FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

4 de março de 2010

O Céu e o Inferno – Uma Oposição Filosófica ao Movimento Niilista

A obra citada, O Céu e o Inferno, desenvolvida por Allan Kardec a partir do Livro IV – Esperanças e Consolações de O Livro dos Espíritos, antecipa com absoluta exatidão de princípios, o movimento sartreano da nadificação do ser humano, porém, preparando, com argumentos inquestionáveis, a oposição necessária àquele movimento, que levaria (como tem levado) à quase absoluta descrença nos verdadeiros valores da vida. As conseqüências desse movimento, sentimo-las até hoje, quando analisamos mais aprofundadamente o comportamento das pessoas com relação à Natureza e ao seu semelhante. À Natureza, basta buscar nos sites dos movimentos de preservação do ecosistema (WWF, Greenpeace, SOS Mata Atlântica) e inteirar-se da amplitude da devastação que ora grassa no planeta. Ao homem, “coisificado” pelas políticas de consumo, os resultados têm sido desastrosos. As próprias relações humanas, empobrecidas pelo “quem-tem-pode-mais”, ampliaram as carências afetivas; o ser humano isola-se, perde o contato com o outro, cria necessidades fictícias, perde a confiança no futuro, desenvolve patologias cuja etiologia, desconhecida pela atual medicina construída nas mesmas bases materialistas-positivistas, permanece obscura, ampliando ainda mais o atual quadro de angústias e expectativa. O contributo das crises sócio-economicas e financeiras mundiais, pouco elucida e muito preocupa a todos.
Nesse particular, lembramo-nos de outro livro escrito por Allan Kardec, A Gênese, no ano de 2008 comemorado os seus 140 anos de primeira publicação, onde o autor descreve os tempos de transição como de “luta das idéias” (1), de onde surgiriam os graves acontecimentos preditos desde a antigüidade, agitando as “entranhas da humanidade”. Assim, o movimento existencialista teve origens nos primórdios do pensamento ocidental, quando se buscava a origem de todas as coisas – arché – na Natureza, no plano do sensível, do perceptível aos sentidos, estendendo-se ao pensamento moderno, indo ao encontro da angústia perene que habitava o coração de Soren Kierkegaard. O sentimento de melancolia, tão bem descrito por François de Genève em O Evangelho Segundo o Espiritismo (2), e confundido com depressão, é inerente ao ser humano. Diz a mensagem que esse sentimento é a angústia do Espírito preso à solidez corpuscular de um corpo físico, que o restringe, limita, aprisiona. É como o pássaro preso numa gaiola pequena, sem possibilidades de abrir suas asas, sequer ambicionar a voar. É a “vaga tristeza” (a depressão, portanto, não cabe aqui) surgida pelo anseio à liberdade, “mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar (...)”.

Estaria nesse vago sentimento que se manifesta através da melancolia, as origens desse movimento filosófico, que, no século XX veio a ampliar-se a ponto de fazer o homem acreditar que do Nada tivera origem e para o Nada voltaria? Talvez.
Não podemos esquecer que cada pensador deu o seu toque pessoal ao sistema filosófico empreendido em seu próprio momento existencial.
As próprias religiões, em pouco ou nada ajudaram a resolver esse problema, já que exarcebaram o sentimento de culpa pela morte do Salvador, preso à cruz de seus (e nossos) tormentos perpétuos. Olhando ad eternum para o Cristo crucificado num altar de louvações a um corpo morto pelas dores da ignorância humana daqueles tempos, as cerimônias repetem exaustivamente, há 2.000 anos, o episódio do sangue e da carne ingeridos em glória ao Deus que exige sacrifícios de almas e corpos para ser temido e respeitado. As massas populares, cansadas de tanto transferirem ao seu inconsciente, por gerações, essa tragédia mal explicada e mal digerida, abrem as portas das catedrais, e saem em busca de ares renovados, de redenção pela razão, de fé que as conduza ao coração de um Pai que as ama, pois por Ele foram criadas.
E mal podem crer que um Cristo – 2ª. Pessoa da trindade – possa ter algo para lhes dizer, porque ele exige, para ser seguido, dor, sofrimento, humilhação, solidão, sacrifício, flagelação...

Não sem razão, Nietzsche, tido como o profeta da crise secular do Ocidente, e seguindo essa mensagem subliminar pregada na cruz de Jesus, anuncia a morte de Deus – seu núcleo de reflexão -, já que esta anuncia o progressivo desaparecimento na cultura do homem moderno de todas as filosofias, religiões ou ideologias que no passado exerciam a tarefa de iludi-lo e consolá-lo.
Esta questão posta por Nietzsche, mais ampla do que o espaço de que dispomos em nossa coluna, mas que merece a reflexão de nossos leitores, conduziram o ser humano a uma vivência dentro do espírito dionisíaco preconizado pelo referido pensador, que tem como premissas a aceitação do caos intrínseco à vida, da sua ausência de sentido e de significado.
Contrapondo-se à religião, o filósofo amplia a angústia do viver para o nada. Seguindo essa lógica, se para o vazio caminhamos, teríamos de usufruir ao máximo os prazeres que a vida pode proporcionar, numa (inútil) procura pela felicidade tão almejada.

No citado livro O Céu e o Inferno, Kardec pergunta aos seus leitores: “Haverá alguma coisa mais desesperadora do que essa idéia de destruição absoluta? Sagradas afeições, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria destruído, tudo estaria perdido!”. Afirma José Herculano Pires que, cem anos após Kardec, a filosofia na França quase se desfez nos sofismas do nada, com Jean Paul Sartre e sua escola. Contudo, a companheira de Sartre, Simone de Beauvoir , confirma as palavras de Allan Kardec, ao escrever: “...detesto pensar no meu aniquilamento. Penso com melancolia nos livros lidos, nos lugares visitados, no saber acumulado e que não mais existirá. Toda a música, toda a pintura, tantos lugares percorridos – e, de repente, mais nada !” (3)

A Filosofia Espírita da existência ou posta na existência conduz o ser humano atual, da desesperança, da angústia, do estupor e da ansiedade, da melancolia e da depressão, da ausência de fé e da razão manipulada pelas religiões em agonia, das crenças fanatizantes, da hierarquia da violência e do vício, ao manancial de plenitude, pois identifica o ser consigo mesmo, conduzindo-o ao conhecimento de si e esclarecendo-o de suas causas, do porque está aqui, para onde caminha, o que o aguarda, e que depende de si mesmo e do grau de respeito que tributar à vida, a sua felicidade e o seu bem-estar; que é um Espírito imortal, cuja jornada eterna, o conduzirá a degraus cada vez mais altos onde poderá visualizar o tanto de progresso realizado, e à frente, o porvir... ; que nunca está só, embora a solidão existencial amargue as suas horas, que pode e deve caminhar com o seu semelhante, pois ambos trazem as mesmas questões, as mesmas dúvidas, porém caminham em direção a uma finalidade comum.
O Céu e o Inferno, desconstrói o mito do sofrimento e das penas eternas, e, para legitimar essa desconstrução, traz para o ser humano as respostas “do lado de lá” da existência, para os que aqui ainda estão, respostas estas que dizem de esperança, de consolação, de realização, de consolidação da fé racional, porém de responsabilidade pelos próprios atos e da necessidade consciencial de recomposição da própria vida, a cada etapa percorrida, de acordo com as Leis Divinas e misericordiosas.
O Espírito André Luiz, convocado pelos Espíritos orientadores da humanidade, completa este livro magistral com a sua obra de cunho existencial e educacional.
Deixamos o nosso leitor com a curiosidade de percorrer esses livros com a mesma expectativa de quem busca respostas adequadas para questões tão antigas: quem sou, o que faço aqui, porque, para onde devo caminhar, o que me aguarda... Seguramente não estaremos sós, pois os amigos benfeitores que nos acompanham, estrarão orientando-nos a jornada, transmitindo-nos o seu incentivo, afeto e amparo.
(1) KARDEC, Allan, A Gênese, cap. XVIII, item 7.
(2) ___________, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 25.
(3) ___________, O Céu e o Inferno, cap. I, item 1 e Nota de J.H.Pires.

EFE Filosofia Espírita

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