmedida – então vamos ficando por aqui e dar relevância a este último, com enfoque ao problema de Belo Monte – convidamos os leitores a assistirem ao vídeo que postamos neste blog do Projeto Estudos Filosóficos Espíritas, e que fala por si.

Em 2011 lançamos a Campanha “Descriminalizar ou educar” através destes blogs, do site da Fundação Espírita André Luiz (http://www.feal.com.br/artigo.php?car_id=59&col_id=22&t=DESCRIMINALIZAR--OU-EDUCAR-?-), bem como de parte da imprensa espírita, onde expusemos as ideias de vários de nossos pesquisadores envolvidos com o Projeto Estudos Filosóficos Espíritas, e contrários à aprovação da legislação que pretende liberar o uso das drogas entrorpecentes, pois entendemos que seria o caminho mais curto para termos uma população de zumbis (veja-se os exemplos da Holanda e da Suécia).

Em 2012 lançamos a Campanha Contra a Descriminalização do Aborto, em iguais veículos (http://www.feal.com.br/artigo.php?car_id=67&col_id=22&t=A-DESCRIMINALIZACAO-DO-ABORTO-ANENCEFALICO-), pois entendemos que este ato traria terríveis consequências morais e espirituais para todos os envolvidos, e para a coletividade.

E voltamos a perguntar - estaremos nós, os espíritas, alheios a tudo isto? Nosso papel neste momento, tão proclamado como sendo de transição, é de agir, é de encaminharmos a população ao conhecimento racional dos princípios espíritas, de forma aberta e claramente, colocando-os não como ameaça para um “futuro tenebroso” caso não sejam assimilados, mas como elucidadores de que causa gerada com plena consciência de seus efeitos acarreta colheita efetiva de sofrimento(s) futuro(s).

É o momento de descentralizarmos e desinstitucionalizarmos o Espiritismo, para que ele possa ser acessado por todos. É o momento de orientar e de indicar caminhos; é ainda, o momento de ocupar-se os espaços da mídia com abordagens consistentes e falar-se de assuntos relevantes sob a visão dos princípios espíritas.

É o momento de assumirmos a simplicidade de Jesus de Nazaré, que curava almas e ensinava a caminhar; é o momento de alicerçar o Conhecimento Espírita em suas bases filosófico-científicas com as pesquisas atuais embasadas em critérios de rigor científico e sequentes às dos pesquisadores pioneiros, e dizer abertamente e sem temor: somos Espíritos imortais sim, somos responsáveis por tudo o que fizermos ou deixarmos de fazer, sim, e com todas as consequências geradas pelas nossas ações, inclusive o nosso alheamento.

É o momento de educarmos nossos filhos, netos e sobrinhos, crianças e jovens, com base na Educação Espírita, para que assumam a sua identidade de Espíritos reencarnantes, sob a orientação segura de uma Doutrina que soma aprimoramento intelectual e sentimentos confraternos.

Emmanuel disse em algum lugar, que não estávamos reencarnados em férias – e que no momento em que mais intensamente precisaríamos lutar com empenho e amor, poderíamos ser distraídos pelos avanços da tecnologia e pelo progresso que nos traria fartura e conforto.

Estaríamos nesse momento? Acredito – minha opinião – que sim. Muito já poderíamos ter feito – da mesma forma como os pioneiros do Bem fizeram - serenamente, mas corajosa e efetivamente.
Certamente que o leme deste barco está nas mãos de Jesus – porém, não esqueçamos que mesmo Ele não prescinde de marinheiros responsáveis para conduzi-lo.

Sonia Theodoro da Silva
www.filosofiaespirita.org

O Espiritismo na TV aberta


Na data de hoje assistimos a mais um debate num canal de TV entre representantes de religiões com a presença de um espírita. Os assuntos abordados giraram em torno do tema “paranormalidade”, e cada representante deu o seu parecer acerca do que a sua religião preconizava a respeito. Sem dúvida que o representante espírita abordou o tema de forma a canalizá-lo para as comprovações de ordem científica a partir dos estudos de Allan Kardec. E não poderia ser de outra forma; contudo, este foco, que deve ser melhor tratado e enfatizado em qualquer entrevista onde o Espiritismo seja convidado a participar, acabou por ser desviado para as questões de ordem religiosa dogmática. Parece-me – e aqui exprimo a minha opinião – que este terreno ainda está extremamente verde; seria como esbarrar num muro intransponível, onde os religiosos se enclausuram quando não querem responder às mais simples questões. E mais uma vez Jesus vaio à tona como a 2ª. pessoa da trindade católica e protestante, como alternativa de argumentação.

Os participantes se dividiram, com o umbandista aliando-se ao protestante contra o espírita, que tentava explicar racionalmente os ensinos de Jesus e a sua vida; a sua citação de uma passagem do livro “Ciência Espírita” do pensador espírita José Herculano Pires para embasar o seu discurso, acabou por ser depreciada e relegada ao plano das improváveis e "pseudo-verdades espíritas".

O enfoque do umbandista pendeu para o que ele chamou de “arrogância de médiuns” que se utilizam da ingenuidade do público para enriquecerem e se encastelarem em pedestais de poder, ao que o protestante aproveitou para citar a famosa passagem do Deuteronômio onde Moisés proibia as comunicações com os espíritos (sem dúvida que em sua época de manifestações medianímicas primitivas Moisés não poderia ter agido de outra forma).

E assim progrediu a entrevista, como um colar de pérolas que perde o fio que as sustenta, na pessoa de uma entrevistadora que não conseguiu manter o bom nível das discussões.

O programa não apresentou nada de novo, nada acrescentou aos telespectadores que, mais uma vez, ficaram sem as necessárias e prementes explicações às magnas questões da vida humana em conflito, e que somente o Espiritismo pode elucidar. Não estamos colocando a Doutrina Espírita por sobre qualquer tradição religiosa apenas lembraríamos de que princípios de fé não são discutíveis pois fazem parte do inconsciente coletivo como verdade indiscutível, portanto como dogmas de fé.

O Espiritismo é constituído de princípios de razão, universais, e que compõem as Leis Divinas - aqui estão as Palavras de Deus - perfeitamente acessíveis através do estudo, da pesquisa, da meditação consciente.

O desfecho demonstrou, mais uma vez, a ausência de interesse geral nas pesquisas científicas que hoje muitos espíritas no Brasil e no exterior fazem, comprovando os princípios espíritas ensinados pelos Espíritos Superiores e profundamente estudados por Kardec e seus continuadores: a existência da vida após a morte, a pluralidade das existências, a comunicabilidade dos Espíritos, a lei de causa e efeito; as pesquisas dos hoje sistematicamente ignorados William Crookes, Ernesto Bozzano, Hernani Guimarães Andrade, ignorados até pelos próprios brasileiros, a mediunidade formidável de um Carmine Mirabelli, filho de imigrantes italianos e morador da Zona Norte de São Paulo, no bairro de Santana, de um Peixotinho, de uma Ana Prado, de uma Elisabeth d'Espérance, de uma Florence Cook, de muitos outros que compõem a história da paranormalidade mundial e que foram estudados por brasileiros espíritas, conscientes da magnitude de significados que esses médiuns traziam consigo. Poderíamos citar centenas de médiuns e pesquisadores sérios que atestaram os princípios espíritas como princípios de Verdade.

Ou seja, mais uma vez o público perdeu a oportunidade de saber porque é refém de uma época onde a violência e a falta de respeito à vida se manifestam, porque sofremos, porque trabalhamos, porque vivemos e afinal, para onde estamos caminhando; o pior cativeiro ainda é a ignorância de sabermo-nos Espíritos reencarnantes com deveres, obrigações, compromissos, e realizações efetivas e consistentes que aguardam as nossas iniciativas.

O encerramento do programa culminou com cada participante divulgando a sua própria instituição, como palavras finais. E mais uma vez o Espiritismo não pode firmar-se com a coragem que lhe é característica, na demonstração de todos esses fatos – hoje sobejamente comprovados cientificamente, porém ainda relegados a segundo plano, ou o que é pior - relegados a material pertencente ao ocultismo, ao sobrenatural, à demoniologia. Lamentável.

Sonia Theodoro da Silva
www.filosofiaespirita.org

EFE Filosofia Espírita

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Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz

EFE- Educação Mediúnica com base na Filosofia Espírita

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Grupo Espírita Irmão Carmello

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