FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

25 de janeiro de 2012

2012 SEGUNDO A FILOSOFIA ESPÍRITA



ASSISTA ao documentário TERRA: O PODER DO PLANETA ao lado

O ano de 2012 chegou finalmente, e, como todos esperávamos, centenas de interpretações sobre o fim dos tempos estão praticamente inundando a internet, com aparências de possibilidades: “é possível que em 06 de junho de 2012 o eixo da Terra se modifique...”, “possivelmente em 22 de dezembro de 2012 haverá um black-out generalizado, as grandes potências e os poderosos já sabem e preparam seus refúgios subterrâneos em países do hemisfério norte...”, “... não estamos sendo avisados devido ao pânico...” , “tudo faz parte da transição...”, “Jesus voltará durante esses momentos de dor...”, e seguem no mesmo diapasão, inúmeros vídeos trazendo debates, ou apenas discursos inflamados, todos almejando representatividade na sociedade, e concordes com as previsões originais, mas que vão se alterando conforme as culturas nas quais se inserem.
Gostaríamos de lembrar que o Espiritismo jamais endossaria tais afirmações ou pseudo revelações. Em A Gênese, cap. 1, Caráter da Revelação Espírita, item 8, diz Allan Kardec: “(...) chamamos particularmente a atenção para o cap. 21 de O Evangelho Segundo o Espiritismo: levantar-se-ão falsos Cristos e falsos profetas”. No mesmo capítulo, item 10: “Só os Espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la; mas, sabe-se hoje que nem todos os Espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentam sob falsas aparências, o que levou S. João a dizer: ‘Não acrediteis em todos os Espíritos, vede antes se os Espíritos são de Deus.’ 1ª.Epístola, 4:4). Pode pois, haver revelações sérias e verdadeiras como as há apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus. ”
Em O Livro dos Espíritos, perg. 851, Kardec pergunta aos Espíritos: “Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre-arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir. Ao vê-lo fraquejar, um bom Espírito pode vir-lhe em auxílio, mas não pode influir sobre ele de maneira a dominar-lhe a vontade. Um Espírito mau, isto é, inferior, mostrando-lhe, exagerando aos seus olhos um perigo físico, o poderá abalar e amedrontar. Nem por isso, entretanto, a vontade do Espírito encarnado deixa de se conservar livre de quaisquer peias.” ( O grifo é nosso)

Os Espíritos prosseguem elucidando ao mestre de Lyon que nada está escrito, ou seja, nenhum evento está fadado a ocorrer que não esteja na ordem natural das coisas, nas escolhas dos Espíritos encarnados e desencarnados e nas determinações das Leis Divinas.

Ainda em A Gênese, cap. 18, São Chegados os Tempos, item 1, Kardec afirma que o sentido místico e o apego ao sobrenatural juntamente com a incredulidade generalizada tomaria espaço em nosso tempo. Nos demais itens comenta da harmonia existente na criação, que para tudo há uma razão de ser na marcha do conjunto pois está submetido à Lei de Progresso, que funciona em perfeita ordem, e que estaríamos sujeitos ao crescimento moral, consequente da madureza da Humanidade, ela própria se regenerando à medida em que perpassa pela luta das ideias.

Sabemos que a nossa cultura religiosa tem suas origens na ambiência mítica e mística oriental que o pensamento racional tentou minimizar e que finalmente a Filosofia Espírita conseguiu trazer à reflexão, num perene convite à análise desprovida de pré-conceituações que poderiam mascarar a realidade, infringindo-lhe expectativas dissonantes e em total desacordo com o progresso já realizado. As religiões, responsáveis pelo ateísmo avassalador que toma hoje o pensamento filosófico do ocidente, pois induziram o homem à negação de sua natureza espiritual, pior, à negação da existência de um Ser Supremo, suprema inteligência e causa primária de todas as coisas, ou tornando-o apenas imanente na Natureza, caem hoje em fragmentos; escravizam seus fiéis ao passado histórico apelando à palavra contida nos escritos sagrados, obstaculizam o raciocínio na afirmativa de que é Deus quem supervisiona os cofres dos templos, estimulam a rivalidade religiosa, ceifam vidas num holocausto interminável e odioso em pretensas defesas de seus postulados “eternos”.

A essência das religiões, divulgada e vivida por seus representantes iniciais, preconiza a existência de uma Divindade Suprema, o amor e o respeito que lhe devemos bem como ao nosso semelhante. Ao longo do tempo, tudo isto foi modificado. Pairamos no limbo das incertezas, da descrença, do descrédito. Talvez aí esteja a causa da dificuldade que o Espiritismo enfrenta para fixar-se, como Conhecimento, em outros países. Mesmo na França, seu berço, onde os pioneiros trabalharam com afinco e dedicação à causa dos Espíritos superiores. Devido a isto, os movimentos de auto-ajuda proliferam, trazendo “receitas rápidas para a felicidade”, num planeta que precisa de nossa atenção, respeito e solidariedade.

O Espiritismo tem, com sua Filosofia conducente à posturas mentais e comportamentais coerentes à verdadeira natureza do ser humano, ético e moral (Vede Jesus, perg. 625, LE) toda a condição de abrir as fronteiras para um livre-pensar desataviado de misticismos e mitologias ultrapassadas. Basta que não nos percamos em debates inócuos, pessoais, e vazios, quando não míticos, por ainda habitarem o nosso psiquismo carente de renovação.

EFE Filosofia Espírita

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