FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

14 de fevereiro de 2010

QUESTÕES EXISTENCIAIS SEM ESPÍRITO DE SISTEMA

á exatos 145 anos Allan Kardec presenteava-nos com a obra O CÉU E O INFERNO , preparando o terreno que as idéias niilistas e positivistas surgidas na segunda metade do século XIX, tentariam semear com o joio adubado pela ausência de sentimentos nobres amadurecidos na meditação, na circunspecção e no desprendimento, tão necessários a quem se propõe a lançar no mundo idéias, comportamentos, escolas de pensamento, teorias filosóficas. Emmanuel, numa feliz interpretação dessas iniciativas egocentradas, diz: "O procedimento dos homens cultos para com o povo experimentará elevação crescente à medida que o Evangelho se estenda nos corações. Infelizmente, até agora, raramente a multidão tem encontrado o tratamento a que faz jus." . De fato, a própria condição de imperfectibilidade da espécie humana atesta que são raríssimos os exemplos a serem seguidos. E, se analisarmos com espírito livre de preconceitos e rotulagens,veremos que a representação do bem real na Terra sempre foi antecedida pela humildade, nela convivendo e dela extraindo os frutos mais substanciosos, que por sua vez fecundariam outros terrenos, em outras partes do mundo. Exemplos inúmeros, centenas e milhares, em todas as épocas, em todos os lugares, inseridos nos contextos culturais diversificados, como pequenas luzes projetadas na massa escura do planeta em constante transição.

Os Amigos da Humanidade em conflito representam em si mesmos a mensagem de que são portadores. Anônimos, nascem em berços obscuros, enobrecendo a família em meio à qual foram chamados a conviver, estudam muito e disciplinadamente, dignificando o conhecimento (não a vazia intelectualidade), trabalham condignamente, exemplificando a disciplina espontânea e a dedicação consciente. Se são portadores de competências, exaltam-nas, exemplificando nas diversas atividades que abraçam, a missão do homem inteligente sobre a Terra. Jamais obstaculam o caminho de outras competências, ao contrário, irmanam-se a elas, indicando rotas, ampliando a capacidade de abrangência de suas idéias avançadas no tempo e no espaço. Se, por necessidade das convenções terrenas portam titulações acadêmicas, cargos, posições sociais, estes acabam por desaparecer perante os sentimentos e as atitudes condignas. Exercitam o desapego aos bens da Terra, utilizando-os para o bem comum. Valorizam a si mesmos na medida em que vivenciam a mensagem apregoada.

No caminho inverso, o apego aos mesmos títulos e cargos, circunstâncias efêmeras e aplausos de momento, demonstram igualmente a exata proporção de necessidades afetivas aos quais se apegam fervorosamente, como se o aplauso da multidão tivesse a mesma força das realizações que dizem representar. Assim, satisfazem-se no abandono do exemplo edificante. "Auxiliar a todos para que todos se beneficiem e se elevem, tanto quanto nós desejamos melhoria e prosperidade para nós mesmos, constitui para nós a felicidade real e indiscutível", assevera Emmanuel na mesma citada mensagem.
Em "O Céu e o Inferno", as questões existenciais tomam outro formato, despojam-se do aparato das escolas filosóficas vazias e inócuas, tanto ou mais quanto a vacuidade dos corações que as criaram. Auxilia-nos a diferenciar o misticismo supersticioso da mística natural, os conceitos mitológicos de penalidade e recompensa a viciarem as mentes juvenis, ansiosas pelas compensações terrenas, à semelhança dos aplausos. Remete-nos às reflexões quanto a vida e a morte, despojando-nos do medo e da angústia do sofrer existencial, incentivando-nos a ser, e não somente a estar, pois "a cada um será dado conforme as suas obras". Trata-se portanto, não dos gozos ou penalidades da vida futura, à interpretação humana, mas da natural conseqüência de pensamentos e atos bem ou mal engendrados.
Situa-nos na escala ascencional de nossos sentimentos a alçarem vôo em direção à esferas onde os Espíritos transitam em meio ao que condicionamos chamar por "felicidade", por falta de melhor definição, pois o nosso mundo consciencial desconhece tais venturas. E para atestar tais assertivas, Kardec à semelhança da maiêutica socratiana, questiona, interroga, indaga e entrevista os Espíritos em suas diversas circunstâncias existenciais no mundo incorpóreo, como a atestar da exata dimensão propiciada pelas escolhas voluntárias de cada um. Sem rebuscamentos, sem máscaras, sem rótulos. Sem sistemas.

Somos o que somos. E hoje, quando o ser humano em guerra contra o outro ser humano anula os mínimos gestos de solidariedade, em que o ego transforma-se em tirano do Espírito, em que a educação e as boas maneiras (não confundamos com mise-en-scène) cedem lugar à rudeza e à agressividade sem controle, os grandes dramas ocupam novamente o palco da tragédia humana. Serão eles os grandes instrumentos sempre renovados do despertamento. Incentivarão a fraternidade, acolherão em seus braços suas vítimas perplexas. E remeterão esses corações à reflexão. E da reflexão, à realidade. E desta, à humildade.

E então entenderemos os propósitos de Deus a nosso respeito. Deixaremos as filosofias esdrúxulas, as religiões fanatizantes, as ciências dogmáticas. E estaremos prontos para o pensar renovado, para o agir dignificante e plenificador.

Bibliografia: O Céu e o Inferno, de Allan Kardec ; Fonte Viva (104-Diante da Multidão), de Emmanuel/Chico Xavier.

EFE Filosofia Espírita

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