FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

14 de fevereiro de 2010

TRANSIÇÃO

Em alguns momentos, ao longo de nossa existência, passamos por fases que poderíamos caracterizar como sendo de transição. É assim da infância à adolescência, desta à idade adulta até a maturidade e à velhice do corpo. Neste processo, absolutamente natural e hoje motivo de estudos da medicina e da psicologia, o que nos coloca a par de como lidar com ele a fim de evitarmos o mais possível impactar nossos Espíritos, mas pelo contrário, aproveitar esses momentos para amadurecermos existencialmente, é que nos vem à lembrança, como uma analogia, que o mesmo processo se dá com as religiões. Mas por que não dissemos "revelações" e sim religiões?

Simplesmente porque as religiões, no seu desenvolvimento histórico, antropológico, social, são obra do ser humano, não da divindade. A ESSÊNCIA DAS RELIGIÕES, ou seja, as REVELAÇÕES, trazidas à Terra por missionários do Bem, através do intercâmbio mediúnico sadio e equilibrado, surgem no momento adequado à assimilação humana e como resultado do progresso alcançado. Ela, a revelação, propicia a UNIDADE DE PENSAMENTO e o SENTIMENTO DE RELIGIOSIDADE, na busca natural do ser humano por sua própria transcendência. Contudo, a religião, ressalvada a sua importante função educacional e legítima às populações ainda imberbes no entendimento da relação Criador-criatura-criação, separou Deus do ser humano, pois o localizou fora de si mesmo, num céu paradigmático, longínquo, inacessível, tão distante que não há como acessá-lo, senão por seus eleitos, igualmente inatingíveis e dotados de uma especificidade também inalcançável ao comum dos mortais.

Onde está Deus? Olhamos para cima e dizemos, no céu. Onde está o Universo? Fora da Terra, é o que todos dizem, inclusive a ciência humana. E a Natureza? Lá fora. Este simples gesto, de afastamento físico e psíquico, de Deus, Universo, Natureza fez do ser humano, marginal em sua própria humanidade. E arcamos com as conseqüências desse processo, hoje, século 21, num mundo violento, impassível diante da dor banalizada, tão distante de Deus que simplesmente esquecemos o significado da palavra "semelhante", pois as relações humanas são fundamentadas nos interesses pessoais e personalistas, no utilitarismo, no usufruto imediato ou no lucro que o outro possa nos acarretar.

Conseqüências: 1) fragmentação social galopante, originando preconceitos de raça, de status social, de idade, de religião, de maneira de ser, de falar, de vestir, de estar;
2) distanciamento de virtudes, valores, que, se bem apregoados pelas religiões fundadas por sobre as revelações e pelas doutrinas filosóficas, hoje são considerados “coisa do passado”; 3) adesão ao aborto, à eutanásia, à pena de morte como “soluções” imediatas a “problemas” que não conseguimos resolver; 4) mudanças comportamentais sem estabilidade na “rocha sólida”, como na alegoria de Jesus, e desprovidas de conteúdo existencial, a bel-prazer dos meios de comunicação descompromissados com a Verdade e com o bem-estar moral das sociedades; 5) agressões conscientes e inconscientes à fauna e à flora, com o propósito de exploração e até sem propósito algum; e finalmente, 6) reflexos psíquicos e comportamentais destoantes, violentos, geradores de síndromes, carências afetivas, descontroles emocionais, de exclusão, e como se diz popularmente, da sensação de estar “sem chão”.

Como exemplo, vamos observar alguns fatos ocorridos nestas últimas semanas. Vimos pela televisão a agonia, o calvário e a morte do representante de uma igreja, seu velório, com a presença de chefes de estado, monarquias e representações diplomáticas, um público estimado em quatro a cinco milhões de pessoas (sem citar a cobertura da mídia), enterro, o período de incubação da idéia de um novo sumo pontífice e finalmente o tão esperado "habemus papam", pronunciado e recebido com alívio pelos fiéis do mundo inteiro, e no Brasil, maior país católico do mundo. A missa em homenagem ao novo Papa, realizada na Catedral de São Paulo, contou com a realização de uma irmandade, ritualisticamente remetendo-nos à lembrança os antigos Templários. O ritual da missa, cada vez mais cercado de um aparato visual extremamente bem elaborado, com o acréscimo de peças de música orquestrada e coral, segue a pompa e circunstância que o momento merece. A circulação dos padres e auxiliares numa performance de palco disciplinada e muito bem encenada. A figura do pontífice máximo ainda segue o mesmo indicativo de legítimo representante de Jesus ou Deus sobre a Terra. Ao longo de dois dias, os fiéis buscaram, ansiosos, o livramento dos pecados através da confissão não mais auricular, agora frente a frente com o padre. O mesmo acontece com as outras vertentes da mesma igreja, priorizando a encenação espetacular e tocando nas necessidades fundamentais da criatura humana, como meio de atrair as massas.

Também observamos cotidianamente o desenvolvimento das igrejas pentecostais e missionárias, todas amplamente freqüentadas pelo grande público, em edifícios imensos e estrategicamente decorados, buscando atender as necessidades e carências imediatas desse público, utilizando o aparato publicitário que enfatiza o milagre como força atrativa e realizadora na vida do indivíduo, para que este se livre da falta de dinheiro, do desemprego, das carências, do equívoco nas relações humanas. Emblemático o apelo ao livramento dos "encostos", à busca da curas das enfermidades, ao encontro pessoal com Jesus, filho unigênito de Deus, que os livrará da sanha do demônio, os grandes encontros coletivos promocionais em clima de festa.

E poderíamos também analisar outras manifestações religiosas ocidentais - todas com enfoque eminentemente social e/ou terapêutico, dito auto-ajuda, sem citar as ideológico-políticas assumidamente praticado por todas elas, deixando a relação com Deus em segundo plano sob os cantos e as músicas frenéticas, crises de mediunismo, ou ainda focando-a numa relação aberta de barganha. Sem mencionar as orientais ortodoxas ou extremistas, onde a auto-flagelação é a marca dos iniciados e escolhidos pela divindade. Sinal dos tempos? Ou perpetuação de hábitos de tempos longínquos, onde a relação Criador-criatura se realizava mediante sacrifícios ?

Voltando às consequências, poderíamos refletir que: 1) na verdade, sempre fomos violentos - diga-se de passagem que, se somos uma sociedade terrena em situação moral e espiritual de provas e expiações, conclui-se que já fomos primitivos, portanto, muito mais violentos que agora; 2) é verdade que hoje, ela, a violência é muito mais impactante, pois somos, sabidamente uma sociedade que já realizou progressos fantásticos em todas as abordagens da vida humana; 3) contudo, a própria situação evolutiva nos situa em progresso contínuo, portanto desprovida ainda de valores e virtudes a serem exercidos, e que AINDA NÃO NOS DEMOS CONTA DE QUE SOMOS PORTADORES; 4) as religiões facultam esse processo de auto-descoberta, mas estão impossibilitadas de desenvolvê-lo, pois o enfoque relação Criador - criatura perdeu-se no emaranhado de manifestações exteriores, de fora para dentro, impactantes aos sentidos humanos, porém vazios de apelos ao crescimento interior.
Neste processo, a religiosidade embasada no CONHECIMENTO ESPÍRITA nos trará:

1) DISCERNIMENTOdo que seja religião dos homens e sentimento religioso com Deus, o máximo desprovido de rituais e de apegos, como festas religiosas, comemorativas, etc., RECONHECENDO JESUS, como CAMINHO VERDADEIRO, pois ELE PRÓPRIO O PERCORREU não, contudo, no âmbito da Terra (VEJA-SE ITEM 100 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Escala Espírita), como VERDADE PURA, pois ele a traz em si mesmo, em forma de sabedoria, e VIDA, sob a condução do AMOR PLENO, pois se reconhece em DEUS e UNO À CRIAÇÃO DIVINA;

2) INDEPENDÊNCIA de uma representatividade meramente humana calcada no imediatismo, e até da idéia atribuída aos missionários, equivocadamente adorados e louvados como deuses do panteão mitológico, "intercessores necessários" entre Deus e humanidade, retirados de seus papéis de exemplo seguro, pois para isso vieram até nós;

3) MATURIDADE psíquica, manifestada através da relação harmoniosa entre a trilogia (no verdadeiro sentido semântico) Criador-criatura-criação, pois embasada no profundo respeito do segundo elemento pelo terceiro, DO QUAL FAZ PARTE, em união contínua com DEUS, PRESENTE NO PRÓPRIO SER HUMANO.

A RELIGIÃO ESPÍRITA, se assim podemos chamar, JAMAIS terá cunho SOCIAL e/ou TERAPÊUTICO, OU AUTO-AJUDA (sequer mencionadas as dependentes de rituais flageladores, por motivos óbvios), pois IDENTIFICA-SE COM O PRÓPRIO SER E NUNCA FORA DELE. NUNCA TERÁ REPRESENTANTES, mas sim, PARTÍCIPES, pois a comunhão com o divino em nós, nos situa no mesmo patamar de igualdade ético-moral.
Quando a caminho desta integração, jamais, portanto, serviremos de obstáculo ao desenvolvimento e progresso de nosso semelhante, atribuindo-nos direitos vaidosos, egocêntricos e calcados numa necessidade patológica de idolatria exterior.

Até lá, andaremos "crucificados" na cruz da existência, chorando pelos mortos que, na verdade continuam vivos; auto-flagelando-nos aos vícios de toda a sorte, pois não há esperança nem consolação; distantes da realidade espiritual, petrificados pelo medo ao mal agressivo e invisível que nos circunda pois, se não criação de nossa mente em desequilíbrio, como na alegoria de O Senhor dos Anéis, são resultantes da nossa omissão como cidadãos.
Continuaremos dilapidando os bens legítimos da Vida em nós e na Criação, sentido-nos à parte dela ou como seus conquistadores, culpados ou vítimas e não responsáveis que somos pelos próprios atos, os quais cabe-nos modificar para o Bem.

Neste aspecto a Parábola dos Talentos de Jesus situa-nos integralmente na linha da existência, com a segurança de quem é portador dos bens legítimos da Vida, com livre-arbítrio de utilizá-los para o próprio progresso, em busca da felicidade, pois para ela fomos criados.

Bibliografia recomendada: Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, Céu e Inferno; José Herculano Pires: Concepção existencial de Deus, O Espírito e o Tempo, Agonia das Religiões, Revisão do Cristianismo; Léon Denis: O Problema do Ser, do Destino e da Dor; Vianna de Carvalho/D.Franco, Atualidade do Pensamento Espírita.

EFE Filosofia Espírita

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