FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

14 de fevereiro de 2010

OS CAMINHOS DA FÉ ATRAVÉS DA RAZÃO II

Nessa infinita jornada, Fé e Razão ora se mesclam, ora se afastam, buscando cada qual o seu caminho, até se encontrarem nas mentes e corações humanos, uma vez que de forma conceitual jamais se distanciaram mutuamente, pois que resultantes de uma mesma construção evolutiva. Fé, candeeiro de luz a iluminar a Razão, bússola infalível a conduzir o pensamento às alturas de seu próprio conhecimento e do universo que o circunda. Fé, portanto, transcende o aqui-agora, alça vôo fulgurante em busca do Mais Alto, pois para lá nos destinamos. Razão, ponto de equilíbrio a sinalizar a perfeita sintonia com a Consciência Cósmica. E quando lá chegarmos, habitantes de mundos mais felizes (diga-se de realizações existenciais), olharemos os mundos mais atrasados como estâncias infinitamente pequenas diante da eternidade que nos aguarda, estágios de dor e testes necessários ao aprendizado do Espírito rebelde e egocentrado, incapaz de sentir o outro como irmão, uma vez ambos criados à semelhança divina.

E porque Fé e Razão viajaram separadas ao longo do tempo? A Fé foi construída sobre o pedestal das religiões míticas e místicas criadas pela superstição humana. A Razão isolou-se no sectarismo das introvertidas Filosofias e Ciências tradicionais, submetidas ao academicismo estanque. Apartadas pelas mãos humanas, inevitavelmente teriam que enfrentar-se, de forma litigiosa, num futuro em que o ser humano soubesse discernir e escolher por meio de seu livre-arbítrio. E é nesse momento, em que a Razão, ensoberbecida pelo saber acumulado, e em que a Fé jazia glamorosa nos ricos altares construídos em sua homenagem, gerando a opressão e a descrença, o isolamento e a arrogância, únicos caminhos em que se encontravam, pois gerados pelo próprio homem que as desunira, é que surge à frente, através dos mesmos instrumentos utilizados para afastá-las, ou seja, a perquirição filosófica e os experimentos científicos, a doutrina de Luz, no país que outrora abrigara as Luzes.

A verdadeira e única Razão - como legítimo suporte ao Saber transcendente - que lutara por libertar-se em terras francesas, insurgente aos ditames da nobreza decadente e do clero vicioso, embora ainda vestida de aparências. Apesar das conseqüências deste ato histórico, Ilumina a Fé enclausurada, e ambas caminham trôpegas, até o momento em que os grandes detentores da Esperança chegam até à humanidade cansada e descrente, trazendo-lhes a Boa Nova renovada. E do país da Razão, transporta-se para o país da Fé, o Brasil, como a dizer-lhe que a verdadeira fé seria aquela que buscasse respaldo na reflexão, no raciocínio, na consciência ampliada pelo estudo contínuo, mas igualmente pelo exercício do Amor fraterno.
Não cabe aqui nenhuma crítica desairosa aos caminhos traçados pela Fé e pela Razão humanas, diligenciando encontrar o pleno Conhecer. Foram momentos necessários até a madureza do Espírito, até que este tivesse condições de ver, ouvir e sentir a realidade que o circunda, e que jaz oculta nele próprio.
Porém, vez por outra, como ainda nos demoramos na adolescência espiritual, a tentação de nutrir a Razão com o orgulho, à semelhança dos antigos detentores do saber, não obstante as orientações seguras dos Espíritos superiores em experiência e consciência, e a Fé com o despotismo farisaico-religioso de outros tempos, carregando em seu bojo hábitos e costumes ligados à ortodoxia vazia, a Doutrina de Luz recebe também em nossos dias inserções indevidas, conclusões apressadas, posto que o homem, herdeiro de si mesmo e ainda habitando um plano mental onde a dualidade se expressa de forma contundente, ora conduzindo-o ao Bem de si mesmo, e, portanto, do seu próximo, ora ao Ego inseguro e irrenovado, impelindo-o atavicamente ao seu próprio primitivismo, nutrindo-o de emoções não trabalhadas, já que não trazidas à própria reflexão, ainda não conscientizou-se de que o Espiritismo é, a bem da verdade, a oportunidade sublime que o conduzirá a planos mais elevados da existência.
Portanto, prescinde da bagagem acumulada nos exercícios reflexivos das academias. Estes são como rascunhos que servem como ensaios ao Verdadeiro texto, ou desenhos, como moldes à Verdadeira escultura, ou ainda esboços que servirão ao desenvolvimento da Verdadeira partitura, todos aspirando aos originais efetivos e realizadores.
O Espiritismo, síntese disto tudo, permanece aguardando que as nossas vivências impactantes despertem-nos de nossa própria letargia, ou nos situe responsavelmente no contexto universal. Fé e Razão, Luz e Bússola, são manifestas em todo o composto doutrinário. Em O Livro dos Espíritos, como livro-chave, os caminhos para o desdobramento dos demais livros estão indicados, e como tal, foram produzidos através da reflexão de um Ser em si mesmo realizado, Kardec, pela inspiração e mestria dos Espíritos Condutores desta humanidade.

Ali estão os indicativos para a continuidade da obra: em O Livro dos Médiuns, a seriedade dos mecanismos de pesquisa dispostos ao pesquisador consciente e despojado. Tal como Kepler, reconhecendo a Verdade acima de quaisquer opiniões científicas pessoais, pois o Saber não tem dono. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, a ética cósmica de Jesus, despojada das crenças, e das intensas manobras por minimizá-la ao usufruto dos hábitos igrejeiros, conduz, hoje, o ser humano a viver eticamente, em qualquer ramo de atuação onde a sua existência se dê, preservando-o e conduzindo-o ao exercício de sentimentos e atitudes dignas com relação a si próprio e ao outro. Ética vem acompanhada de amor, de firmeza e constância no Bem. Sem hesitação, nem omissão.
Em A Gênese, a grande Luz se transforma na Lógica da Criação. E podemos então acessar a Harmonia e o Equilíbrio latentes na Natureza, aguardando serem descobertas sem convencionalismos delituosos.
Em Obras Póstumas, o labor operoso do trabalhador que, acima de tudo, soube respeitar e preservar as informações recebidas de outra dimensão, a das Luzes, e que intuitivamente sabia serem condutoras para a fase final da formação do caráter humano, disperso em si mesmo, preso às falácias, gerando sofrimento atrás de sofrimento, ignorante de como atuam as leis divinas, ao mesmo tempo vítima e algoz.
Portanto, a fé espírita, como um grão de mostarda, contém a potência da criação em si mesma; a razão espírita também carrega consigo a convicção, a firmeza de propósitos que a conduz, quando amparada pelo amor, à plenitude, tal como Jesus.

Vede Jesus - dizem os Espíritos. Ele é nosso modelo. Enquanto não acreditarmos, porquanto não portando a fé raciocinada, que tal seja, estaremos ou permaneceremos ostensivamente envoltos na soberba de nossa imensa ignorância, sofrendo-lhe inapelavelmente as consequências.

EFE Filosofia Espírita

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