FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

14 de fevereiro de 2010

SALVAÇÃO.. UMA REFLEXÃO ESPÍRITA

No capítulo XV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos a frase "Fora da Caridade não há salvação", comentários de Kardec acerca da Parábola do Bom Samaritano (Mt.15, 31:46). Diz o codificador que toda a moral de Jesus se resume na caridade exercitada e na humildade assumida, como regras-base da convivência pacífica, contrárias ao egoísmo e ao orgulho, instrumentos de conflito nas relações humanas.

Trata-se de uma das mais belas passagens do Evangelho, na qual o mestre de Lyon exprime, na realidade, a sua própria vivência, superando-se, dia após dia, no cumprimento da mensagem de Amor na qual trabalhava. Em outra obra, "Viagem Espírita em 1862", Kardec, ao responder uma das muitas questões a ele formuladas pelos grupos espíritas que visitou naquele ano, sobre a necessidade de os adeptos do Espiritismo terem uma senha para se reconhecerem ao se encontrarem, diz que os espíritas, por não constituírem uma sociedade secreta, não deveriam ter, portanto, nenhum sinal secreto para mútua identificação: "um sinal, uma senha, poderiam, ademais, ser também usados por falsos irmãos, e o resultado é fácil de ser imaginado. Vós tendes uma "senha" que é compreendida de um ao outro extremo do mundo: é a caridade." (O grifo é nosso). "A verdadeira caridade não pode ser falsificada. Nela reconhecereis sempre um irmão, ainda que ele não se diga espírita, e deveis estender-lhe a mão...".

Em primeiro plano, Kardec diz "vós tendes"; trata-se de uma afirmação, uma certeza, portanto inerente ao Ser, que permeia as suas diversas existências na matéria, donde se conclui que a caridade é resultante de um desenvolvimento, e não de uma aquisição, como aliás, todas as virtudes e seus valores correspondentes. Em toda codificação encontramos afirmações análogas a esta, revelando-nos que somos portadores de virtudes em estado de latência, apenas aguardando o momento adequado para consolidar-se em definitivo.

O egoísmo e o orgulho, em sua fonte, constituem princípios inerentes à lei de conservação, portanto necessários à preservação da vida, não obstante tornarem-se elementos constritores à plena realização do Espírito se não trabalhados em sua essência. A reencarnação, ou seja, o impacto que o Espírito sofre na matéria densa, seria como um lento e metódico processo de refinamento, um filtro de onde esses princípios surgiriam, transformados em altruísmo e real amor a si mesmo, como pedras preciosas livres do cascalho asfixiante. Tal como na questão 908 de O Livro dos Espíritos, quando Kardec difere as paixões em seu nascedouro, como princípio de elaboração necessário ao desenvolvimento humano, das paixões desvirtuadas em seus excessos.

A caridade, hóspede perpétua da alma quando tornada ação, eleva-a, evidenciando, de maneira clara e contundente, o degrau em que o Ser se situa. Como é inerente a ele, qualquer que a possua em alto grau, será intenso pólo de atração para outros seres, que se lhe estarão, consciente ou inconscientemente submetidos de forma espontânea. Jesus, jamais eclipsado pelos egos naturais de seus conterrâneos, teve à sua frente o mandatário de César, na pessoa de Publio Lêntulus, que se lhe submete sem questionamentos. Francisco, o poverello de Assis, atraía a si as criaturas embrutecidas no eclipse da razão, pois falava-lhes com sentimento de branda, mas intensa e amorosa ternura.

A caridade ativa, quando em sinergia com a razão, com o conhecimento, transforma-se em poderoso elixir de saúde, de juventude e alegria. Não da alegria esfuziante e desarrazoada, fruto de estímulos exteriores, mas como forma de comunicação silenciosa, cercando os indivíduos com uma aura de bem-estar e regozijo interior, pois é poderoso meio de comunicação de alma para alma.

A salvação, ou auto-redenção, desta forma, dá-se de forma natural, espontânea, sem maiores esforços senão os de ajustar em si mesmo a confiança plena nos poderes superiores que dirigem a nossa existência. A salvação, tal como a caridade, não vem de fora para dentro, mas define-se em movimento perene, em cascata, do Ser em ascensão, para a vida em plenitude.
Tal como o anônimo bom samaritano, que, sem questionar ou emitir julgamentos acerca do ferido caído à margem da estrada, arregaçou as mangas e imediatamente trouxe-o de volta à vida.

Estamos, hoje, na pré-história de um mundo de regeneração - o que estamos efetivamente fazendo para que este momento não se alongue em demasia? Quantos caídos à margem temos colecionado em apenas uma existência? O mundo hoje é uma imensa projeção dos conflitos e lutas íntimas que se retratam de infinitas formas, todas inequivocamente fruto da abstinência de Deus nos corações. Escolhe o ser humano o caminho das pedras e cascalhos, ferindo-se, caindo e tornando-se a ferir, acumulando pontos de dor e sofrimento no que ele próprio convencionou chamar de jogo da vida.

Passamos ao largo na estrada, inúmeras vezes, fazendo de conta que não vemos a própria dor projetada no outro, no caído, na vítima das próprias aflições, açulado pelas feras interiores que o conduziram aos padecimentos de toda a sorte. Belo ensinamento de Jesus; o Samaritano, elevado à categoria de irmão, entende as mãos, os braços, a dedicação, o respeito, a misericórdia, e despindo-se das construções de fachada, torna-se-lhe um igual, compactua-lhe as angústias, irmana-se-lhe no martírio, e salvando o outro salva-se a si mesmo, diante de seus próprios olhos e da Divina Lei.

EFE Filosofia Espírita

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